# Bernardo de Azevedo — conteúdo completo (llms-full) > Versão concatenada dos conteúdos em destaque sobre IA aplicada à advocacia, direito digital e > GEO/SEO jurídico, por Bernardo de Azevedo, advogado. Índice curado em /llms.txt. --- # O que vem depois do escritório de advocacia AI First https://bernardodeazevedo.com/conteudos/escritorio-advocacia-ai-first/ Desde que a IA generativa passou a ocupar um espaço cada vez maior no mercado e no debate público, especialmente ao longo de 2023 e 2024, ganhou força também a ideia do chamado escritório de advocacia AI First. O conceito parte da premissa de que a IA não deve ser apenas adicionada às práticas existentes, mas considerada desde a concepção dos processos, serviços e da própria operação do escritório. Durante algum tempo, esse posicionamento funcionou como elemento de diferenciação. Em meados de 2026, porém, chamar um escritório de AI First já parece pouco aderente à realidade: a IA generativa está presente, em maior ou menor grau, na rotina de praticamente todos os grandes escritórios de advocacia, ainda que seu uso nem sempre esteja institucionalizado, estruturado ou integrado aos processos internos. Se utilizar IA, por si só, já não é suficiente para distinguir um modelo de advocacia de outro, o debate começa a migrar do AI First para aquilo que vem sendo chamado de NewMods. A diferença central deixa de estar na adoção da tecnologia e passa a residir na forma como o próprio negócio jurídico é estruturado para capturar os ganhos de eficiência proporcionados por ela. ### Quando ser AI First deixa de ser diferencial A questão central é imaginar como um escritório seria construído hoje partindo do pressuposto de que a IA já existe. Essa mudança de perspectiva é importante: em vez de simplesmente inserir IA em uma estrutura concebida para outra realidade tecnológica, os NewMods procuram repensar desde a origem aspectos como processos, precificação, distribuição do trabalho, estrutura organizacional e entrega de valor ao cliente. Segundo Jen Berrent, CEO da Covenant, escritório norte-americano que adota um modelo alternativo de prestação de serviços jurídicos, o que diferencia um escritório de advocacia NewMod não é simplesmente o uso de IA. Afinal, ferramentas de IA já estão disponíveis para praticamente todos os escritórios, e os próprios advogados desses novos modelos muitas vezes vieram de grandes bancas ou de departamentos jurídicos tradicionais. O verdadeiro diferencial está no modelo de negócios. É provável que você goste: A IA já pode reconstruir visualmente os fatos de um processo? ### Do AI First aos NewMods De acordo com Berrent, em vez de apenas inserir novas ferramentas em uma estrutura já existente, o NewMod reorganiza a forma de prestar o serviço jurídico para aproveitar melhor os ganhos de eficiência trazidos pela tecnologia. A novidade não está na IA em si, mas na forma como o escritório é estruturado para funcionar a partir dela, o que envolve rever aspectos como a distribuição do trabalho, a estrutura organizacional, a formação das equipes e, principalmente, a lógica de precificação. Isso pode significar, por exemplo, equipes menores e menos dependentes da tradicional estrutura piramidal formada por muitos advogados juniores executando tarefas repetitivas. Parte dessas atividades pode ser absorvida por tecnologia, enquanto profissionais mais experientes passam a concentrar esforços em estratégia, supervisão, relacionamento com clientes e decisões de maior complexidade. Em muitos desses modelos, a cobrança deixa de estar diretamente vinculada ao número de horas trabalhadas e passa a privilegiar preços fixos ou previamente definidos, o que elimina o conflito entre produtividade e faturamento típico do modelo tradicional e torna a redução do tempo necessário para executar um trabalho economicamente desejável. A mudança altera os próprios incentivos econômicos do escritório. Em um modelo baseado em horas faturáveis, executar em duas horas uma atividade que anteriormente exigia dez pode representar ganho de produtividade, mas também redução de receita. Quando o preço é previamente definido, a lógica se inverte: executar o mesmo trabalho com menos recursos pode ampliar a margem do escritório e, ao mesmo tempo, permitir que parte desse ganho de eficiência seja compartilhada com o cliente. Nesse contexto, a IA deixa de representar apenas uma ferramenta de produtividade interna e passa a influenciar diretamente a lógica econômica do escritório, permitindo reduzir custos, aumentar capacidade e compartilhar parte desses ganhos de eficiência com o cliente. ### O futuro da advocacia É justamente nesse ponto que os NewMods se tornam relevantes para a discussão sobre o futuro da advocacia. A vantagem competitiva deixa de depender apenas da capacidade de adquirir ou utilizar determinada tecnologia e passa a depender da capacidade de redesenhar o negócio para transformar produtividade em capacidade, margem, previsibilidade e melhor entrega ao cliente. O futuro da advocacia não será definido apenas por quais escritórios utilizam os modelos de IA mais avançados, mas por quais conseguem reorganizar seus processos, incentivos, estruturas e formas de cobrança para transformar eficiência tecnológica em vantagem competitiva. Se a IA tende a se tornar infraestrutura comum do mercado jurídico, a verdadeira diferenciação estará cada vez menos na ferramenta utilizada e cada vez mais no modelo de negócio construído ao redor dela. Talvez, por isso, a pergunta mais relevante para os escritórios nos próximos anos deixe de ser “qual ferramenta de IA estamos utilizando?” e passe a ser outra: se o nosso escritório fosse criado hoje, sabendo que a inteligência artificial já existe, ele seria estruturado da mesma maneira? Siga-me no Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Perito usa prompt oculto em laudo judicial https://bernardodeazevedo.com/conteudos/perito-prompt-oculto-laudo/ A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte identificou, dentro de um laudo pericial, um prompt oculto que orientava ferramentas de inteligência artificial a concordar com as conclusões apresentadas pelo próprio perito. O caso foi relatado pela juíza convocada Érika de Paiva Duarte Tinôco em julgamento realizado no dia 18 de agosto, e o trecho, escrito em fonte branca sobre fundo branco, permanecia invisível durante a leitura convencional do documento. A descoberta do que vem sendo reconhecido como prompt injection não partiu de varredura automatizada. Segundo a magistrada, o conteúdo veio à tona depois que um advogado procurou o gabinete e protocolou petição relatando o caso, e a equipe realizou testes para confirmar a existência da instrução. Na sessão, ela classificou o fato como "muito grave", até porque o perito estava credenciado junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte: Você olha o laudo, ele está lá, tudo bonitinho. Se você copiar isso e jogar no Word, que eu fiz e todo o gabinete fez para confirmar, está lá o prompt indicando para a IA a ordem de concordar com as conclusões do perito. Isso sempre vem sendo imputado na imprensa, é um trabalho dos advogados, e nunca se poderia imaginar que poderia ser imputado a um perito nomeado pelo Judiciário e inscrito no cadastro de peritos. É provável