Software que lê emoções promete identificar “criminosos” antes de agirem

A empresa russa NTechLab desenvolveu um software de reconhecimento facial que promete prevenir crimes em tempo real. Quando adotada em conjunto com câmeras de segurança, a tecnologia é capaz de identificar pessoas nervosas ou irritadas em um multidão, reconhecendo as microexpressões faciais e, consequentemente, seu estado emocional.

Software promete identificar “criminosos” antes de agir

O NTechLab ganhou notoriedade em 2016, após integrar seu software de reconhecimento facial ao aplicativo Findface, para encontrar pessoas desaparecidas na Rússia. Hoje, com sede em Moscou, a empresa reúne mais de 2 mil clientes na carteira, tanto pessoas físicas quanto jurídicas oriundas de países como Estados Unidos, China, Índia e Austrália.

O perfil dos interessados na ferramenta é variado. Há tanto empresas varejistas, que buscam identificar possíveis ladrões em seus estabelecimentos comerciais, quando grandes corporações, que veem potencial no sistema para antecipar o comportamento de futuros funcionários às vésperas da contratação (ou seja, durante a entrevista de emprego).

Antes da pandemia, a empresa russa estava oferecendo suas soluções tecnológicas para incrementar a segurança em shows, eventos e espetáculos. Ao integrar seu software com as câmeras de segurança, o NTechLab alega ser capaz de captar as emoções de uma multidão e verificar a “temperatura emocional” dos espectadores, antecipando práticas criminosas.

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O software poderia, em síntese, identificar “criminosos” em uma multidão

A era do reconhecimento facial

O sistema desenvolvido pelo NTechLab não pode apontar onde o delito será cometido. Mas as autoridades russas estão confiantes de que a tecnologia auxiliará no combate ao crime. As apostas são de que, a partir de expressões e microexpressões faciais “suspeitas”, policiais, guardas ou seguranças neutralizem o infrator antes que o crime seja “cometido”.

Só para ilustrar: o software de reconhecimento facial tem precisão de 94%. O percentual é visto como suficiente para reduzir o índice de crimes, embora melhorias estejam sendo conduzidas para aumentar a acurácia. O NTechLab já firmou, aliás, contrato com o governo de Moscou, com objetivo de incluir o sistema em 175 mil câmeras de segurança da cidade.

Qualquer semelhança com Minority Report, no qual três paranormais imersos num tanque líquido transmitiam cenas de crimes futuros, não é mera coincidência. Não só a Rússia, como o mundo todo, vive a era do reconhecimento facial. E a tecnologia, ao que tudo indica, será cada vez mais utilizada para antecipar crimes que jamais viriam a ser praticados.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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