Juiz compara audiências por videochamada a pizzas de micro-ondas

As audiências por videochamada vêm dividindo opiniões entre os profissionais do Direito. Para alguns, o novo modelo aprimora a qualidade do trabalho e otimiza o tempo de todos os envolvidos. Já para outros, como o juiz estadunidense Richard J. Garcia, as audiências virtuais são tão indesejadas quanto pizzas de micro-ondas.

Audiências por videochamada são como pizzas de micro-ondas

Conforme o magistrado do Condado de Ingham, no Michigan (EUA), as audiências presenciais são como pizzas feitas no forno a lenha. Elas são inferiores às audiências virtuais, cuja experiência se assemelha à de aquecer uma pizza congelada. A convicção se deve ao fato de que, no ambiente online, não se consegue observar a comunicação não verbal:

É meu trabalho avaliar a credibilidade das testemunhas, e posso dizer que isso é muito mais difícil em uma audiência por videochamada. Nem todo mundo tem uma ótima conexão ou mesmo a capacidade de ter vídeo. Nada se compara a estar na mesma sala com alguém e observar sua comunicação não verbal no tribunal. – Richard J. Garcia (Juiz do Condado de Ingham)

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Conforme o juiz, a audiência por videochamada é como uma pizza de micro-ondas

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Para Garcia, a audiência presencial muda o comportamento dos envolvidos. O ambiente físico leva as partes a enxergar o ato com mais seriedade. Uma testemunha precisa levantar da cama, vestir-se adequadamente, ir ao tribunal, sentar próxima ao juiz e se comprometer a dizer a verdade. O mesmo não ocorre nas audiências por videochamada:

O tribunal real é mais pessoal. Isso deixa uma impressão duradoura. Sua experiência é real, não virtual. A diferença pode mudar seu comportamento. – Richard J. Garcia (Juiz do Condado de Ingham)

Audiências virtuais são improdutivas e causam distrações

De acordo com ele, as audiências virtuais são improdutivas e causam distrações. Os juízes nem sempre conseguem enxergar todos os envolvidos. Além disso, há mais oportunidades de intimidação ou influência por trás das telas. É menos provável, portanto, que uma testemunha fale a verdade durante uma audiência por videochamada.

Retornando à analogia do início do texto, o magistrado sustenta que as pessoas até se contentam com uma pizza aquecida no micro-ondas (audiência por videochamada), mas não é o que desejam. Se pudessem escolher, aliás, as pessoas optariam por uma pizza feita no forno a lenha (audiência presencial). Como conclui o magistrado Richard J. Garcia,

A audiência por videochamada é como uma pizza de micro-ondas: tudo bem, mas merecemos muito mais. Fique certo de que, depois que essa pandemia passar, a maioria das minhas audiências não será virtual. – Richard J. Garcia (Juiz do Condado de Ingham)

Enfim, qual é a sua opinião sobre o posicionamento do magistrado?


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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