Deepfakes vão dificultar o trabalho dos juízes e dos advogados

À medida que se tornam cada vez mais comuns e realistas, as deepfakes vão dificultar a análise das provas judiciais e, consequentemente, o trabalho dos juízes e dos advogados. A avaliação é da pesquisadora Riana Pfefferkorn, para quem as técnicas de manipulação de áudio e vídeo representam uma verdadeira ameaça aos sistemas de justiça.

O trabalho dos juízes e dos advogados será maior

De acordo com Riana Pfefferkorn, as deepfakes vão colocar em xeque a credibilidade da prova testemunhal. Os falsificadores vão juntar aos autos conversas e narrativas que jamais aconteceram. Se os jurisdicionados já são céticos em relação ao Poder Judiciário, a tendência é que a desconfiança aumente nos próximos anos, ruindo todo o sistema.

O avanço das tecnologias utilizadas para a criação de deepfakes prejudica também os julgamentos do júri. À medida que as técnicas ficam mais convincentes, os jurados começarão a questionar a autenticidade dos conteúdos, mesmo daqueles autorizados judicialmente. O risco aqui, conforme Riana Pfefferkorn, é fomentar um efeito corrosivo:

Os objetivos centrais dos tribunais são a verdade e a Justiça. Se o júri parar de acreditar que a verdade existe e pode ser alcançada, ele terá poucos motivos para continuar acreditando nos tribunais. – Riana Pfefferkorn

Se a morosidade do Poder Judiciário é hoje uma das maiores reclamações dos litigantes, tudo sugere que o problema se agrave ainda mais no futuro. As deepfakes vão prolongar a duração razoável dos processos judiciais. Em síntese, os materiais juntados aos autos deverão ser periciados, tornando o processo moroso e também mais oneroso.

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As deepfakes vão colocar em xeque a credibilidade da prova testemunhal

Mas nem tudo são más notícias

Apesar da postura alarmista, a pesquisadora Riana Pfefferkorn acredita que conseguiremos “sobreviver” às deepfakes. Juízes, servidores, promotores e advogados deverão receber treinamento adequado, para que desenvolvam um “olhar treinado” e consigam identificar as técnicas de manipulação de áudio e vídeo durante os atos judiciais.

Para vídeos, o processo de aprendizado envolve entender o movimento natural das sobrancelhas e olhos; e estudar como as bocas, lábios e línguas se articulam na hora de pronunciar as palavras. Para áudios, o treinamento é mais avançado, compreendendo o reconhecimento das chamadas fricativas (consoantes produzidas pela passagem do ar).

Ainda podemos confiar em nossos olhos e ouvidos? Hoje em dia, a melhor resposta para a pergunta talvez seja “até certo ponto”. Os profissionais do Direito devem estar preparados para o maior número possível de situações. E, nesse aspecto, não podemos descartar o uso das deepfakes, que já tem “dado as caras” em processos judiciais.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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