Nova tecnologia chinesa pode identificar pessoas, mesmo se estiverem usando máscaras

Uma empresa chinesa desenvolveu uma tecnologia de reconhecimento facial capaz de identificar pessoas, mesmo se estiverem usando máscaras cirúrgicas. O sistema foi fabricado pela Hanwang (Hanvon) com dupla finalidade: de um lado, ajudar a enfrentar a pandemia; de outro, solucionar o problema da vigilância gerado pelo uso de máscaras.

Desde que o coronavírus surgiu, na província de Hubei, no final do ano passado, a população chinesa passou a usar máscaras cirúrgicas para evitar a propagação da doença. As autoridades policiais viram o uso excessivo das máscaras com preocupação, pois pessoas que praticassem crimes poderiam não ser identificadas e, consequentemente, responsabilizadas.

Nova tecnologia chinesa pode identificar pessoas mascaradas

Para desenvolver o sistema, a empresa chinesa utilizou um banco de dados com cerca de 6 milhões de rostos não mascarados, além de um banco de dados menor de rostos mascarados. Uma equipe de 20 pessoas começou a trabalhar no algoritmo em janeiro deste ano, quando o surto de coronavírus acelerou na China, e apresentou os resultados em fevereiro.

Duas foram as soluções tecnológicas criadas. A primeira, em síntese, realiza o reconhecimento facial em canal único e pode ser integrada a câmeras de vigilância em entradas de prédios e edifícios. Já a segunda, bem mais avançada, é capaz de realizar reconhecimento facial multicanal, identificando até 30 pessoas numa multidão em apenas um segundo.

Se conectado a um sensor de temperatura, ele pode medir a temperatura do corpo enquanto identifica o nome da pessoa e, em seguida, o sistema processará o resultado. – Huang Lei (Vice-presidente da Hanwang)

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Uma equipe de 20 pessoas está trabalhando no sistema desde janeiro de 2020

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Identificação e monitoramento de pessoas

A acurácia da identificação é impressionante. Se uma pessoa estiver usando máscara, a precisão pode chegar a 95%; enquanto que, sem máscara, o índice de acerto é ainda maior, chegando a 99,5%. Dado seu potencial, a tecnologia já está sendo oferecida ao Ministério da Segurança Púbica, que administra a polícia chinesa, para identificar criminosos.

Embora seja eficaz para detectar suspeitos de crimes e terroristas, o sistema desenvolvido pela Hanwang não é capaz de identificar pessoas que estejam usando, concomitantemente, máscaras e óculos escuros. Em tais situações, reconhece o VP Huang Lei, as principais informações faciais são perdidas, o que impossibilita o reconhecimento facial.

Conforme Martin Pollard, colunista da Thomson Reuters, não está bem claro como os cidadãos estão reagindo à tecnologia. Apesar de algumas reclamações pontuais de internautas nas redes sociais, a população chinesa parece estar aceitando a vigilância extra como forma de mitigar a propagação do coronavírus. O tempo dirá como será a reação social.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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