Conheça DigCap, uma plataforma online de intermediação de créditos

Continuo a série de entrevistas com (c0)fundadores de lawtechs e legaltechs brasileiras. Hoje vamos conhecer a DigCap, uma plataforma online de intermediação de créditos. Conversei com o CEO, Leonardo Stocker Pereira da Cunha, sobre o surgimento da startup, as soluções oferecidas, os diferenciais, o propósito e os planos para o futuro:

DigCap 01

1. Em primeiro lugar, como surgiu a DigCap?

O Leonardo, CEO da DigCap, era sócio em um “escritório de advocacia tradicional” e lá havia um cliente que precisava muito receber a indenização da sua ação trabalhista. No entanto, a empresa ré utilizava de todos os mecanismos jurídicos possíveis para atrasar o pagamento do crédito do autor. O cliente estava desesperado, chegou a procurar um agiota para quitar suas dívidas. Então, surgiu a ideia de conectá-lo com outro cliente do escritório, que era um grande investidor do mercado financeiro. No final das contas, ambos fizeram um bom negócio: o investidor fez um investimento melhor do que aqueles que fazia no mercado financeiro e o vendedor conseguiu quitar todas as suas dívidas, com um baixo deságio (em comparação com empréstimos bancários). Aí nasceu a DigCap.

2. Quais são as soluções oferecidas pela startup?

A DigCap é a primeira plataforma de intermediação de créditos do Brasil 100% online, criada para conectar autores de ações judiciais (vendedores), que estão em dificuldade de aguardar o desfecho do seu processo, com investidores interessados em adquirir os créditos judiciais (compradores), que tenham condições financeiras de aguardar o desfecho do processo. A negociação, pela DigCap, é segura e totalmente online! É possível negociar seu crédito sem sair de casa. Nós utilizamos métodos objetivos e prezamos pela negociação ganha-ganha – em que tanto o comprador, quanto o vendedor saem ganhando.

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3. Qual é o diferencial da DigCap em relação às demais startups que oferecem soluções similares?

A DigCap atua como intermediadora, o objetivo da plataforma é conectar pares. Por isso, prezamos pela negociação ganha-ganha, levando em consideração cada detalhe do processo. Diferente de outras plataformas que atuam em formato de fundos de investimento e prezam apenas pelo lado do investidor, a DigCap olha para as duas frentes: tanto vendedor, quanto investidor. É formada de pessoas, para pessoas. Claro, com um toque de tecnologia para tornar o trabalho mais eficiente.

4. Aliás, a DigCap tem um propósito transformador massivo (MTP)? Se sim, qual?

Como toda startup, a DigCap é orientada por um propósito. Diante da demora do judiciário em lidar com o enorme volume de processos, a plataforma tem, em síntese, o objetivo de melhorar e fomentar o acesso à justiça. O fio-condutor da DigCap, portanto, é o direito ao acesso à justiça, previsto no artigo 5o, XXXV, da Constituição Federal. Esse direito fundamental diz ser responsabilidade do Estado garantir que todos cidadãos brasileiros e estrangeiros residentes do país possam acessar seus direitos.

O acesso à justiça é colocado em prática pelo Judiciário, órgão competente para prestar a tutela jurisdicional. Como sabemos, a lacuna do Poder Judiciário é grande, existem milhões de processos em julgamento, e muitas vezes os indivíduos demoram anos para receber o valor a que têm direito. Para a DigCap, sair de um processo e ter a prestação do seu direito efetivada é tão importante quanto poder reivindicar seu direito junto ao Poder Judiciário. Nossa plataforma, em resumo, foi pensada como uma alternativa para aproximar as pessoas da concretização de seus direitos.

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5. Só para ilustrar: quem são as pessoas por trás da startup?

A DigCap é formada, em síntese, por uma equipe multidisciplinar e colaborativa. O Leonardo é o “advogado aposentado”, ele é o CEO. Advogada e Legal Designer, Mariana cuida da organização do procedimento e da jornada do cliente dentro da plataforma. O Augusto, formado em Publicidade e Propaganda, cuida da parte dos investidores. O Gustavo é o CTO, responsável pela parte de tecnologia da plataforma. O Marcos é o mais novo integrante, responsável pelo Marketing. Além disso, Nathália e a Bárbara são estudantes de Direito e auxiliam nas análises dos processos.

Parte da equipe da DigCap

6. Enfim, quais são os planos da DigCap para os próximos anos?

Somos uma startup e queremos levar a todos o conhecimento sobre a possibilidade de vendas de seus processos judiciais, melhorando e potencializando o acesso à justiça (lembrando que o acesso não é apenas entrar, como também sair do Judiciário). Além disso, apostamos cada vez mais em tecnologia. Estamos construindo nossa plataforma, para melhorar nosso atendimento e congregar todas as informações (de vendedores e investidores) dentro dela! Enfim, unindo essa pegada de inovação pretendemos, para o próximo ano, analisar mais de dez mil processos e, no mínimo, conseguir fechar negócio em 10% deles!


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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