Como as lawtechs e legaltechs estão remodelando a prática jurídica

O excesso de processos em tramitação no Judiciário, somado ao número cada vez maior de advogados inscritos nos quadros da OAB, vem estimulando o desenvolvimento de produtos e serviços de base tecnológica para transformar o Direito. Lawtechs e legaltechs estão à frente deste movimento e oferecem enorme potencial de remodelar a prática jurídica.

Remodelando a prática jurídica

O Brasil presenciou um crescimento exponencial de startups jurídicas nos últimos anos. As mais de 150 lawtechs estabelecidas no País estão oferecendo serviços inovadores para o mundo jurídico. As soluções tecnológicas, em síntese, buscam tanto aprimorar a rotina dos profissionais da advocacia quanto auxiliar os magistrados na atividade jurisdicional.

O diagrama a seguir, elaborado pela AB2L, ilustra o ecossistema de startups jurídicas em outubro de 2017:

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Já este diagrama apresenta, em suma, o ecossistema em julho de 2020:

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Ainda não há nenhum unicórnio no Brasil. Nenhuma startup jurídica atingiu o valuation de US$ 1 bilhão ou mais até o momento. Muitos especialistas questionam se o mercado das lawtechs e legaltechs será capaz de competir, de igual para igual, com o das fintechs. Alguns sugerem, aliás, que os profissionais do Direito não são ousados o bastante para inovar.

Ainda é cedo para confirmar a declaração, mas é inegável que as startups estão transformando o universo jurídico brasileiro. Categorias como analytics e jurimetria; automação e gestão de documentos; extração e monitoramento de dados públicos; e resolução de conflitos online, poderão revolucionar a forma como os serviços jurídicos são praticados.

Conhecendo de perto o ecossistema

Convencido do potencial das lawtechs e legaltechs, iniciei, em setembro de 2017, uma série de entrevistas para conhecer melhor as soluções tecnológicas disponíveis no mercado jurídico. Até o momento, aliás, entrevistei mais de 40 cofundadores de startups e conheci de perto o trabalho realizado (você pode conferir todas as entrevistas AQUI).

Além disso, desde março de 2020 venho conduzindo o quadro Playtest, no qual experimento, na prática, soluções tecnológicas oferecidas pelas startups jurídicas brasileiras. Até agora foram cinco textos, nos quais detalhei e expliquei a maior parte das ferramentas disponíveis no dashboards das plataformas (você pode conferir todos os textos do Playtest AQUI).

Ponto de inflexão

O ecossistema de tecnologia jurídica não está mais “engatinhando”, e a pandemia acelerou a adoção de ferramentas tecnológicas pelos escritórios de advocacia e departamentos jurídicos. O Poder Judiciário, da mesma forma, está apostando em novas práticas para aprimorar a atividade jurisdicional. Estaremos, enfim, perto de um ponto de inflexão?


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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