que você goste: Você ainda conseguiria trabalhar sem IA? ### Desdobramentos do prompt injection O colegiado determinou a certificação da existência do texto oculto e a preservação integral do arquivo original. Determinou, ainda, a expedição de ofício ao Instituto Brasileiro de Atuária, com cópias dos documentos relacionados ao caso, a comunicação à Presidência e à Corregedoria-Geral de Justiça, a remessa de peças ao Ministério Público e a comunicação ao Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário, por intermédio do Conselho Nacional de Justiça. O comando oculto, no entanto, não interferiu no resultado do julgamento. A relatora explicou que a minuta do voto já havia sido elaborada e apresentava críticas às conclusões da perícia questionada. De todo modo, haverá consequências para o perito, que dificilmente voltará a ser nomeado pelo Judiciário em novos casos depois desse episódio. Ele comprometeu por completo sua posição com essa conduta, e a decisão tende a lhe custar caro. ### Compreendendo o prompt injection A inserção deliberada de comandos ocultos em documentos processuais, destinada a manipular sistemas de inteligência artificial empregados na análise do processo, é uma conduta potencialmente fraudulenta e pode gerar consequências processuais, ético-disciplinares e, conforme as circunstâncias concretas e o enquadramento típico, inclusive penais. Quando identificada, independentemente de quem a tenha praticado, deve ser responsabilizada. No prompt injection, há ação deliberada para explorar o funcionamento do sistema, e a invisibilidade da instrução só reforça esse elemento intencional. Pouco importa se a tentativa produziu o resultado desejado: a simples utilização consciente do artifício, para interferir na análise da IA, já revela conduta incompatível com padrões éticos e profissionais. Por isso, considero o prompt injection prática inadequada, antiética e passível de responsabilização. É provável que você goste: A IA já pode reconstruir visualmente os fatos de um processo? ### Prompt oculto é diferente de erro no uso de IA Por fim, não devemos confundir o prompt injection com a conduta do profissional que deixa de revisar adequadamente conteúdo produzido por IA e acaba apresentando julgados inexistentes ou informações incorretas. Embora também possa haver responsabilidade nesse segundo caso, a natureza da conduta é distinta, e acredito que deve haver gradação na penalidade: começar com advertência e só diante de reiteração cogitar algo mais grave. ### O problema não é o uso de IA pelo magistrado É comum, diante de episódios como esse, surgirem manifestações de advogados no sentido de que o verdadeiro problema estaria no fato de magistrados utilizarem inteligência artificial em suas atividades. Nesse contexto, aparecem críticas como "se o juiz usa IA, então não está lendo o processo", "se a IA decide, não precisamos de juiz". Embora esse debate seja legítimo e mereça discussão própria, ele não corresponde ao núcleo do problema aqui analisado. O ponto central, portanto, não é o uso de IA por magistrados, advogados ou peritos. O progresso tecnológico sempre foi constante e não pode ser simplesmente interrompido. A IA é uma tecnologia que continuará avançando e sendo incorporada às mais diversas atividades. A questão está na inserção deliberada de um comando oculto em um documento com a finalidade de influenciar o comportamento de um sistema de IA e induzi-lo a determinada conclusão. São questões completamente distintas, portanto. O debate sobre limites, transparência e responsabilidade no uso da inteligência artificial pelo Judiciário é legítimo e necessário. O problema surge quando essa discussão desvia o foco da conduta efetivamente praticada: a inserção intencional de um comando oculto destinado a interferir no processamento automatizado do documento e favorecer determinada conclusão. Siga-me no Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # GeoERB transforma dados de antenas de celular em mapas para uso jurídico https://bernardodeazevedo.com/conteudos/geoerb-dados-antenas-de-celular/ Profissionais da área jurídica passam a contar com uma nova ferramenta para visualizar e analisar dados de Estações Rádio Base (ERBs) de forma mais clara e aplicada à realidade dos processos judiciais. Desenvolvido pela Lawtta, o GeoERB busca suprir uma carência do meio jurídico, sobretudo nos casos em que é necessário relacionar antenas, localização e horários a fatos investigados ou discutidos em juízo. É provável que você goste: Você ainda conseguiria trabalhar sem IA? ### Como o GeoERB transforma dados em mapas A plataforma reúne informações sobre ERBs distribuídas pelo território nacional e permite pesquisá-las por UF, município e operadora, com exibição dos resultados diretamente no mapa. Dados técnicos que antes apareciam de forma dispersa, por meio de coordenadas ou tabelas, e que muitas vezes chegavam aos processos judiciais dessa mesma forma, passam a ser apresentados visualmente dentro de seu contexto geográfico. O usuário pode adicionar antenas específicas para análise, informando nome, latitude, longitude, azimute, abertura, raio e horário. A ferramenta representa graficamente esses dados no mapa, o que permite compreender com mais facilidade a orientação da antena e a área correspondente aos parâmetros inseridos. Além disso, é possível adicionar pontos de interesse por endereço, coordenadas ou seleção direta no mapa. Antes do GeoERB, já existia uma ferramenta desenvolvida pela Polícia Civil de Santa Catarina, com recursos bem mais limitados, mas que cumpria o papel de representar visualmente as ERBs. Muitos advogados chegaram a utilizá-la em processos judiciais. Essa ferramenta, porém, foi descontinuada. A iniciativa serviu de inspiração para a Lawtta, que ampliou o escopo e tornou a ideia original bem mais robusta e dotada de mais recursos. É provável que você goste: A IA já pode reconstruir visualmente os fatos de um processo? ### O desafio de transformar dados de antenas em informação visual Muitos advogados, sobretudo na área criminal, precisam demonstrar relações espaciais entre antenas e localizações, mas esbarram na falta de ferramenta apropriada para converter dados técnicos em representação compreensível e utilizável no processo. É nesse cenário que se insere o potencial do GeoERB: com a ferramenta, a Lawtta propõe tornar esse tipo de informação mais acessível e visual ao profissional da área jurídica. O GeoERB funciona como uma ferramenta de visualização gráfica, de caráter ilustrativo e referencial. Os mapas são construídos a partir de informações sobre as ERBs (posição, azimute e raio), fornecidas pelas operadoras mediante pedido judicial e complementadas por dados públicos da TELECO. A inserção, a interpretação e a validação dessas informações cabem ao usuário, enquanto a Lawtta disponibiliza o recurso de representação visual. ### Como usar o GeoERB O lançamento das antenas deve ser feito pelo usuário uma de cada vez, com os números da tabela: posição, azimute, abertura, raio e horário. Em seguida, marcam-se os pontos do caso (endereço do fato, residência e trajeto alegado) para viabilizar a comparação com as antenas lançadas. Ao clicar em uma estação da base, a opção Transformar em antena aproveita a posição já definida