Magistrados chineses estão usando inteligência artificial em audiências criminais

Os tribunais de Xangai, na República Popular da China, estão testando uma nova tecnologia para ajudar magistrados chineses durante as audiências criminais. Desenvolvido pela empresa iFlyTek, o sistema combina reconhecimento de fala e processamento de linguagem natural para amparar os juízes no curso das solenidades, permitindo que consultem documentos e depoimentos por meio de comandos verbais.

Inteligência artificial em audiências criminais

O sistema – denominado “206” – exibe todas as informações solicitadas pelos julgadores em telas ou monitores. Além disso, é capaz de transcrever a fala das partes durante as audiências, identificando todos os oradores. Ou seja, o software não apenas distingue quem pergunta e quem responde, como converte tudo o que foi dito em caracteres. A precisão não é absoluta, mas atinge o patamar de 97% (noventa e sete por cento).

Embora em fase de teses, a tecnologia está oferecendo novas perspectivas aos magistrados. Com simples comandos verbais, o software pode exibir imediatamente vídeos e documentos solicitados. Em janeiro de 2019, aliás, durante uma audiência que apurava um crime de roubo e homicídio, um juiz pediu ao sistema 206 que reproduzisse o vídeo gravado por uma câmara de vigilância, além do relatório de doença mental do réu.

É provável que você goste:

Sistema de inteligência artificial nos EUA prevê o “índice de reincidência” dos acusados

Respondendo aos comandos dos magistrados chineses

O programa respondeu aos comandos verbais do magistrado (“por favor, reproduza o vídeo de vigilância”; “apresente o relatório de doença mental do acusado”) e exibiu em poucos instantes os arquivos requisitados. Conforme Guo Weiqing, presidente do Tribunal Popular Intermediário 2 de Xangai que esteve presente na audiência, o sistema 206 tem potencial de aprimorar a própria qualidade da atividade jurisdicional:

O sistema 206 é um sistema auxiliar de inteligência artificial integrado para casos criminais. Ele pode ajudar o juiz a encontrar fatos, autenticar evidências, proteger o direito de apelar e julgar imparcialmente, a fim de evitar condenações injustas.

O software é também capaz de analisar provas de casos anteriores que envolvem circunstâncias fáticas similares; apontar se documentos são coerentes ou contraditórios; sugerir aos magistrados a “melhor decisão” a ser tomada; além de indicar quais leis e regulamentos são aplicáveis ao caso concreto. Desde a experiência piloto, em maio de 2018, o software vem sendo implantado em várias províncias e cidades chinesas.


Continue explorando o assunto

LEE, Kai-Fu. Inteligência artificial: como os robôs estão mudando o mundo, a forma como amamos, nos comunicamos e vivemos. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2019.


Quer estar por dentro de tudo que envolve Direito, inovação e novas tecnologias?

Então, siga-me no FacebookInstagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.

Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

Anterior

3 soluções com Visual Law que podem transformar o mercado jurídico

Próximo

Invenis ajuda escritórios e departamentos jurídicos na captura de novos processos nos tribunais