Com processamento de linguagem jurídica, JurisIntel ajuda advogados na tomada de decisões

Continuo a série de entrevistas com (co)fundadores de lawtechs e legaltechs do Brasil. Em mais uma entrevista da série, recebi a JurisIntel, uma plataforma que ajuda advogados na tomada de decisões por meio de tecnologia de processamento de linguagem jurídica. Conversei com o Victor Scarpa A. Maranhão, confundador da startup, sobre o funcionamento e os planos para o futuro.

Conheça, então, mais detalhes da JurisIntel:

1. Em primeiro lugar, como surgiu a JurisIntel?

A JurisIntel surgiu do nosso desconforto com a forma que trabalhávamos com a informação jurídica diariamente. Nos conhecemos na UFRN, em Natal. Eu estava finalizando o curso de Direito, descontente com o que via pela frente; Igor voltando da New York University (NYU), com muitas experiências e ideias; e acabávamos de conhecer Carlos, que ainda era aluno de Direito, depois de ter passado por Ciência da Computação.

Das dúvidas que tínhamos sobre o futuro da prática jurídica, e conversas sobre o que os avanços tecnológicos permitiam para resolver problemas da nossa área e criar novas realidades, resolvemos embarcar nessa jornada. Em suma, de lá pra cá já somamos quase 2 anos e algumas pivotagens do que havíamos começado ainda em Natal, na incubadora do Instituto Metrópole Digital.

Vivemos os últimos meses em uma intensa imersão no desenvolvimento e entendimento de negócios ao longo do processo de Aceleração da ACE Startups, e agora no Startup Zone do Google, onde estamos desenvolvendo o que acreditamos ser uma nova forma de consumir dados jurídicos.

2. Em síntese, quais são os serviços oferecidos pela startup?

Nós desenvolvemos uma tecnologia proprietária de Processamento de Linguagem Jurídica (NLP – IA) que, ao processar texto de documentos jurídicos como peças, sentenças, diários oficiais e diferentes bases de dados, é capaz de gerar conhecimento para auxiliar a tomada de decisões e reduzir insegurança.

Esse conhecimento é servido através de análises estatísticas, comparativas e apontamento de divergências relacionada à temas e julgados, possibilitando a interação do usuário com os dados que lhe sejam relevantes. Em suma, hoje esse serviço é entregue em uma Newsletter gratuita contendo relatórios e outros tipos de materiais de análise. Em breve, farão parte de uma plataforma interativa de dados.

3. Em resumo, qual o diferencial da JurisIntel em relação às demais iniciativas/startups que oferecem produtos/serviços similares?

Acreditamos que um dos nossos diferenciais é pensar tecnologia e Direito, sem descuidar de um ou de outro. Pensamos que muitas iniciativas se concentram em apenas um lado dessa equação, fazendo avançar uma tecnologia que esquece da perspectiva jurídica e por isso não produz alta performance. Desse modo, entendemos que a tecnologia de Processamento de Linguagem Jurídica (PLJ) é o ponto de convergência das duas áreas e a chave para produzir os melhores resultados. É o PLJ que pode liberar todo o potencial de sinergia entre Direito e tecnologia.

4. Aliás, a JurisIntel tem um Propósito Transformador Massivo (MTP)? Se sim, qual?

Organizar as informações relevantes à prática e ao estudo do Direito e fornecer conhecimento através do Processamento da Linguagem Jurídica, para mitigar a insegurança e facilitar a tomada de decisão baseada em dados.

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5. Só para ilustrar, quem são as pessoas por trás da JurisIntel?

Estamos no início dessa jornada e o nosso time é composto dos três fundadores: Eu, Igor e Carlos. Somos 3 advogados apaixonados por resolver problemas com inovação, tecnologia e criatividade. Cada um de nós viveu a prática do Direito de um ponto de vista diferente. Além do jurídico, temos um background técnico em nossas experiências, tanto como formação, como de forma autodidata. Um pouco de cada um:

Conforme Victor:

Logo que me formei em Direito pela UFRN advoguei na área empresarial por 2 anos. Ao longo desse período estudei Direito Internacional Privado na Hague Academy of International Law, na Holanda, e me tornei Especialista em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Refletindo sobre estas experiências entendi que deveria deixar a advocacia e me dedicar inteiramente a algo que acreditava ser de maior impacto: a JurisIntel. Tenho me dedicado ainda ao “Legal Hackers”, movimento do qual sou um dos fundadores no Brasil. Participo ainda como coordenador da linha de Inteligência Artificial do Grupo de Extensão “Quinta Jurídica i9”, da Justiça Federal do RN.

Conforme Igor:

Também fiz bacharelado em Direito na UFRN e depois trabalhei vários anos na assessoria do Poder Judiciário estadual. Em seguida, seguindo meu desejo de me aprofundar em Direito Tributário Internacional, resolvi fazer um mestrado (LLM) na New York University e fui agraciado com bolsas das Fundações Hauser e Starr. Ao fim do programa, recebi o convite do diretor, professor H. David Rosenbloom para trabalhar como seu assistente, função que exerci por alguns anos e que, de certa forma, me “liberou” para pensar o Direito de maneira diferente, talvez explorando como a tecnologia poderia nos ajudar.

Conforme Carlos:

Antes de ir para o curso de Direito cursei 2 anos de Ciência da Computação pela UFRN, aprimorando o que antes para mim era um hobby de criança quando construía jogos e programas simples para as pessoas utilizarem. Como aluno de Direito estagiei no TJRN e no MPRN. Por sentir que meu propósito não era seguir na academia, advocacia ou carreira pública, resolvi me dedicar a algo que unia a minha paixão pela tecnologia, o desejo de construir algo e o meu conhecimento do Direito: a JurisIntel.

6. Enfim, quais são os planos da startup para os próximos anos?

Iniciamos recentemente uma nova abordagem no desenvolvimento da JurisIntel. E, nesse caminho, estamos testando algumas hipóteses de forma conectada ao serviço que hoje vem sendo entregue via Newsletter.

Enfim, os próximos passos em curto e médio prazo passarão pelo lançamento da plataforma de dados (ambiente para acesso e interação com o conteúdo) e um modelo de disponibilização de informações específicas ao nicho dos usuários; e pela consolidação da JurisIntel como uma nova forma de consumo de dados jurídicos, permitida pela tecnologia desenvolvida pelo nosso time.


Aliás, você já conhecia a JurisIntel?

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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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