Em tempos de coronavírus, a advocacia precisará se reinventar?

O coronavírus está se alastrando exponencialmente em todo o mundo. Não há como falar em outro assunto. O COVID-19 toma conta de nossos pensamentos a todo momento, sobretudo pelo cenário de incerteza para os próximos dias ou meses. No exato momento em que escrevo este texto, mais de 272 mil pessoas já foram contaminadas, sendo 12 mil vítimas fatais, conforme o Rastreador do COVID-19 da Microsoft.

O medo de contrair a doença é inegável, mas há também outras questões em jogo: a sobrevivência no mercado. Tenho conversado com advogados que temem por seus escritórios. O cenário de incerteza é tamanho que muitos não enxergam potencial de fechar contratos nos próximos dias. Outros sequer estão contando que seus clientes ativos honrem os honorários firmados, pois, com a crise, há outras prioridades envolvidas.

Com os tribunais fechados, funcionando em regime de plantão; os servidores públicos do Poder Judiciário trabalhando em casa, em regime de home office; a suspensão dos prazos processuais em todas as jurisdições do País até 30 de abril de 2020; as perspectivas profissionais estão cada vez menores. Se a crise perdurar por mais tempo, tudo sugere que a advocacia e os tribunais de justiça serão obrigadas a se reinventar.

Os impactos do coronavírus

Esta, aliás, é a avaliação de Richard Susskind. Em recente comentário publicado no The Times, o professor britânico referiu que se os escritórios de advocacia e os sistemas judiciais não conseguirem encontrar uma maneira de trabalhar nas próximas semanas, o COVID-19 rapidamente os derrubará. E essa necessária adaptação (e possível reinvenção) passa, necessariamente, pela adoção de novas tecnologias nas práticas cotidianas.

De acordo com Susskind, é essencial que ferramentas de mensagens de voz, videochamadas e colaboração online sejam incorporadas à rotina dos profissionais. A previsão do professor é que esses aplicativos sejam adotados em massa nas próximas duas semanas. Se você nunca ouviu falar de ferramentas como Zoom, Whereby, Google Hangouts, Skype, Freedom, Trello ou Todoist, talvez seja o momento de conhecê-las melhor.

Mudança maciça no método de trabalho

Ao longo desta semana, os feeds das redes sociais estiverem repletos de publicações sobre home office – escrevo, é claro, a partir da minha “bolha de filtro” (Eli Pariser). Advogados publicando fotos de reuniões, via videoconferência, com clientes e parceiros. Servidores do Poder Judiciário despachando online a atividade dos cartórios. Mas, como refere Susskind, a mudança para o trabalho remoto não se limita a esses exemplos:

É uma mudança maciça no método de trabalho: operacional, técnica, cultural e emocional. – Richard Susskind

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O cenário é grave, mas poderia ser pior

A advocacia precisará se reinventar?

O professor britânico não teme tanto pelos grandes escritórios, pois, normalmente, têm especialistas em tecnologia para auxilá-los a continuar a operacionalidade. Mas os escritórios menores devem adotar as novas tecnologias rapidamente. Mesmo em tempos de crise, as pessoas continuarão precisando de orientação jurídica. Logo, profissionais que viabilizarem atendimento ou orientação jurídica online podem sair na frente.

O cenário é grave, mas poderia ser pior. Se a crise do coronavírus tivesse surgido nos anos 90, as consequências para os profissionais da advocacia e servidores do Poder Judiciário teriam sido mais profundas, já que a transmissão eletrônica de mensagens e o acesso às informações via Internet era reduzida. Mas hoje temos a tecnologia a nosso favor e podemos utilizá-la para manter a continuidade de nossas atividades.

Como conclui Richard Susskind,

É um pouco reconfortante saber que estamos mais bem equipados agora do que no passado. (…) Hoje nós podemos e vamos continuar, movidos a tecnologia. – Richard Susskind


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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