e solicita apenas os ângulos. Os setores devem receber nomes neutros, como Setor 1 e Setor 2, mantendo-se a correspondência com o caso fora da ferramenta: as informações inseridas ficam associadas ao endereço gerado pela página, lógica utilizada também pela função Copiar Link. Utilize a opção Exportar (.json) ao concluir o trabalho, pois os dados não permanecem armazenados entre diferentes acessos e podem ser perdidos caso a página seja recarregada. Os mapas gerados pela GeoERB não substituem uma análise técnica formal, uma perícia ou um parecer especializado, cumprindo função ilustrativa e referencial. Para a construção de uma defesa tecnicamente fundamentada, a ser apresentada judicialmente, recomenda-se a análise por perito especializado, que poderá elaborar laudo específico para verificar, complementar ou impugnar as informações apresentadas. Clique aqui para experimentar a ferramenta gratuitamente. Siga-me no Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # A IA já pode reconstruir visualmente os fatos de um processo? https://bernardodeazevedo.com/conteudos/ia-reconstruir-visualmente/ A IA generativa está cada vez mais presente na atividade jurídica, sendo utilizada para produção textual, análise adversarial e diversas outras possibilidades. Um dos potenciais ainda pouco explorados no âmbito dos processos judiciais, contudo, é a utilização da IA para reconstruir visualmente fatos relevantes do processo, seja como forma de comunicação dos argumentos jurídicos, seja como recurso de ilustração das provas Hoje, a partir de simples instruções em linguagem natural, os LLMs conseguem produzir imagens com altíssimo nível de definição, detalhamento e realismo, muitas vezes difíceis de distinguir, a um primeiro olhar, de registros fotográficos reais. Embora alguns advogados já tenham utilizado IA para gerar mapas mentais, fluxogramas e gráficos, inserindo-os em processos judiciais, fica a dúvida se haveria espaço para aplicações mais avançadas. ### Reconstruir visualmente os fatos de um processo Refiro-me, em especial, ao uso de animações computadorizadas para reconstruir visualmente acontecimentos relevantes para o processo: a dinâmica de um acidente, a posição ocupada por determinadas pessoas, a trajetória de um objeto, a disposição física de um ambiente ou mesmo uma determinada sequência de acontecimentos sustentada por uma das partes. Haveria espaço para o emprego da IA generativa nesse contexto? No Brasil, a animação computadorizada vem ganhando espaço nos últimos anos, com destaque em casos de Tribunal do Júri e em ações indenizatórias que envolvem colisão entre veículos. Tradicionalmente, no entanto, é trabalho de profissionais especializados, a partir de medições, documentos, fotografias e laudos, com o auxílio de softwares como Blender, Cinema 4D e ferramentas específicas de modelagem e reconstrução. É provável que você goste: Você ainda conseguiria trabalhar sem IA? ### O que muda com a IA generativa O que muda agora é a escala e a facilidade com que essas representações podem ser produzidas. Modelos generativos cada vez mais avançados, somados a sistemas capazes de criar e manipular ambientes tridimensionais e operar softwares de modelagem, reduzem drasticamente a barreira técnica para a produção de cenas visualmente convincentes. O recente modelo de linguagem GPT-6 Astra ilustra bem essa evolução. Diferentemente dos modelos antecessores, o GPT-6 Astra ultrapassa a simples geração de imagens em 2D, sendo capaz de criar uma casa em 3D no Blender e, em seguida, transformar a residência em um ambiente navegável no Unreal Engine 5. Mais do que um gerador de modelos 2D (e agora 3D), o Astra atua como agente, escrevendo código, controlando ferramentas profissionais e inspecionando os resultados. Mesmo sendo pesquisador de direito, inovação e tecnologia há mais de 17 anos, e mesmo com todos os avanços da IA, até recentemente eu não cogitava com seriedade que a IA generativa, no campo das imagens e das animações, pudesse ser empregada, de forma relevante, no Poder Judiciário. Com os avanços mais recentes, especialmente os demonstrados pelo Astra, passo a vislumbrar a possibilidade com muito mais clareza. ### O realismo visual exige novos controles Ainda assim, para que esse recurso possa ser utilizado na demonstração de fatos e argumentos em processo judicial, não basta a capacidade de gerar uma cena visualmente convincente. Será necessário estabelecer mecanismos que demonstrem como a representação foi construída, quais elementos serviram de referência e como foram definidos aspectos como proporções, texturas, distâncias, posições, trajetórias e iluminação. Novos tempos trazem consigo novas tecnologias, mas, ao mesmo tempo, demandam novos parâmetros de controle. Siga-me no Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Você ainda conseguiria trabalhar sem IA? https://bernardodeazevedo.com/conteudos/conseguiria-trabalhar-sem-ia/ A inteligência artificial passou a ocupar posição cada vez mais central na prática jurídica, levando um número crescente de profissionais a recorrer a plataformas construídas com base em LLMs para analisar documentos, organizar fatos, revisar contratos, estruturar argumentos e produzir a primeira versão de praticamente qualquer texto. Para muitos profissionais, trabalhar sem IA já começa a parecer cada vez mais distante da realidade cotidiana. Uma pesquisa divulgada pelo Artificial Lawyer, que contou com a participação de mais de 500 advogados, corrobora esse olhar. Dos entrevistados, 34% afirmaram utilizar ferramentas de IA diariamente, e 32% disseram usá-las várias vezes por semana. Mais significativo, contudo, é o fato de que 15% dos advogados de grandes escritórios e 13% dos profissionais de departamentos jurídicos já se consideram dependentes da tecnologia para realizar o próprio trabalho. Os dados também ajudam a compreender em quais atividades a dependência começa a se formar. Redação de documentos, pesquisa jurídica e revisão documental aparecem como os três principais usos da IA entre os entrevistados. Não se trata, portanto, de tecnologia restrita a tarefas periféricas ou administrativas, mas de ferramenta que já participa da análise, da construção do raciocínio e da produção do trabalho jurídico. Diante desses números, ganha força uma pergunta que tende a se impor com ainda mais urgência nos próximos anos: você ainda seria capaz de exercer sua atividade profissional caso a inteligência artificial se tornasse indisponível amanhã? E se os servidores da plataforma que você assina (ChatGPT, Gemini, Claude ou outra) caíssem pelo dia inteiro? E se a indisponibilidade se estendesse por mais tempo, como uma semana inteira? É provável que você goste: Por que estamos revisando cada vez menos o que a IA produz ### Você conseguiria trabalhar sem IA? Essa pergunta costuma ser respondida parcialmente pelas quedas das próprias plataformas de IA, como ChatGPT, Gemini e Claude. Ainda que raras, essas interrupções levam os profissionais a perguntar uns aos outros, em grupos, se "a ferramenta caiu também", deixando a atividade de lado até que ela volte a funcionar. Não é incomum perceber advogados visivelmente nervosos em grupos de WhatsApp diante de uma queda nos servidores. O ponto-chave a compreender é que o uso da