O advogado 4.0 deve confiar nos dados ou na sua própria experiência?

Muitos especialistas acreditam que a competência em dados (data competency) é uma das habilidades mais importantes para o futuro. Isso se deve porque a mentalidade orientada a dados está enraizada em praticamente todos os domínios. Centenas de empresas analisam diariamente imensas quantidades de dados gerados por seus clientes, de modo a entender suas dores e desenvolver soluções sob medida.

A cultura data-driven, consolidada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, está adquirindo força no Brasil e revelando sua face no universo jurídico. Em síntese, o Direito está cada vez mais sendo orientado por dados. Alguns escritórios não só compreenderam a “nova” realidade, aliás, como estão separando parte do orçamento para imergir nesse ambiente e se diferenciar no mercado jurídico brasileiro.

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Por que a competência em dados é um requisito para os advogados do futuro

Cultura data-driven

Os sinais são claros: profissionais capazes de compreender e interpretar dados tomam decisões mais acertadas e potencializam os resultados das demandas por eles patrocinadas – sejam ou não judicializadas. Além disso, enxergam oportunidades em momentos e locais não percebidos pelos seus concorrentes. No futuro, as maiores oportunidades de negócios estarão reservadas aos profissionais capazes de interpretar os dados.

Por muitas décadas, os advogados se valerem de suas próprias experiências para responder os questionamentos formulados pelos clientes. Perguntas como “é possível ganhar o caso, doutor?”, “corro o risco de perder o processo?”, “o que acontecerá se eu não ajuizar a ação logo, doutor?” e “quanto tempo o processo vai durar?” eram respondidas com base nas experiências do profissional em casos anteriores.

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A tomada de decisões baseada em dados deve integrar o repertório do advogado 4.0

Mas o mundo de hoje é mais complexo. As novas tecnologias estão mudando a maneira como nos relacionamos, comunicamos e trabalhamos. Só para ilustrar: os clientes estão muito bem informados e têm em seus mãos pequenos aparelhos (smartphones) com mais poder de processamento que o computador de bordo da missão Apollo 11, que colocou os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin na superfície lunar em 1969.

Decisões baseada em dados

Seria ingênuo afirmar que as experiências não têm serventia nos dias atuais. Elas continuam e continuarão sendo importantes. As nossas experiências nos moldam e nos tornam profissionais melhores e mais capacitados. Contudo, os advogados que desejam prosperar no mercado jurídico não podem subestimar a cultura data-driven. A tomada de decisões baseada em dados deve, portanto, integrar o repertório do advogado 4.0.

Nada, é claro, acontece da noite para o dia. Implementar uma gestão orientada a dados envolve mudança de mentalidade, investimento de tempo e recursos, além do comprometimento dos envolvidos. Enfim, é preciso definir bem o que se busca e o que se pretende alcançar. Do contrário, o escritório estará implantando um jurídico data-driven “de papel”, sem nenhuma efetividade e sem qualquer diferencial competitivo.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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