Escócia vai realizar julgamentos do júri em salas de cinema

Para evitar o acúmulo de pessoas nos tribunais durante a pandemia, o governo da Escócia anunciou planos para realizar júris em salas de cinema. A rede Odeon, do principal shopping center de Edimburgo, Fort Kinnaird, sediará a primeira sessão de julgamento no dia 28 de setembro. O anúncio foi revelado pelo Scottish Courts and Tribunals Service (SCTS).

Mas por que os cinemas?

Os cinemas foram escolhidos devido aos seus elevados níveis de conectividade digital e por conta da infraestrutura de TI extremamente segura. Além disso, as salas oferecem isolamento acústico, o que é importante para as deliberações dos jurados, e poltronas confortáveis, para ajudar o Conselho de Sentença a suportar as diversas horas de julgamento.

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A primeira sessão de julgamento ocorrerá no dia 28 de setembro

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Júris híbridos na Escócia

As telas dos cinemas serão divididas em quatro fragmentos, para que os jurados acompanhem os detalhes. Os jurados assistirão a todo o julgamento nas salas, sentando em poltronas inclinadas e fisicamente distanciadas. Já os demais atores judiciários (advogados, testemunhas, promotores de justiça e magistrados) permanecerão no tribunal.

As salas dos tribunais escoceses serão equipadas com câmeras e toda a tecnologia necessária para transmitir os julgamentos nas salas de cinema. As próximas semanas envolverão testes e constantes visitas, para que todos os participantes se familiarizem com o ambiente. De acordo com Ronnie Renucci QC, presidente da Scottish Criminal Bar Association:

O uso de cinemas como centros de júri remotos é uma solução inovadora e única para o problema da realização de julgamentos de júri durante as restrições atuais. É uma solução viável que permite que os julgamentos de júri prossigam em um nível sustentável. – Ronnie Renucci QC (presidente da Scottish Criminal Bar Association)

Reduzindo a quantidade de júris atrasados na Escócia

A deliberação do júri ocorrerá também nas salas de cinema, com mesas e cadeiras fisicamente distantes e conectadas a microfones. Os jurados receberão máscaras no momento da chegada, mas não serão obrigados a usá-las durante o o julgamento. Com esse novo formato de júri (híbrido), a SCTS acredita que conseguirá reduzir a quantidade de júris atrasados:

Somos gratos aos cinemas Odeon por trabalharem conosco para tornar o conceito de centros de júri remotos uma realidade. Precisamos agir rapidamente para aumentar o número de julgamentos do Tribunal Superior e faremos isso gradativamente assim que pudermos. – Eric McQueen (Diretor do SCTS)


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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