inteligência artificial vem se tornando tão corriqueiro que o profissional já não parte mais da folha em branco: ora a primeira versão da minuta já é iniciada diretamente com a IA, ora os documentos são enviados a ela com o pedido de que a peça seja gerada. Esse modo de operação já se tornou rotina, levando muitos profissionais a abandonar a elaboração de petições nos moldes anteriores. É claro que recorrer diariamente à IA não significa, necessariamente, depender dela. Um profissional pode utilizar a tecnologia com grande frequência e, ainda assim, conservar a capacidade de realizar o trabalho por outros caminhos. A diferença está no que ocorre quando a ferramenta deixa de estar disponível. Se a indisponibilidade da IA apenas tornar o trabalho mais lento, está-se diante de uma ferramenta que ampliou a produtividade. É provável que você goste: Na era da IA, seu texto ainda parece ter sido escrito por você? ### Quando o uso da IA se transforma em dependência Se, por outro lado, o profissional não souber mais como iniciar a tarefa, estruturar o raciocínio ou verificar o resultado sem o auxílio da IA, há um sinal de que o apoio começou a se transformar em dependência. A questão, portanto, não está na frequência com que se utiliza a IA, mas no grau de autonomia que ainda se preserva diante dela. A tecnologia deve ampliar as capacidades do profissional, sem substituir a compreensão sobre o trabalho que ele realiza. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Na era da IA, seu texto ainda parece ter sido escrito por você? https://bernardodeazevedo.com/conteudos/na-era-da-ia-seu-texto-escrito/ Uma das preocupações que vêm me acompanhando nos últimos tempos diz respeito à forma como a IA poderá transformar não apenas o processo de escrita, mas também a maneira como cada profissional se expressa por meio dela. À medida que passamos a utilizar LLMs com mais frequência para redigir textos na era da IA, surge uma questão relevante: a possibilidade de que, em algum momento da jornada, acabemos perdendo a nossa própria voz. Durante muitos anos, cada profissional desenvolveu uma maneira particular de escrever, que se manifesta na escolha das palavras, na construção dos argumentos, no tamanho das frases, na forma de organizar o raciocínio e até na maneira de se dirigir ao leitor. No caso dos advogados, tais características muitas vezes se refletem diretamente nas peças jurídicas e acabam formando uma espécie de identidade profissional construída ao longo do tempo. Minha preocupação é que a incorporação crescente da IA à escrita jurídica possa alterar significamente esse processo. Se antes os textos refletiam diretamente as escolhas e o estilo de quem os escrevia, agora há uma nova camada intermediando a produção como um todo. E, se a IA não for calibrada para reconhecer e preservar essas características, o resultado pode ser um texto tecnicamente adequado, mas cada vez mais distante da escrita de quem o assina. ### O risco de perder a identidade da escrita na era da IA Esse risco de uniformização promovido pela inteligência artificial, que detalho aqui, não preocupa todos os profissionais da mesma forma. Há advogados, por exemplo, que entendem que o mais importante é que o texto cumpra sua função, seja claro e consiga comunicar aquilo que precisa ser comunicado. Para esses profissionais, a eventual perda de determinadas características pessoais da escrita não representa um problema relevante. Mas outros – e aqui me incluo – enxergam a questão de maneira diferente. Para quem sempre atribuiu valor à própria forma de escrever e procurou imprimir uma identidade particular aos seus textos, a possibilidade de que a IA torne a produção mais homogênea é preocupante. O risco é o de que, ao ganhar eficiência, possamos também começar a perder parte daquilo que fazia com que os nossos textos fossem reconhecidamente nossos. É provável que você goste: Por que estamos revisando cada vez menos o que a IA produz ### Você está se afastando da sua própria voz na escrita? Hoje gostaria de propor um teste rápido, simples e prático, que pode ajudar você a perceber se, de algum modo, está se afastando da sua própria voz na escrita com o uso da IA e já nem percebe mais isso. Minha sugestão é selecionar dois ou três textos produzidos antes da popularização da IA generativa, escritos até o final de 2022, e compará-los com textos mais recentes, já escritos com algum grau de participação de ferramentas de ia. Uma primeira possibilidade é você mesmo comparar as duas redações para identificar se há grande diferença entre o texto antigo e o texto novo. Observe as frases, a construção do raciocínio e o uso de conectivos. Analise o tamanho dos parágrafos que costumava escrever antes e compare com os parágrafos de agora. Estude o texto brevemente e verifique se o estilo se mantém semelhante ou se mudou de forma significativa. Se não quiser fazer essa análise por conta própria, ou já estiver acostumado a delegar a tarefa para a IA, é possível apresentar os dois conjuntos de textos e perguntar quais características de linguagem, estrutura, argumentação e estilo permanecem em comum e quais parecem ter mudado. Rode essa análise em mais de um modelo de linguagem, ou mesmo em ferramentas diferentes, para verificar se o resultado final é semelhante. Embora seja importante destacar que a maneira de escrever de um profissional não permanece intacta ao longo da carreira, pois naturalmente se transforma com o tempo – como demonstram estudos de estilometria –, a análise que sugeri pode ajudar a identificar se as mudanças percebidas decorrem de um processo natural de amadurecimento ou se passaram a ser influenciadas, em alguma medida, pelos padrões de linguagem introduzidos pela IA. ### Preservando a própria voz na era da IA Quando entregamos à IA a tarefa de produzir um texto inteiro desde o início, sem direcioná-la para empregar a nossa identidade, o resultado tende a se aproximar mais do padrão de linguagem do modelo do que da voz de quem utilizará aquele conteúdo. A longo prazo, esse comportamento, hoje cômodo para todos nós, pode resultar em textos cada vez mais parecidos entre si, escritos em uníssono, sem qualquer traço de originalidade. