Como os dados podem transformar a advocacia

Josh Becker, chefe de análise jurídica da LexisNexis, recentemente afirmou que o legal analytics é o futuro da advocacia. O especialista, que preside a divisão de softwares de análise jurídica (LexMachina), sustenta que, no futuro, nenhuma decisão jurídica ou orientação estratégica será feita sem dados. Mas os dados podem transformar a advocacia?

Como os dados podem transformar a advocacia

Recente levantamento da LexisNexis revelou que 70% dos maiores escritórios de advocacia estadunidenses usam legal analytics. As aplicações são, em síntese, as mais diversas. Advogados estão analisados dados para desenvolver novos produtos/serviços jurídicos, bem como para aprimorar a prática jurídica e o processo de tomada de decisões.

Só para ilustrar: os profissionais implementam o legal analytics para precificar futuros projetos; aumentar a inteligência competitiva para novos negócios; demonstrar vantagem competitiva aos clientes; e obter insights competitivos. Esse, talvez, seja um dos maiores potenciais do legal analytics, pois envolve, com muitas e muitas aspas, “prever o futuro”.

Antecipando cenários futuros

Nos Estados Unidos, empresas de tecnologia jurídica oferecem soluções capazes de antecipar cenários futuros. E o processo nada tem de achismo ou adivinhação. Ao receber dados específicos de determinado caso, o software compara os dados com uma base de decisões judiciais anteriores e calcula as probabilidades de o advogado ganhar ou perder a causa.

Embora ninguém seja capaz de prever o futuro, os dados fornecidos por tais ferramentas auxiliam os advogados na tomada de decisões. Se um software de legal analytics sugere, a partir de uma base “aquecida” de dados, que a pretensão do seu cliente tem 95% de chances de ser julgada improcedente, você aposta na esfera judicial ou investe em um acordo?

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Em síntese, a tomada de decisões baseada em dados deve integrar o repertório da nova advocacia

Lawtechs estão desenvolvendo soluções de legal analytics e jurimetria (os termos, muitas vezes, são usados como sinônimos, mas nem todos concordam com a associação) também no Brasil. Experimentei, na prática, algumas dessas ferramentas e fiquei impressionado. Embora melhorias sejam necessárias, as perspectivas futuras são animadoras.

Legal analytics e inteligência artificial

Nicholas Reed, chefe de negócios e operações da plataforma de análise jurídica Ravel Law, destaca que o amadurecimento das técnicas de inteligência artificial, como o processamento de linguagem natural e o machine learning, combinados com o legal analytics, elevarão a advocacia a um novo patamar. De acordo com o especialista estadunidense,

Com dados limpos e estruturados, as empresas podem criar novas e poderosas ferramentas que identificam tendências jurídicas importantes e ajudam os advogados a tomarem melhores decisões jurídicas e comerciais. – Nicholas Reed

Parece inegável que os dados vão transformar a advocacia. É mera questão de tempo. Profissionais que souberam analisar e usar os dados a seu favor terão mais chances de êxito nas demandas, independentemente da área de atuação escolhida. A tomada de decisões baseada em dados (cultura data-driven) deve integrar o repertório da nova advocacia.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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