Novo aplicativo ajuda usuários a registrar excessos em abordagens policiais

O escritório de advocacia Legal Lifelines, especializado na área criminal, lançou um aplicativo para que usuários possam gravar sua interação com a polícia e depois carregá-la na nuvem. Assim, caso o smartphone seja quebrado ou apreendido pelos policiais, o conteúdo registrado não será perdido e poderá ser usado como prova judicial.

O sistema foi desenvolvido a partir da experiência de Michael Herford, fundador da Legal Lifelines e idealizador do aplicativo, que foi detido e revistado diversas vezes por policiais. Em entrevista ao Legal Futures, Herford mencionou que, antes de ser advogado, chegou a sofrer agressões físicas e verbais de policiais, que o confundiram com um criminoso:

Eu mesmo fui detido e revistado e entendo como pode ser degradante e assustador quando os protocolos não são seguidos por aqueles que conduzem a busca e outras operações invasivas. – Michael Herford

Excessos em abordagens policiais

De acordo com Michael Herford, o aplicativo não foi projetado para intimidar a polícia ou mesmo “criar problemas”, mas para registrar eventuais abusos e comportamentos hostis por iniciativa dos policiais. As pessoas tendem a se comportar de maneira mais adequada quando estão sendo filmadas. Sendo assim, o aplicativo explora todo esse potencial:

A polícia é um organismo profissional e foi treinada para conduzir as buscas de forma adequada. Se ela não estão fazendo nada de errado, (…) qual é o problema de filmar? – Michael Herford

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O app foi lançado pelo escritório de advocacia Legal Lifelines

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Embora os policiais muitas vezes portem câmeras no corpo, nem sempre os dispositivos são ligados para filmar as abordagens. Além disso, mesmo nos casos em que a abordagem é filmada, a obtenção dos conteúdos registrados não é fácil para fins de defesa criminal. Desse modo, o aplicativo busca também auxiliar na produção de prova judicial.

Aplicativo ajuda usuários a registrar abordagens hostis ou inapropriadas

Ao gravar um vídeo com aplicativo aberto, o conteúdo – em áudio ou vídeo – será enviado para a nuvem. Em suma, a funcionalidade evita que o conteúdo registrado se perca caso o smartphone seja quebrado ou apreendido pelos policiais. Dentro do app, o usuário também pode encontrar em contato com a equipe da Legal Lifelines, para orientação jurídica.

De acordo com Herford, o aplicativo busca solidificar os lanços da Legal Lifelines com organizações comunitárias, bem como empoderar pessoas negras, que possuem até 10 vezes mais probabilidade de serem detidas e revistas do que pessoas brancas. O dispositivo também pretende educar asiáticos e grupos étnicos minoritários sobre seus direitos.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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