O advogado 4.0 deve enxergar a automação como aliada ou como inimiga?

Normalmente, quando falamos no futuro da advocacia, vem à mente dos advogados cenários distópicos nos quais as máquinas os substituem. Essa visão negativa da automação tem um porquê: diariamente recebemos notícias que fazem previsões quase apocalípticas sobre o futuro do trabalho. E, para agravar o quadro, a arquitetura de filtragem dos nossos cérebros é estruturalmente pessimista.

Todas as informações negativas que captamos com nossos sentidos são conduzidas para uma antiga parte do lobo temporal: a amígdala. Essa pequena estrutura, em forma de amêndoa, é responsável por examinar todo tipo de informação à procura de algo que possa nos machucar. É ela que nos leva a prestar mais atenção em notícias negativas do que positivas. A amígdala é o nosso sensor de perigo.

A automação na prática jurídica

Embora muitos jornais e telejornais veiculem notícias afirmando que os advogados não serão mais necessários no futuro, profissionais como Adam Nguyen estão convencidos de que não há o que temer. Para o cofundador da empresa de software eBrevia, que automatiza o processo de revisão de contratos usando machine learning, as máquinas jamais substituirão os profissionais da advocacia.

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Reduzindo tarefas jurídicas tediosas

De acordo com Nguyen, a automação não deve ser vista como ameaça, mas como uma oportunidade de aprimorar os serviços jurídicos. Conforme ele, as ferramentas automatizadas estão permitindo aos advogados reduzir ou eliminar tarefas jurídicas tediosas. Com a automação, portanto, os profissionais deixam de despender tempo precioso em atividades repetitivas, para focar no trabalho intelectual.

Eliminando as atividades rotineiras e repetitivas

Nguye não nega que as tecnologias estão assumindo muitos aspectos dos trabalhos dos advogados. Mas, em sua ótica, as ferramentas automatizadas são essenciais para desempenhar tarefas rotineiras e repetitivas (geralmente desconectadas da prática jurídica) que consomem grande parte do tempo dos profissionais da advocacia, como gerenciamento de documentos, revisão de contratos e contabilidade.

A automação não é inimiga

Sendo assim, a automação não está eliminando os advogados, mas realocando tempo para permitir que os profissionais se envolvam nos aspectos analíticos, criativos e estratégicos da prática jurídica. Para ele, tecnologias como inteligência artificial e machine learning não são inimigas, mas aliadas dos profissionais. Com elas, os profissionais da advocacia podem focar que realmente importa.

Como conclui Adam Nguyen,

A ascensão do machine learning e outras tecnologias de inteligência artificial significa que os advogados podem mudar seu foco do trabalho pesado para a prática significativa da lei. Os advogados agora podem realizar um trabalho que os clientes realmente valorizam, ou seja, o trabalho do intelecto. – Adam Nguyen


Continue explorando o assunto

NGUYEN, Adam. What is the future of law as it converges with technology? Law Technology Today, San Luis, 10 abr 2015.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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