Como a realidade virtual pode ajudar na preparação para audiências e julgamentos

A David Geffen School of Medicine, uma escola de medicina localizada em Los Angeles (EUA), recentemente conduziu um estudo para entender os benefícios da virtualidade no treinamento cirúrgico. A pesquisa, financiada pela startup Osso VR, demonstrou que a realidade virtual pode ser determinante na preparação dos futuros médicos.

A realidade virtual ajuda na preparação para casos reais

O estudo funcionou da seguinte maneira: os participantes (20 no total) foram divididos em dois grupos, em igual número. O primeiro grupo (A) recebeu treinamento cirúrgico tradicional, o mesmo, aliás, ministrado na maioria das faculdades de medicina estadunidenses. Já o segundo grupo (B) recebeu treinamento cirúrgico com realidade virtual (RV).

O vídeo a seguir apresenta mais detalhes do treinamento:

É provável que você goste:

Advogados já podem se preparar para julgamentos com realidade virtual

Concluído o treinamento, os participantes tiveram de solucionar um caso médico, que envolvia a colocação de uma haste intramedular na tíbia, em ambiente simulado. O procedimento foi acompanhado por um cirurgião experiente, que desconhecia a preparação que cada grupo havia recebido. Veja, em síntese, algumas das conclusões da pesquisa:

  • O grupo B obteve uma classificação geral 230% mais alta;
  • Os participantes do grupo B concluíram o procedimento antes que o grupo A (20% mais rápido);
  • O grupo B desempenhou mais das etapas do checklist que o grupo A (incremento de 38%).

E o que a pesquisa tem a ver com o Direito?

O estudo sugere que a RV pode desempenhar um papel essencial na preparação dos estudantes para situações reais. A virtualidade não apenas expõe os alunos a um número amplo de cenários, como contribui para reduzir os índices de erros. E se, na área médica, um erro pode ser fatal, na esfera jurídica um erro pode custar a liberdade de alguém.

Ciente dos benefícios da virtualidade, empresas vêm se dedicando a oferecer soluções tecnológicas para ajudar estudantes e profissionais a se preparar para audiências e sessões de julgamentos. A JUST, que define sua tecnologia como sendo “a melhor coisa depois de estar no tribunal”, é uma das startups que busca revolucionar o ensino jurídico.

Embora não se compare a estar fisicamente nos tribunais, a experiência proporcionada pela RV é melhor do que imaginar tudo a partir do escritório de advocacia. Estudantes e advogados podem treinar a oratória, a gesticulação e a inquirição de testemunhas. Além disso, conseguem rever seu desempenho para corrigir falhas e defeitos na atuação:

As origens da virtualidade remontam ao ano de 1929, quando Edward Link inventou o Link Trainer, o primeiro exemplo de um simulador de voo comercial. Passadas mais de nove décadas, a RV a recém está chegando na esfera jurídica. Mas, sem dúvida, há enorme potencial de adotar tal tecnologia na preparação dos estudantes para casos reais.


Enfim, quer estar por dentro de tudo que envolve Direito, inovação e novas tecnologias?

Siga-me, então, no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.

Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

Anterior

TJBA desenvolve ferramenta de busca de processos por similaridade

Próximo

Como a animação 3D pode ajudar a representar acidentes de trânsito