Juris Correspondente conecta advogados a correspondentes jurídicos

Continuo a série de entrevistas com (co)fundadores de lawtechs e legaltechs do Brasil. Só para ilustrar: mais de 30 startups já compartilharam suas experiências neste site. Nesta entrevista, em síntese, recebi o Juris Correspondente, uma plataforma que conecta advogados a correspondentes jurídicos. Conversei com o Thomaz Chaves, CEO do Juris Correspondente, sobre o funcionamento e os planos para o futuro.

Conheça, então, mais detalhes:

1. Em primeiro lugar, como surgiu o Juris Correspondente?

Sou uma pessoa que desde os tempos da Faculdade de Direito se incomodava com o formalismo e isolacionismo da profissão em relação ao mercado.

Terno, gravata, falar difícil sempre me pareceram formas de manter o cidadão comum afastado do conhecimento jurídico, que é para todos.

Além disso, atuei muito em Juizados e ONGs como estagiário e advogado voluntário e percebia as dificuldades de acesso à justiça.

Tudo isso fazia eu querer me afastar do Direito. Tanto que ao me formar, no final de 2004, fui para Portugal em busca de oportunidades fora da área jurídica.

Lá, tive uma experiência como empreendedor ao participar do processo de idealização, lançamento e consolidação de uma academia. Não cheguei a me tornar sócio, porém trabalhava como se fosse.

Essa experiência fez com que eu identificasse em mim um empreendedor e fez com que eu me apaixonasse pelo empreendedorismo.

É provável que você goste:

Lawtechs e legaltechs: o que você precisa saber sobre elas

Voltei para o Brasil decidido a abrir uma empresa. Não foi fácil realizar esse desejo, por falta de experiência, ideias, parceiros etc. Acabei indo estudar para concursos.

Obviamente não me adaptei à rotina de estudos, eu queria e precisava realizar coisas, resolver problemas. Em 2008 lancei a minha primeira startup com amigos de infância, um site de cupons de desconto, o Bugio.

Foi uma experiência incrível, ali aprendi muito sobre negócios digitais, marketing online, gestão, sobre o que é empreender. Infelizmente ou felizmente a empresa não vingou e fechou as portas em 2011/2012.

Tive que fazer um retorno para a área jurídica e, em busca de oportunidades de receita, conheci a advocacia correspondente, que nada mais que é que prestar serviços advocatícios como freelancer para outros advogados, escritórios ou departamentos jurídicos.

Ao conhecer essa forma de trabalho e ao realizar os meus primeiros jobs, identifiquei aí uma excelente oportunidade para criar o meu próprio negócio digital na área jurídica!

Em 2013 formei uma equipe com 2 desenvolvedores e um designer e lancei o Juris.

2. Em síntese, quais são os serviços oferecidos pela startup?

O Juris é uma plataforma SaaS [ou seja, Software as a Service ou, em português, software como um serviço] para contratação e oferta de serviços de advogados freelancers.

3. Só para ilustrar: qual é o diferencial do Juris Correspondente em relação às demais startups que oferecem soluções similares?

O Juris possui a maior e mais qualificada base de advogados freelancers do Brasil. Além disso, oferecemos para os nossos assinantes conteúdos exclusivos para que se tornem profissionais melhores e mais atualizados e modelos de documentos para facilitar o trabalho.

4. Aliás, a startup tem um Propósito Transformador Massivo (MTP)? Se sim, qual?

O nosso Propósito Transformador Massivo é melhorar o mundo através do Direito.

É provável que você goste:

2 plataformas brasileiras de resolução de conflitos online que você precisa conhecer

5. Em resumo, quem são as pessoas por trás da startup?

Empreendedor por vocação e advogado formado pela UFMG, Tomaz Chaves é CEO do Juris, do Dubbio e cofundador da AB2L, associação que reúne empreendedores de legaltechs (empresas inovadoras que desenvolvem soluções tecnológicas para a área jurídica).

Estudante e profissional inquieto, sempre se incomodou com as desigualdades sociais e com os problemas gigantescos que assolam o judiciário e dificultam o acesso à justiça. 

Apaixonado por tecnologia e conexões, ele também é mentor, palestrante, professor de Direito e Tecnologia em pós-graduação e membro da Comissão de Direito para Startups da OAB/MG.

Profundo conhecedor do mercado jurídico e de lawtechs, Tomaz Chaves (LinkedIn) é reconhecido no mercado como um dos grandes especialistas brasileiros na área.

6. Em suma, quais são os planos do Juris Correspondente para os próximos anos?

Consolidar o nosso modelo de recorrência captando e fidelizando mais clientes assinantes. Internacionalizar. Trabalhar para que as plataformas Juris e Dubbio juntas promovam mais acesso à justiça para o cidadão, que ainda não é parte tão relevante no modelo de negócios do Juris, mas em breve será.

O Dubbio é uma plataforma spin-off do Juris que conecta cidadãos ao Direito, por meio de uma rede de advogados e centenas de artigos jurídicos esclarecedores e elaborados em linguagem descomplicada. É uma startup, na essência do termo, que ainda está validando o seu modelo de negócios.


Enfim, quer estar por dentro de tudo que envolve Direito, inovação e novas tecnologias?

Então, siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.

Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

Anterior

Lawtechs e legaltechs: o que você precisa saber sobre elas

Próximo

3 episódios de podcasts para saber mais sobre resolução de conflitos online (ODR)