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Por que estamos revisando cada vez menos o que a IA produz https://bernardodeazevedo.com/conteudos/revisando-cada-vez-menos-ia/ A incorporação da inteligência artificial generativa ao trabalho jurídico vem modificando a forma como os profissionais elaboram e revisam documentos. Rotinas que antes se organizavam em torno da folha em branco, da pesquisa prévia e da redação integralmente autoral vêm sendo substituídas por fluxos em que a inteligência artificial (IA) generativa participa desde as primeiras etapas do raciocínio jurídico. ### Como a IA está mudando a prática jurídica A tarefa de elaboração de documentos jurídicos, por exemplo, vem sendo reformulada. Em conversas com colegas advogados, percebo que muitos já não iniciam a petição do zero, como era usual até pouco tempo atrás. Hoje, um número crescente de profissionais produz peças a partir de áudio, descreve o caso em um prompt e pede uma estrutura inicial ou envia previamente os documentos do caso e pede a elaboração de uma primeira versão da minuta. Uma das maiores preocupações, a meu ver, não está na elaboração dos documentos por meio de alguma dessas técnicas, mas na ausência ou na redução da revisão, prática que tenho constatado com frequência crescente. Cada vez mais profissionais estão passando a confiar quase cegamente na inteligência artificial, reduzindo o número de revisões ou, em alguns casos, praticamente deixando de revisar o material produzido. ### Compreendendo o viés de automação A psicologia da tecnologia – área que estuda como a mente humana interage com as ferramentas digitais, adapta-se a elas e por elas é afetada, seja em relação a celulares, à internet ou à inteligência artificial – vem associando esse comportamento ao chamado viés de automação, fenômeno que leva as pessoas a atribuírem confiança excessiva a resultados produzidos por sistemas automatizados, mesmo quando possuem conhecimento suficiente para questioná-los. Na prática, em vez de funcionar apenas como insumo para a decisão, a resposta da tecnologia passa a ser tratada como a resposta presumivelmente correta. A conferência deixa de ser um exame independente do conteúdo e se converte em uma leitura de confirmação, na qual o profissional busca sinais de que está tudo certo, e não indícios de que algo pode estar errado. E isso é perigoso quando se trata de inteligência artificial generativa. O material produzido por grandes modelos de linguagem (LLMs) reúne exatamente os atributos que desarmam a desconfiança. A redação é fluente, a estrutura é organizada e o vocabulário é técnico. Embora aquilo que se lê com facilidade tenda a ser julgado como mais provavelmente correto, por trás de um texto bem escrito podem existir erros factuais capazes de comprometer o trabalho jurídico como um todo. É provável que você goste: ChatGPT, Gemini ou Claude? A resposta começa pelo diagnóstico, não pela ferramenta ### Como a confiança excessiva afeta a revisão jurídica O viés de automação pode produzir dois tipos principais de falha. O primeiro é o erro de comissão, que ocorre quando o profissional aceita e utiliza uma informação incorreta apresentada pelo modelo de linguagem. É o caso de incluir em uma petição um precedente inexistente, uma interpretação equivocada ou um dado que não consta dos documentos, conduta que, aliás, já vem sendo enquadrada como litigância de má-fé pelos tribunais. O segundo é o erro de omissão, verificado quando o profissional deixa de perceber um problema porque a inteligência artificial não o apontou. É o que ocorre quando uma tese subsidiária deixa de ser suscitada, quando uma preliminar de prescrição passa despercebida ou quando uma contradição entre documentos dos autos não é confrontada. A falha não está no que consta da peça, mas no que deveria constar e não foi "lembrado" pela IA. Esses dois erros tendem a se agravar com o tempo, em razão de um fenômeno relacionado, chamado complacência diante da automação. À medida que a IA avança e aprimora suas entregas, o usuário que recebe sucessivos resultados satisfatórios reduz seu nível de atenção e passa a conferir menos o que recebe. A revisão continua existindo formalmente, mas se transforma em uma leitura rápida destinada a confirmar o resultado, e não a encontrar suas falhas. ### O risco da complacência diante da automação Todos esses são fenômenos psicológicos relevantes que já afetam a rotina dos profissionais, muitas vezes sem que eles se deem conta. No Direito, um erro pode provocar a necessidade de emendar a inicial, comprometer a admissibilidade de um recurso ou prejudicar a estratégia processual. Além do prejuízo ao cliente, a falha pode gerar constrangimento perante o juízo, perda de credibilidade profissional e até repercussões patrimoniais. Por isso, é fundamental manter o chamado human in the loop, ou humano no circuito. A IA generativa entrega aquilo que parece mais provável, e não necessariamente aquilo que é correto, de modo que a boa aparência do texto não é garantia de nada. E mesmo quando se adotam camadas agênticas, com a própria IA revisando o que produziu, é indispensável que alguém, em algum ponto do fluxo, olhe o resultado antes que ele produza efeitos. Parece até óbvio dizer que é necessário haver supervisão humana no processo. Contudo, como observei ao longo do texto, os fenômenos psicológicos que vêm se manifestando na rotina dos profissionais revelam que ter alguém no fluxo não garante que a revisão realmente aconteça. Por isso, deixo o alerta final para que você ative o modo "humano no circuito", ainda que o resultado entregue pela IA de sua preferência pareça pronto para uso. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # ChatGPT, Gemini ou Claude? A resposta começa pelo diagnóstico, não pela ferramenta https://bernardodeazevedo.com/conteudos/a-resposta-comeca-pelo-diagnostico-nao-pela-ferramenta/ Em capacitações, palestras e consultorias para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, é frequente que algum profissional me pergunte qual ferramenta de IA deveria efetivamente adotar em sua rotina. Em geral, a dúvida se resume a saber se convém assinar o ChatGPT, o Gemini ou o Claude. Embora muitos profissionais busquem uma resposta que indique qual seria a ferramenta ideal, essa escolha depende de uma etapa anterior: o diagnóstico do trabalho que se pretende melhorar. Iniciar pela escolha da ferramenta é um erro de diagnóstico. Antes de definir qual IA adquirir, o escritório precisa responder a uma pergunta mais relevante: qual problema pretende resolver? A partir daí, deve compreender também como esse problema se manifesta no processo de trabalho, quais etapas estão envolvidas e onde estão os principais gargalos. São esses elementos que devem orientar a escolha da tecnologia, e não o contrário. Sem essa análise prévia, o risco é adquirir uma solução sofisticada para, somente depois, sair à procura de tarefas que justifiquem sua utilização. ### Usar IA manualmente já não é suficiente O comportamento mais comum hoje ainda é o do advogado que incorpora a IA ao trabalho de forma manual: digita prompts, envia documentos, recebe respostas e depois copia o resultado de volta para o Word, o e-mail, o WhatsApp ou qualquer outro ambiente em que a tarefa precisa ser concluída. Ao final do dia, existe a sensação de que houve um avanço, e, de fato, há algum ganho, pois ainda é melhor utilizar a tecnologia dessa forma do que não utilizá-la. O problema é que os principais gargalos do fluxo de trabalho permanecem intactos. A atividade continua fragmentada entre diferentes ferramentas, exige sucessivas intervenções manuais e mantém etapas desnecessárias, que geram retrabalho, perda de tempo e baixa escalabilidade. Essa etapa de uso da IA já ficou para trás. No início, quando a curva de aprendizado da tecnologia ainda estava em curso, fazia sentido trabalhar dessa maneira: abrir a ferramenta, inserir prompts, enviar documentos, copiar as respostas e encaixá-las manualmente no fluxo de trabalho. Tratava-se de uma fase de experimentação e descoberta. Hoje, porém, o escritório que permanece limitado a esse modelo está deixando de aproveitar uma parcela importante do valor que a IA pode oferecer. ### O diagnóstico revela onde a IA pode gerar valor O foco precisa deixar de estar no uso isolado da ferramenta e passar para o diagnóstico do