Audiências virtuais tornam os julgamentos mais difíceis, afirma advogado britânico

Em recente artigo publicado no The Times, Rupert Reed, QC, afirmou que as audiências virtuais tornam os julgamentos mais difíceis e a justiça menos provável de ser cumprida. Conforme o advogado britânico, especialista em direito comercial, as audiências virtuais representam um problema real e podem prejudicar os tribunais a longo prazo.

É provável que você goste:

A telepresença poderá transformar as audiências judiciais?

Distrações e múltiplas tarefas

De acordo com ele, as solenidades remotas são desafiadoras. Em primeiro lugar, elas oferecem muitas distrações. Agora, os advogados estão aguardando o início das audiências com o Zoom no monitor principal, documentos jurídicos em segundo plano, ao mesmo tempo em que conversam com clientes e com a equipe do escritório pelo WhatsApp.

O cérebros dos profissionais estão lutando para processar o novo ambiente audiovisual. Antes da pandemia, os advogados dificilmente consultavam seus smartphones por longos minutos durante a conversa com o cliente. Agora, o constrangimento é menor, e muitos profissionais não só consultam os celulares, como respondem e-mails e mensagens:

Responder e-mails e bate-papo é muito mais fácil do que em reuniões ao vivo, onde havia algum constrangimento em fazê-lo na frente de clientes. – Rupert Reed, QC

Rupert Reed QC acredita que as audiências virtuais são prejudiciais a longo prazo

É provável que você goste:

Susskind: audiências por vídeo não são a resposta para o futuro dos tribunais

Julgamentos mais difíceis

Ainda no âmbito das audiências virtuais, há o problema das fraudes nos depoimentos. A qualidade da imagem nem sempre permite ver para onde a testemunha está olhando. Rupert Reed, QC, destaca que as testemunhas podem agora, só para ilustrar, evitar contato visual com todos os envolvidos (juízes, advogados…) e buscar apoio em respostas difíceis:

O risco de uma testemunha ter acesso a anotações ou mensagens na tela do computador aumenta inevitavelmente. Rupert Reed, QC

Para muitos, tais problemas são triviais e nada afetam a atividade jurisdicional. Mas, na visão do advogado britânico, situações como essas levantam questões importantes, e deveremos analisá-las com cuidado. Rupert Reed, QC, conclui que precisamos voltar o quanto antes aos tribunais, presencialmente. Qual é a sua opinião sobre a análise do advogado britânico?


Enfim, quer estar por dentro de tudo que envolve Direito, inovação e novas tecnologias?

Siga-me, então, no FacebookInstagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.

Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

Anterior

Susskind: audiências por vídeo não são a resposta para o futuro dos tribunais

Próximo

Reino Unido lança programa para acelerar a transformação digital no setor jurídico