Susskind: a inteligência artificial será essencial ​​na transformação dos tribunais

Compartilhe este conteúdo

Em recente palestra online, Richard Susskind afirmou que a inteligência artificial (IA) será essencial ​​na transformação dos tribunais. De acordo com o professor, os esforços dos tribunais no momento são meros paliativos. A verdadeira reestruturação começará a ser implantada em breve, quando as cortes começaram a adotar IA em suas atividades.

A visão de Richard Susskind

Susskind referiu que as audiências virtuais estão funcionando muito bem durante a pandemia. Conforme o professor britânico, pesquisas divulgadas até o momento sugerem que o nível de satisfação dos serviços judiciais, em dezenas de países ao redor do mundo, vem sendo considerado satisfatório por advogados, magistrados, servidores e jurisdicionados.

Susskind destaca que os atores judiciários – sobretudo advogado e magistrados – se adaptaram rapidamente ao novo contexto. Enquanto alguns advogados ainda estão aguardando a cura do coronavírus para “reiniciar” suas atividades, outros já mudaram sua visão em relação à tecnologia, para estabelecer diferenciais competitivos em seus escritórios.

Um dos aspectos assinalados por Susskind é que transferir as audiências para o Zoom não é mudança de paradigma. Como programa de curto prazo, até serve para manter os serviços judiciais ativos. Mas, como programa de longo prazo, o ideal será redesenhar os sistemas judiciais, para criar uma nova configuração de processos, tecnologias e espaços.

a inteligência artificial 01
Segundo Susskind, os esforços das cortes no momento são meros paliativos

É provável que você goste:

Susskind: colocar nossos tribunais no Zoom não é mudança de paradigma

A inteligência artificial será essencial ​​na transformação dos tribunais

Sem dúvida há muitos aspectos a mudar, mas Richard Susskind sustenta que a inteligência artificial (IA) será essencial no processo de transformação. Em primeiro lugar, a AI ajudaria a fornecer orientações precisas aos jurisdicionados. Em segundo lugar, seria capaz de ajudar a prever o desfecho dos casos judiciais, quando ainda estão em estágio inicial.

Além disso, Susskind acredita que a IA será capaz de oferecer previsões que se tornarão as próprias decisões. O professor cita como exemplo o binding expert determination, processo alternativo de resolução de disputas no qual um terceiro neutro, escolhido com base em sua especialidade, avalia a disputa e toma decisões que vinculam as partes.

Na visão de Susskind, a mesma atividade poderá ser desempenhada por sistemas de IA. O modelo, é claro, está distante de ser implantado e exigirá uma mudança cultural. Conforme ele, aceitar que sistemas de IA decidam casos judiciais pressupõe aceitar que o sistemas de justiça são imperfeitos e que os algoritmos poderão performar melhor que juízes.


Quer estar por dentro de tudo que envolve Direito, inovação e novas tecnologias?

Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.

Bernardo de Azevedo

Bernardo de Azevedo

Advogado especialista em Direito Digital, perito digital e professor, com mais de 15 anos de experiência. Doutor em Direito (UNISINOS) e Mestre em Ciências Criminais (PUCRS). Especialista em Computação Forense e Segurança da Informação e em Perícia de Imagens e Documentos Digitais (IPOG). Professor dos cursos de pós-graduação em Direito da FEEVALE e da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Autor de cinco livros publicados pela Thomson Reuters | Revista dos Tribunais, sobre Visual Law, provas digitais, metaverso e golpes digitais. Vencedor do prêmio Top 100 Advogados Digitais 2022.
Rolar para cima