próprio trabalho. É necessário identificar onde estão os gargalos: atividades excessivamente repetitivas, etapas que consomem tempo desproporcional, processos sujeitos a erros, conhecimento difícil de recuperar, tarefas que dependem em excesso de profissionais específicos ou serviços que poderiam ser entregues com mais qualidade, velocidade ou escala. Somente a partir desse diagnóstico é que se torna pertinente avaliar qual combinação de IA, automação, integração entre sistemas ou redesenho de processo é capaz de solucionar o problema identificado. A IA permite, portanto, greorganizar o trabalho a partir das capacidades que essa tecnologia passou a oferecer. É provável que você goste: A pergunta mais importante que seu escritório de advocacia deve fazer sobre IA ### Como funciona um diagnóstico estratégico de IA Tenho acompanhado diversos escritórios de advocacia nessa jornada de implementação de inteligência artificial, que começa por um diagnóstico estratégico. Esse diagnóstico parte de dentro do escritório e lê a operação de forma estruturada. Mais do que compreender as ferramentas já utilizadas, conduzo entrevistas com quem executa o trabalho e examino os fluxos, as rotinas, os riscos e os pontos em que a qualidade e o prazo se perdem. Nesse processo, observo os objetivos do escritório, as prioridades de crescimento e o papel que a inteligência artificial deve ocupar neles. Verifico também as rotinas, os gargalos, o retrabalho e as etapas manuais que consomem horas qualificadas, além das ferramentas já contratadas, do que está subutilizado e do que, de fato, ainda falta. Por fim, avalio a maturidade da equipe, as resistências reais e as necessidades concretas de capacitação. ### Quando o escritório de advocacia precisa de um diagnóstico de IA O diagnóstico é indicado para escritórios de advocacia que já utilizam IA sem saber ao certo o que ela mudou nos números, que têm trabalho repetitivo consumindo horas de advogados, que precisam definir uma política interna de uso antes que ela se defina por conta própria ou que já dispõem de orçamento para implementar o que for priorizado. Clique aqui para saber mais sobre o diagnóstico estratégico de IA Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # A pergunta mais importante que seu escritório de advocacia deve fazer sobre IA https://bernardodeazevedo.com/conteudos/pergunta-escritorio-ia/ O argumento econômico da IA dentro do escritório de advocacia está deixando de girar em torno da eficiência para passar a se apoiar na capacidade. Durante a primeira fase de adoção da IA generativa, o discurso de valor concentrou-se sobretudo na produtividade: economizar horas, reduzir custos, acelerar pesquisas, redigir documentos jurídicos com maior rapidez e automatizar tarefas repetitivas. Embora esse raciocínio ainda seja relevante para qualquer escritório, ele vem cedendo espaço, progressivamente, a uma abordagem distinta. ### Da eficiência à ampliação de capacidade Se a pergunta dominante até então era quanto tempo seria possível economizar, enxergando a IA apenas como uma ferramenta destinada a acelerar aquilo que já se fazia anteriormente, o questionamento central passa a ser outra: o que agora se torna possível fazer que antes não era? Aos poucos, a IA generativa está deixando de ser apenas uma tecnologia de eficiência para constituir uma tecnologia de ampliação de capacidade. O valor econômico não reside somente na redução do tempo necessário para executar uma tarefa, mas também na possibilidade de realizar atividades que antes seriam inviáveis por demandarem um número excessivo de pessoas, um tempo de dedicação incompatível com a rotina de trabalho ou um custo superior ao benefício esperado. ### O que seu escritório de advocacia consegue fazer agora que antes não conseguia? Em termos práticos, utilizar a IA para produzir a primeira versão de uma petição em 30 minutos, em vez de três horas, representa um ganho de eficiência. Já empregar a IA para submeter essa peça a múltiplas perspectivas adversariais, identificar fragilidades argumentativas, localizar precedentes conflitantes, antecipar possíveis ataques da parte contrária e simular diferentes cenários processuais amplia capacidade de atuação do profissional. Um advogado poderia, em tese, executar manualmente todas essas tarefas, mas dificilmente as conduziria de maneira sistemática em cada processo. É precisamente nesse ponto que a IA transforma aquilo que era excepcional em uma capacidade operacional recorrente. É provável que você goste: A inteligência artificial acabou com a última desculpa dos advogados ### O retorno sobre a IA não pode ser medido apenas em horas Dessa mudança decorre, também, uma nova forma de calcular o retorno sobre o investimento. Medir apenas as horas economizadas pode subestimar significativamente o valor criado, já que o retorno passa a incorporar novas dimensões: quantas análises adicionais podem ser realizadas, quantas hipóteses podem ser testadas, quantos cenários podem ser simulados, quantos documentos podem ser examinados simultaneamente e quantos clientes podem receber um nível de análise que antes seria economicamente inviável. A equação deixa, assim, de restringir-se à mesma atividade executada a um custo menor, passando a incluir novas atividades, nova escala e novas possibilidades. Tecnologias transformadoras produzem seus maiores efeitos quando deixam de apenas otimizar comportamentos existentes e passam a criar comportamentos que antes não eram economicamente possíveis. É exatamente isso que está começando a acontecer com a IA no campo jurídico. Se a primeira onda de adoção orientou-se pela produtividade, voltada a executar o trabalho existente com maior rapidez e menor custo, a próxima tende a orientar-se pela capacidade, voltada a realizar trabalhos que antes não cabiam dentro das limitações humanas de tempo, atenção e escala. Em suma, a pergunta mais importante que seu escritório deve fazer sobre IA não é quantas horas foram economizadas com seu uso, mas sim: o que agora conseguimos fazer que antes simplesmente não conseguíamos? Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Atendimento por WhatsApp com IA: até onde a OAB permite automatizar? https://bernardodeazevedo.com/conteudos/atendimento-por-whatsapp-ia-oab/ Com o avanço da inteligência artificial, o atendimento por WhatsApp nos escritórios de advocacia passou a ser cada vez mais automatizado, tanto nas conversas com potenciais clientes (leads) quanto no relacionamento com clientes do próprio escritório. Ainda assim, o tema desperta preocupação entre os advogados interessados em adotar esse tipo de prática, que costumam se questionar se a tecnologia realmente funciona e se sua utilização pode representar algum risco perante a OAB. ### Atendimento por WhatsApp com IA funciona de fato? A primeira dúvida que muitos advogados têm é se essas automações de fato funcionam. O próprio termo "automação" ainda remete, para muitas profissionais, à experiência bastante conhecida dos antigos chatbots: uma sequência de opções pré-programadas que o usuário precisa selecionar até que, em determinado momento, se irrita e pede para falar com um atendente humano. Esse modelo efetivamente marcou boa parte da primeira geração de atendimento automatizado. Eram sistemas