6 previsões para o futuro da advocacia

Em julho de 2019 foi realizado, em Londres, o The Lawyer Marketing Leadership Summit. O evento reuniu mais de 70 profissionais de marketing e desenvolvimento de negócios em todo o setor jurídico para discutir o futuro da advocacia e dos serviços legais. Neste ano, o nome de Lucy Murphy, CMO da Freshfields Bruckhaus Deringer, foi um dos mais lembrados pelos participantes.

Reconhecida por ter revolucionado a comunicação do escritório de advocacia britânico Freshfields em escala global, além de ter figurado entre as 100 líderes de marketing mais impactantes da Europa, Lucy compartilhou suas previsões sobre o futuro dos serviços jurídicos. De acordo com Lucy Murphy, os profissionais da advocacia deverão estar preparados para os novos desafios.

Lucy Murphy foi um dos nomes mais lembrados pelos participantes do evento (Crédito: The Lawyer)

6 previsões para o futuro da advocacia

Conheça, a seguir, as principais previsões de Lucy Murphy:

1. Haverá menos “balcões únicos” (one stop shops)

No futuro, haverá menos one stop shops, ou seja, escritórios de advocacia que oferecem uma infinidade de produtos e serviços a seus clientes, todos sob o mesmo teto (o equivalente aos nossos escritórios full service[1], que atuam em diversas áreas do Direito). Conforme ela, como forma de enfrentar a “comoditização” dos serviços jurídicos, haverá cada vez mais escritórios especializados.

2. A tecnologia jurídica mudará tudo (e os advogados não mais atuarão sozinhos)

De acordo com a CMO da Freshfields, a tecnologia jurídica mudará radicalmente a forma como os serviços são prestados. Em síntese, os profissionais da advocacia não mais desenvolverão soluções para clientes por si próprios. A elaboração e execução dos serviços contarão com apoio de equipes multidisciplinares. Tecnólogos, estrategistas e gerentes de projetos serão fundamentais no futuro.

3. Um grande player se (re)inventará como plataforma de integração jurídica

Com os avanços da tecnologia, os clientes passarão a procurar serviços jurídicos nas mais diversas plataformas. Em suma, buscarão o melhor serviço pelo menor preço. Para a especialista Lucy Murphy, em algum momento no futuro alguém (um indivíduo ou mesmo uma grande empresa) inventará uma plataforma capaz de integrar todas as soluções oferecidas pelos fornecedores em um único local.

É provável que você goste:

Advocacia 4.0: como superar o desafio do “mais por menos

4. O modelo jurídico de negócios será transformado (todos passam a sentar à mesa)

Lucy Murphy imagina um amanhã no qual as equipes multidisciplinares sentam juntas para modelar e comercializar os serviços jurídicos. Ela sugere uma abordagem “simbiótica”, na qual o escritório de advocacia como um todo participa da proposta de negócios. Membros do TI, RH, contabilidade, inovação e marketing passarão, portanto, a sentar à mesa com os profissionais da advocacia.

5. Os honorários serão baseados nos resultados

Para a CMO da Freshfields, os advogados precisam apresentar maneiras inovadores de melhorar os resultados dos clientes. De acordo com Murphy, em algum momento no tempo os escritórios de advocacia não mais adotarão o modelo de cobrança por hora ou por serviço. Ela está convencida de que os honorários serão baseados, única e exclusivamente, nos resultados alcançados pelos serviços.

É provável que você goste:

A advocacia está passando por duas grandes transformações (e nunca mais será a mesma)

6. A experiência do cliente será o maior diferencial

Conforme Murphy, os escritórios de advocacia cada vez mais entenderão que devem depositar todas as energias para melhorar a experiência do cliente. Os profissionais não devem medir esforços para alcançar esse objetivo. A tecnologia é sim importante para aprimorar os serviços prestados, mas o foco é – e sempre deve ser – o(s) cliente(s). Tudo é em razão dele(s). Enfim, como conclui a CMO da Freshfields:

Nossos clientes precisam confiar que faremos tudo ao nosso alcance para resolver seus problemas mais complexos e ajudá-los a alcançar suas maiores ambições. Isso tudo é sobre como você faz seus clientes se sentirem. – Lucy Murphy


NOTA

[1] Só para ilustrar: dois são modelos de escritórios full service no País. No primeiro, os advogados atuam em todas as áreas do Direito, sem distinção. Nesse modelo, os clientes com demandas criminais e trabalhistas são atendidos pelo mesmo profissional. Muitas vezes, o formato é pejorativamente tachado de “clínica geral”. Já o segundo modelo é aquele em oferece serviços em todas as áreas, mas cada uma delas tem um profissional especializado. Ou seja, o advogado na área criminal atua somente com casos criminais; a advogada da área trabalhista atua somente com casos trabalhistas; o advogado civilista atua somente com casos cíveis, e assim por diante.


Quer estar por dentro de tudo que envolve Direito, inovação e novas tecnologias?

Então, siga-me no FacebookInstagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.

Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

Anterior

Como aplicar o Visual Law na prática

Próximo

O advogado 4.0 deve enxergar a automação como aliada ou como inimiga?