Com jurimetria e inteligência artificial, JUIT ajuda advogados na tomada de decisões

Continuo a série de entrevistas com (co)fundadores de lawtechs e legaltechs do Brasil. Nesta entrevista recebi a JUIT, startup que ajuda advogados na tomada de decisões jurídicas baseadas em dados, utilizando jurimetria e inteligência artificial. Em síntese, conversei com o Deoclides Neto, CEO da startup, sobre o funcionamento e os planos para o futuro.

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1. Em primeiro lugar, como surgiu a JUIT?

A JUIT nasceu da união dos fundadores Deoclides Neto e Marcio Godoi, que se conheceram em 2014 no MBA em Big Data. A ideia surgiu depois que Deoclides, então analista de dados em uma banca jurídica, identificou um problema que afetava o dia-a-dia de todos os colegas: a dificuldade que os advogados tinham em entender, pela perspectiva jurídica, as demandas de negócio dos seus clientes.

Após conversar sobre o assunto com Marcio, que atuou no mercado de software jurídico por 10 anos, ambos decidiram que o momento era oportuno pra tocar o negócio.

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Eles perceberam que o problema vem sendo parcialmente solucionado por consultorias, com projetos pontuais, finalidades específicas e um alto custo, não sendo acessíveis à maior parte da comunidade jurídica. A dupla decidiu, então, “produtizar” a análise de dados e democratizar o acesso à Jurimetria (análise estatística aplicadas ao Direito), com um produto por assinatura.

Em agosto de 2018, percebendo a demanda cada vez mais latente no mercado, os dois pediram demissão de seus trabalhos para fundar a JUIT. Organizaram, então, uma rodada de investimento entre familiares e amigos, contrataram dois desenvolvedores e vem, desde novembro de 2018, trabalhando na criação do produto.

2. Em síntese, quais são os serviços oferecidos pela JUIT?

O primeiro produto da legaltech, o JUIT Rimor, é focado em jurimetria, jurisprudência e gestão do conhecimento para escritórios e departamentos jurídicos. Sua proposta de valor é fazer o advogado saber mais lendo menos, construindo conhecimento o mais rápido possível. O produto reúne, em suma, julgados de diversos Tribunais e fontes administrativas (como CARF e TCU), além de doutrina e também legislação – uma solução completa que une todas as fontes do Direito em um só lugar.

Os dados são atualizados diariamente (sem cobrança extra pela atualização) e também é possível solicitar dashboards customizados que atendam necessidades específicas do escitório ou departamento jurídico. Além disso, oferecem extração e envio de dados estruturados (em planilhas) de julgados que atendam determinados critérios (exemplo: análise de mérito de um órgão julgador sobre determinado assunto, ou então todos os julgados que citam determinada empresa).

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3. Só para ilustrar, qual é o diferencial da JUIT em relação às demais startups que oferecem soluções similares?

A startup foi a primeira a reunir, em uma única solução, jurimetria e jurisprudência unificada de vários tribunais a um preço acessível, em forma de assinatura com preço fixo. O produto entrega um volume grande de jurisprudência de todas as áreas do Direito, com informações detalhadas e que permitem aplicação de múltiplos filtros como tribunal, classe, assuntos, seção, turma, câmara, comarca de origem, análise de mérito, base legal, dentre outros.

O cruzamento de assuntos é feito com tecnologia proprietária de deep learning e avançado processamento de linguagem natural, permitindo ao advogado concatenar assuntos para melhor definir o escopo de sua busca (exemplo: pode-se cruzar “revisão contratual” com “inadimplemento” para identificar resultados que atendam somente estes casos, medindo o índice médio de procedência).

Importante dizer que a ferramenta traz também, entre os resultados, algo que outras do gênero não exibem: recursos repetitivos, súmulas, orientações jurisprudenciais, IACs (incidente de assunção de competência) e outros julgados de maior relevância, que permitem saber se o assunto está travado em tribunais superiores ou não, traçando uma melhor linha de defesa para o cliente.

A legaltech é composta por um time técnico forte e que utiliza tecnologias de ponta, desenvolvidas dentro das maiores empresas de tecnologia (Google, Facebook, Uber, Airbnb) para dar ao operador do Direito brasileiro, de forma simples, a informação qualificada que necessária para a tomada de decisão. A JUIT já foi reconhecida, aliás, nacional e internacionalmente, pela sua inovação com dados do Judiciário brasileiro.

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4. Além disso, a JUIT tem um Propósito Transformador Massivo (MTP)? Se sim, qual?

Sim. Buscamos dar ao operador do Direito a capacidade de tomar decisões baseadas em dados dia após dia, organizando todos os dados do Jurídico brasileiro. Clique AQUI para saber mais sobre o que move a empresa em seu manifesto.

5. Em suma, quem são as pessoas por trás da JUIT?

  • Deoclides Neto – Graduado em Direito (2010) com MBA em Big Data (2014), atuando com Direito e tecnologia há cerca de 10 anos. Fã de filosofia do direito e Jurimetria.
  • Marcio Godoi – Engenheiro de software com MBA em Big Data (2014), atuando há 20 anos como desenvolvedor (10 deles com software jurídico). Gosta de desafios de escalabilidade de software.
  • João Marcelo Arrabal – Cientista da Computação (2018) full stack, faz telas do produto e gerencia bancos de dados relacionais e não-relacionais. Entusiasta de machine learning.
  • Terso Guerra – Cientista da Computação (2018) backend, focado na captura dos dados em fontes públicas. Familiarizado com Direito há tempos, por ser filho do renomado jurista Willis Santiago Guerra Filho.

6. Enfim, quais são os planos da JUIT para os próximos anos?

Fazer do JUIT Rimor o maior aliado do advogado na pesquisa jurídica, se tornando uma ferramenta padrão de mercado, agregando conteúdo relevante diverso para as pesquisas e se tornando um marketplace de dados jurídicos de qualquer natureza, sejam elas processos, decisões, tese, doutrina, legislação etc.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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