predominantemente baseados em regras, árvores de decisão e fluxos previamente definidos. A inteligência artificial generativa mudou significativamente esse cenário. Com os modelos atuais, o potencial cliente não precisa necessariamente escolher entre opções ou formular sua solicitação da maneira que o desenvolvedor imaginou. Ele pode simplesmente relatar o que aconteceu, utilizando linguagem natural, e a inteligência artificial é capaz de interpretar o contexto da conversa, identificar sua provável intenção, extrair as informações relevantes e conduzir o atendimento a partir daí. Significa, na prática, que mensagens bastante distintas, como "fui mandado embora e acho que pagaram errado", "quero revisar minha rescisão" ou "saí da empresa ontem e queria falar com um advogado", podem ser compreendidas como manifestações relacionadas a uma mesma necessidade, sem que todas essas formulações tenham sido previamente cadastradas no sistema. Atualmente, já é perfeitamente possível construir sistemas capazes de manter conversas naturais pelo WhatsApp, interpretar mensagens escritas em linguagem livre, identificar o assunto tratado, coletar informações, classificar contatos, formular perguntas adicionais, agendar reuniões e encaminhar determinadas situações para os membros da equipe. Já existem diversas empresas que oferecem essa solução pronta, além de plataformas parcialmente configuráveis, que permitem ao próprio escritório adaptar fluxos e integrações sem desenvolver toda a estrutura internamente. O único ponto de atenção é que as automações com inteligência artificial, ao menos no momento presente, não são infalíveis. Mensagens ambíguas, informações incompletas ou situações não previstas podem provocar interpretações equivocadas, razão pela qual esses sistemas precisam ser adequadamente configurados, testados e submetidos a regras que determinem o momento apropriado para a transferência do atendimento a uma pessoa. Dito isso, as automações de conversa no WhatsApp com inteligência artificial podem representar um ganho relevante para os escritórios, especialmente para aqueles que recebem um grande volume de leads de forma constante, como os que investem em campanhas de tráfego pago. É provável que você goste: A inteligência artificial acabou com a última desculpa dos advogados ### As automações podem representar algum risco perante a OAB? A segunda dúvida que muitos advogados têm é se, ao implementarem chatbots alimentados por modelos de linguagem, podem incorrer em algum problema perante a OAB, cometendo alguma infração ético-disciplinar. É comum encontrar artigos escritos por outros profissionais que listam dezenas de hipóteses do que pode ou não ser feito. Nunca considerei essa abordagem muito prática, pois o excesso de situações particulares pode acabar tornando mais difícil compreender aquilo que realmente importa: qual é a fronteira que não deve ser ultrapassada? Segundo o anexo único do provimento Nº 205/2021, que dispõe sobre sobre a publicidade e a informação da advocacia, "não é admitida a utilização de aplicativos de forma indiscriminada para responder automaticamente consultas jurídicas a não clientes por suprimir a imagem, o poder decisório e as responsabilidades do profissional, representando mercantilização dos serviços jurídicos". Pela interpretação do dispositivo, é possível concluir que o uso de chatbot é permitido para facilitar a comunicação, responder às primeiras dúvidas do potencial cliente, fornecer informações iniciais sobre a atuação do escritório e coletar dados, informações e documentos. É vedado, contudo, que os chatbots utilizados pelos escritórios de advocacia se transformem em uma espécie de advogado automático para pessoas que ainda não são clientes, respondendo indiscriminadamente a consultas jurídicas e retirando do advogado a decisão e a responsabilidade profissional. Logo, fica claro o escopo do Provimento e seus alcances, sem que seja necessário elencar aqui uma longa lista de hipóteses do que pode ou não pode ser feito. O critério, nesse sentido, é simples: se o advogado utiliza o chatbot para recepcionar o contato, realizar a triagem inicial e organizar o atendimento, sem avançar sobre questões que dependem de análise jurídica propriamente dita, essa utilização está dentro dos limites admitidos pelo Provimento. O risco começa quando o chatbot ultrapassa essa função auxiliar e passa a analisar o caso concreto, formular conclusões ou fornecer orientação jurídica individualizada como se advogado fosse. Nesse cenário, a utilização pode entrar em conflito com os limites impostos pela OAB, cuja avaliação ficará a critério dos julgadores do tribunal ético-disciplinar. Nesse contexto, não parece razoável assumir o risco de responder a um processo ético-disciplinar e ser eventualmente punido por isso, quando basta configurar o sistema para interromper a automação e encaminhar o atendimento ao advogado sempre que a conversa passar a exigir análise ou decisão jurídica profissional. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # MinutaIA e Jusbrasil unem forças em uma nova etapa do mercado jurídico https://bernardodeazevedo.com/conteudos/minutaia-e-jusbrasil/ MinutaIA e Jusbrasil agora são uma só operação, após a conclusão da aquisição integral da legaltech de redação jurídica fundada por Caio Perona em 2025 e o grupo de tecnologia fundado por um grupo de colegas em 2008, em Salvador. O negócio representa o segundo movimento de fusões e aquisições do Jusbrasil, que projeta alcançar, agora junto com a MinutaIA, seu primeiro bilhão de reais em receita ainda em 2026. Nascida em fevereiro de 2025 sob modelo bootstrap, ou seja, sem aportes de investidores externos, a MinutaIA surgiu a partir de um sistema desenvolvido inicialmente para uso próprio, que passou a se popularizar entre colegas da área. Atualmente, a empresa atende mais de 1.000 escritórios de advocacia e cerca de 180 instituições públicas. Ao todo, são mais de 100 mil usuários mensais, com R$ 100 milhões em receita recorrente anual. É provável que você goste: Engenharia de loops: quando a IA deixa de esperar pelo próximo prompt ### Um crescimento fora da curva no mercado jurídico Acompanhando de perto o cenário de lawtechs e legaltechs brasileiras há quase uma década, posso afirmar que o crescimento da MinutaIA é um caso que certamente destoa dos demais, daqueles que a literatura costuma chamar de outlier, fora da curva. Em pouco mais de um ano de operação, a empresa conquistou um espaço que muitas legaltechs não alcançam mesmo após vários anos de atuação, estando hoje presente, com sua tecnologia, em diversos tribunais brasileiros. Esse é um crescimento realmente surpreendente, que pude acompanhar praticamente desde o começo, quando conversei com o CEO Caio Perona, no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, ele me contou que havia acabado de lançar a ferramenta, ainda em versão beta, e me convidou a testá-la, subindo um processo e gerando a minuta desejada. Desde então, a ferramenta não parou de ser aprimorada, com novas funcionalidades sendo incorporadas continuamente. É provável que você goste: A inteligência artificial acabou com a última desculpa dos advogados ### O que a união entre MinutaIA e Jusbrasil representa A MinutaIA já havia mostrado, por