Reinventar o escritório de advocacia: se não agora, quando?

É momento de reinventar o escritório de advocacia? Eis o tema de hoje.

Os impactos da COVID-19 nos escritórios de advocacia

O Centro de Estudos de Sociedades de Advogados (CESA) e Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) apresentaram, nesta semana, uma pesquisa sobre os impactos da COVID-19 nos escritórios de advocacia. Entre outras informações relevantes, o levantamento revelou que a pandemia vem impactando significativamente as novas demandas de trabalho.

Nem mesmo os maiores especialistas seriam capazes de antecipar uma pandemia como a que estamos enfrentando (embora alertas de profissionais como Bill Gates não faltassem). Mas, agora, os escritórios de advocacia estão sendo forçados a se reinventar. Muitos deles, aliás, já mudaram mais nas últimas semanas do que nos dez anos anteriores – juntos!

Em artigo publicado no portal Law.com, o advogado e consultar estadunidense Jay Harrington destaca que a inovação sempre foi uma daquelas palavras soltas e difíceis de definir, mas agora estamos tendo uma amostra do que ela significa. A crise desperta a necessidade, e os profissionais da advocacia estão experimentando na pele todos os seus impactos.

Reinventar o escritório de advocacia

De acordo com o consultor Jay Harrington, os escritórios de advocacia têm duas escolhas neste momento de pandemia. Em síntese, a primeira delas é esperar até que as coisas voltem a ser como antes. Já a segunda escolha é aceitar a crise e encontrar uma ou mais novas maneiras de fazer negócios, que atendam às demandas atuais do mercado jurídico.

O problema da primeira escolha é que ela pressupõe que o mundo pós-pandemia será como antes. Ela acredita que, se a crise terminar amanhã, voltaremos a trabalhar da maneira que sempre fizemos. Mas esse pensamento é ilusório. O “velho normal” não mais existe. O que vivemos é um momento de transição, que muitos já chamam de “novo normal”.

Desde como e onde as pessoas trabalham, até mudanças nos comportamentos de compra dos clientes, não há como voltar ao status quo anterior ao COVID-19. – Jay Harrington

Espaço liminar

O escritor Richard Rohr descreve esse momento de transição como espaço liminar (liminal space, em inglês). Etimologicamente, “liminal” vem de “limen”, que significa “limiar”, “fim”, “fronteira”. Para Roth, estamos entre o familiar e o completamente desconhecido. O velho mundo foi deixado para trás, mas ainda não temos certeza da nova existência.

Conforme Jay Harrington, o momento exige mudanças nos escritórios de advocacia, tanto na forma de trabalhar (adoção de novas estratégicas de captação e retenção de clientes) quanto na própria mentalidade dos profissionais (ou seja, os advogados devem acompanhar a nova dinâmica do mercado e se readaptar às exigências atuais).

Telemedicina e teledireito

Comparecer a hospitais lotados para consultas e correr riscos de infecções hospitalares não parece uma boa ideia durante a pandemia. Não à toa, aliás, parte da assistência médica está sendo administrada virtualmente em meio à crise. A telemedicina descentraliza os atendimentos, reduzindo tempo, custos e alcançando um número maior de pessoas.

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Os serviços jurídicos serão cada vez mais realizados de forma virtual?

Assim como as novas tecnologias permitem a realização de ações médicas à distância, elas também podem facilitar o trabalho dos profissionais da advocacia. Adotando um paralelo com a telemedicina, Harrington destaca que os serviços jurídicos serão cada vez mais realizados de forma virtual, o que ele denomina telelaw (teledireito, em tradução livre).

É momento de reinventar o escritório de advocacia?

Isso não significa dizer que haverá uma conversão universal do presencial para o virtual no mundo jurídico. Nada disso. Mas significa reconhecer que muitos escritórios de advocacia adotarão o novo modelo para reduzir custos, aumentar a produtividade de seus funcionários e aprimorar seus serviços jurídicos oferecidos. Como conclui Harrington,

[O virtual] se tornará um modelo de trabalho mais proeminente para muitos escritórios de advocacia devido a considerações financeiras, preferências da força de trabalho e indiferença do cliente quanto ao fato de um advogado estar trabalhando em seu escritório ou na mesa da cozinha. – Jay Harrington


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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