Tecnologias de reconhecimento facial ganham espaço ao redor do mundo

Recente estudo da Surfshark revelou que as tecnologias de reconhecimento facial para fins de vigilância vêm se tornando cada vez mais comuns ao redor do mundo. De acordo com o mapeamento, 109 países já utilizam programas de computador que analisam imagens de rostos humanos, seja para identificar criminosos, seja para encontrar crianças perdidas.

O infográfico a seguir demonstra, aliás, como o uso da tecnologia já está disseminado:

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Tecnologias de reconhecimento facial

A América do Norte vem utilizando amplamente as tecnologias de reconhecimento facial. Os Estados Unidos (EUA) concentram grande parte dos investimentos, em especial desde os ataques terroristas do 11 de Setembro. Só para ilustrar: estima-se que 117 milhões de rostos estão cadastrados no banco de dados das polícias e agências governamentais do país.

As tecnologias de reconhecimento facial estão modificando a maneira como as autoridades enfrentam a criminalidade. Tais dispositivos estão presentes em pelo menos 12 aeroportos estadunienses. O Departamento de Segurança Interna dos EUA pretende incrementar ainda mais a vigilância nos próximos anos, além de aprimorar o nível de acurácia da tecnologia.

Mas nem tudo são flores. Se, de um lado, essas ferramentas auxiliam na vigilância e no enfrentamento da criminalidade; de outro, violam direitos e garantias fundamentais, como a privacidade e a intimidade. Movimentos ativistas têm surtido efeito nos EUA, levando um número crescente de cidades a proibir a utilização da tecnologia em larga escala.

Em maio de 2019, São Francisco se tornou a primeira cidade do país a proibir o uso de software de reconhecimento facial pela polícia e outras agências. Episódios anteriores, como as revelações de Edward Snowden, a rotulação racista do Google Photos (que associou negros a gorilas) e a viralização do app FaceApp incendiaram os ânimos de muitas pessoas.

A experiência brasileira

No Brasil, a tecnologia vem sendo implementada no âmbito do controle de fronteiras e da segurança pública. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) foi uma das primeiras a adotar sistemas de reconhecimento facial. Em 2019, durante o Carnaval de Salvador, homem travestido de mulher foi identificado por uma das câmeras de segurança da SSP-BA.

O indivíduo estava sendo procurado pela polícia e, mesmo maquiado e fantasiado, foi identificado pelo dispositivo de reconhecimento facial. No mesmo ano, aliás, sistemas similares foram instalados em 16 câmeras no Brasil e adotados ​​para prender 134 pessoas. No Carnaval de 2020, a SSP-BA prendeu mais pessoas, mas, desta vez, com aplicativo Face Check.

Segurança versus privacidade

Hoje em dia, ninguém mais é somente um rosto na multidão. Nosso semblante é um livro aberto que pode ser lido por qualquer um. De acordo com a Surfshark, as tecnologias de reconhecimento facial não apenas continuarão se espalhando pelo mundo, como se tornarão cada vez mais precisas, trazendo à tona o eterno debate: segurança versus privacidade.


Enfim, clique AQUI para conferir o levantamento completo da Surfshark.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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