Tribunal chinês usa realidade virtual para reconstruir cena do crime

O Tribunal Popular Intermediário nº 1 de Pequim recentemente se tornou o primeiro na China a introduzir realidade virtual em sessão de julgamento. Na ocasião, durante o julgamento de um processo criminal, o promotor de justiça entregou um headset HTC Vive à única testemunha do crime, com objetivo de “transportá-la” ao exato momento em que o fato aconteceu. O processo envolveu um homicídio praticado no distrito de Haidian, em Pequim.

Realidade virtual em reprodução simulada dos fatos

Conforme a denúncia, em 13 de setembro de 2017 o acusado Zhang, com 30 anos de idade, esfaqueou sua namorada Liu, de 19 anos, até a morte. O fato ocorreu num escritório no distrito de Haidian, tendo sido presenciado por uma única testemunha, de sobrenome Geng. Ao perceber que o caso criminal se fundava apenas no depoimento de Geng, o promotor de justiça decidiu adotar a realidade virtual para levar a testemunha “de volta” à cena do crime.

Durante o julgamento, a testemunha colocou um headset HTC Vive para “reviver” os eventos que levaram ao delito. A simulação começou no interior do escritório no qual o crime teria sido praticado. A animação apresenta, então, a testemunha exatamente no local onde disse estar, para tornar a experiência o mais realista possível. De repente, um homem entra na sala com uma faca e começa a gritar com a jovem de 19 anos, esfaqueando-a em seguida.

realidade virtual 01
Os demais presentes acompanham toda a simulação em um telão

A introdução de realidade virtual no tribunal, por iniciativa da Procuradoria Popular de Pequim (órgão similar ao nosso Ministério Público), inaugura uma nova fase no sistema de justiça chinês. Com a tecnologia, busca-se apresentar provas de maneira mais clara e visual. Além disso, o novo sistema permite aos profissionais da advocacia apresentarem seus argumentos com maior qualidade e eficiência durante os julgamentos.

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Mas a tecnologia não é ideal para todos os casos

Segundo o advogado que atuou no caso, Ma Ruofei, as partes normalmente apresentam seus argumentos com apoio de slides no PowerPoint, mapas mentais, fluxogramas e vídeos. A nova dinâmica muda tudo, pois, com a realidade virtual, é possível “enxergar” o crime e “reviver” os acontecimentos. A tecnologia tem potencial de auxiliar tanto advogados quanto promotores de justiça nos casos, mas deve haver cautela na aplicação:

Em muitos casos, a experiência em realidade virtual é muito real. Para crimes particularmente sangrentos ou que envolvem atos especialmente cruéis, as testemunhas ficam mentalmente vulneráveis, portanto, deve-se tomar cuidado extra nesses casos. Aqueles que ajudam no processo não devem ser compelidos a reviver experiências potencialmente traumáticas. – Ma Ruofei

Enfim, o novo sistema deverá ser implementado, em breve, em todos os tribunais de Pequim.


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Bernardo de Azevedo

Advogado, empreendedor, professor e pesquisador de novas tecnologias. Acredita no poder da informação como forma de incentivar as pessoas a promover mudanças.

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