Softwares de rastreamento ocular identificam alunos que colam em provas

À medida que a pandemia prossegue, com aulas sendo realizadas de forma online, um número crescente de empresas vem desenvolvendo softwares para ajudar escolas e universidades a evitar as colas nos exames. As soluções envolvem desde bloquear o navegador dos alunos até rastrear os movimentos oculares em busca de comportamentos “suspeitos”.

Softwares de rastreamento ocular

Um exemplo é a Proctorio, que se apresenta como uma “plataforma de integridade de aprendizagem”. A empresa criou um software que combina inteligência artificial e tecnologia de detecção facial para fiscalizar alunos. De acordo com a Proctorio, o objetivo é oferecer integridade ao processo de aprendizagem e manter a qualidade do ensino online.

Em resumo, o sistema da Proctorio rastreia os deslocamentos dos olhos e aciona um alerta sempre que identificar qualquer movimento “anormal” da cabeça. Mas não é só. Só para ilustrar: o software também monitora os movimentos, cliques e rolagens do mouse; a abertura de guias; o redimensionamento de janelas e até mesmo os termos digitados.

Se o sistema reconhecer outra pessoa ao fundo, o aluno poderá ser marcado como “vários rostos detectados”. Já se outra pessoa fizer o teste no mesmo prédio ou usando a mesma rede, o estudante será, em suma, apontado como participante de um potencial “conluio”. Se o quarto estiver barulhento ou se a conexão estiver irregular, novas alertas se acionam.

A Proctorio, aliás, não é a única empresa a oferecer sistemas para monitorar os alunos. A ProctorU conta, em suma, com um sistema para “detectar e prevenir comportamento desonestos”. Já a Respondus possui um software para manter a “integridade do processo de avaliação”. E a Honorlock afirma estar “continuamente inovando para impedir a trapaça”.

Juntos, tais sistemas são capazes de: rastrear os movimentos oculares dos alunos; bloquear seus navegadores (browsers); monitorar suas atividades no computador durante a realização dos exames; conectar seus microfones e webcams a centrais de supervisão; detectar comportamentos potencialmente suspeitos; e escanear rostos para verificar as identidades.

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Os estudantes não estão nada contentes

A adoção de softwares como esses vem originando ondas de protestos e ações judiciais nos Estados Unidos. Os estudantes argumentam, em síntese, que tais sistemas os deixam com medo de clicar demais ou descansar os olhos. Para evitar o rótulo de trapaceiros, alguns alunos chegaram a chorar de estresse durante os exames e até a urinar em suas cadeiras.

Os alunos estão usando as redes sociais para divulgar seus desgostos em relação aos exames supervisionados. Para muitos, o novo formato de controle está causando problemas emocionais. Em setembro de 2020, a estudante Devon Cantwell publicou, no Twitter, um vídeo relatando sua experiência angustiante com o software da empresa ProctorU:

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Também em setembro, Erick Johnson, estudante de engenharia na Miami University, em Oxford, Ohio (EUA), publicou uma série de tweets questionando o nível de profundidade do sistema de monitoramento da Proctorio. A empresa reagiu rapidamente aos tweets, tachando o teor de “absurdo”. Além disso, pediu ao Twitter que removesse as postagens.

À medida que a pandemia prossegue, escolas e universidades continuam adotando sistemas como os da Proctorio, ProctorU, Respondus e Honorlock, para rastrear os movimentos oculares dos alunos durantes provas e exames. Mas a utilização crescente de tais tecnologias vem gerando debates mais profundos em relação ao presente e ao futuro do ensino online.

Como conclui Drew Harwell, em artigo publicado no Washington Post,

Parar alguns trapaceiros vale o preço de tratar cada aluno como uma fraude? E qual é a importância de qualquer um desses testes, realmente, considerando o estresse extra sobre os alunos cujas vidas já foram viradas do avesso?

E você? Em suma, qual é a sua opinião sobre a utilização de softwares de rastreamento ocular durante provas e exames?


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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