conta própria, que tinha fôlego para conquistar espaço relevante no mercado jurídico. A união amplia esse alcance ao colocá-la diante da base de usuários do Jusbrasil, que soma 3 milhões de usuários pagantes no total de seus produtos, e 350 mil assinantes no JusIA, o chatbot da empresa voltado à pesquisa e à redação jurídica, que hoje já representa 85% de sua receita. Em suas próprias palavras, Caio Perona resume o significado da união: ### O que muda para os usuários da MinutaIA Por fim, para os profissionais que acompanham meus textos e meu perfil nas redes sociais, e que também são usuários da MinutaIA, informo que a empresa seguirá operando de forma independente, com a mesma marca, o mesmo produto, a mesma equipe inovadora e o mesmo jeito de trabalhar. O contrato e o plano dos usuários não sofrem nenhuma mudança decorrente desta transação. Registro aqui meus parabéns ao Caio Perona pela visão inovadora que teve ao fundar a MinutaIA e pela recente aquisição pelo Jusbrasil, desejando todo o sucesso nessa nova etapa. Minhas congratulações também ao Djalma Cossao Neto, que integra hoje a equipe da MinutaIA como diretor comercial, um profissional que vive a empresa com total dedicação e que, sem dúvida, a engrandece. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # O que a marca d’água invisível do Claude significa, na prática, para os advogados https://bernardodeazevedo.com/conteudos/marca-dagua-invisivel-do-claude/ Uma mudança recente promovida pela Anthropic vem chamando a atenção de quem utiliza inteligência artificial para produzir textos. Em resposta às novas obrigações de transparência previstas no AI Act da União Europeia, a Anthropic passou a implementar mecanismos de marcação de conteúdo gerado por inteligência artificial nos modelos Claude lançados a partir de 2 de agosto de 2026, enquanto trabalha para ampliar a implementação aos modelos anteriores. Embora a iniciativa tenha origem na regulamentação europeia, a Anthropic informou que a marca d'água invisível será aplicada aos modelos compatíveis em todos os lugares onde o Claude estiver disponível, inclusive no Brasil, abrangendo o Claude, a API, o Claude Code e o Claude Cowork. A inserção de marcas d'água para identificar conteúdo gerado por IA já vinha sendo adotada por outras empresas. A OpenAI, por exemplo, recentemente lançou um site específico voltado à verificação de sinais técnicos de proveniência, atualmente compatível com imagens e arquivos de áudio e capaz de identificar sinais como metadados C2PA e marcas d'água SynthID associados às ferramentas da empresa. As marcas d'água agora também chegam aos textos jurídicos gerados dentro do Claude. Como é de praxe em meus conteúdos, procuro sempre desmistificar aquilo que é, de fato, motivo de preocupação, distinguindo-o daquilo que é exagero. Não seria diferente agora, em relação a esse tema. Diversos advogados já me perguntaram quais são as implicações práticas e o que essa mudança altera na rotina de quem utiliza o Claude. ### O paradoxo da IA generativa Estamos vivendo um momento que professores como Emilio Ferrara vêm chamando de "paradoxo da IA generativa". À medida que a IA generativa torna conteúdos falsos cada vez mais realistas, baratos e abundantes, a sociedade passa a desconfiar não apenas do que é falso, mas também do que é verdadeiro. O fenômeno já começa a se manifestar nas redes sociais, onde se tornam cada vez mais comuns comentários que refletem a crescente desconfiança quanto à autenticidade dos conteúdos digitais, sobretudo das imagens. Se você já leu algum comentário do tipo "eu já IA acreditando", sabe do que estou falando. Diante do contexto, recentemente ministrei uma aula para meus mentorados sobre como identificar se uma imagem é gerada ou não por inteligência artificial, dentro de uma estrutura de três camadas que desenvolvi. A primeira delas consistia justamente em identificar a proveniência digital, que compreende a pergunta: o arquivo revela sua origem? Na ocasião, expliquei aos mentorados que algumas plataformas de IA começaram a incluir, entre os metadados dos arquivos que geram, credenciais baseadas no padrão C2PA, capazes de fornecer informações verificáveis sobre a origem do conteúdo e determinadas etapas de sua criação ou edição. Algumas plataformas também incorporam ao próprio conteúdo o SynthID, uma tecnologia de marca d'água invisível desenvolvida pelo Google DeepMind para identificar conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial. Esse sinal, por sua própria natureza, não é perceptível a olho nu, tampouco com o auxílio de instrumentos ópticos como uma lupa: trata-se de um traço técnico que escapa por completo à percepção visual humana. Outras plataformas combinam esses sinais invisíveis com formas visíveis de identificação. O Google, por exemplo, utiliza atualmente um marcador visual em determinadas imagens geradas pelo Gemini, embora sua presença possa variar conforme o produto e a modalidade utilizada. No caso das imagens, a grande finalidade que justifica a investigação de proveniência digital é saber, essencialmente, se houve adulteração e se, com ela, ocorreu mudança de contexto, adição de pessoas que não estavam originalmente na foto, ou outros aspectos que, do ponto de vista jurídico, podem impactar o convencimento do juiz ou ser utilizados para enganar todos os envolvidos. Já no caso do texto, há uma mudança de figura. ### Por que a novidade preocupa os advogados Conversei com muitos advogados nos últimos dias para entender o que os preocupava diante do recente anúncio da Anthropic. Das conversas que tive, posso dizer, em síntese, que os principais receios se concentram em quatro pontos: 1. Há o temor de que a identificação do uso de inteligência artificial seja equivocadamente interpretada como prova de que o advogado não participou efetivamente da elaboração intelectual da peça; 2. Em documentos protegidos por segredo de justiça, deveres de confidencialidade ou negociações sigilosas, teme-se que a marca d'água permita algum tipo de rastreamento da utilização da IA e comprometa informações que deveriam permanecer protegidas; 3. Em negociações e litígios, existe a preocupação de que a contraparte recorra a ferramentas de detecção para identificar o uso de IA e explore essa informação estrategicamente, questionando a confiabilidade do documento, a revisão realizada pelo advogado ou o próprio cuidado empregado em sua elaboração; 4. Por fim, alguns profissionais receiam que a identificação do uso de IA leve o próprio cliente a interpretar a tecnologia como sinal de menor dedicação ao caso, sobretudo em demandas complexas ou de elevado valor. É provável que você goste: Engenharia de loops: quando a IA deixa de esperar pelo próximo prompt ### O que a marca d’água invisível revela (e o que ela não prova) Embora sejam preocupações relevantes, o ponto-chave a considerar neste momento é que os contornos da marca d'água invisível ainda não estão completamente definidos. A própria Anthropic reconhece essa limitação, ao informar que ainda publicará documentação técnica mais detalhada sobre os mecanismos de marcação e detecção. Já se sabe que a marca textual poderá acompanhar o conteúdo quando este for copiado e colado, podendo sobreviver a algumas modificações. Ainda não se sabe, no entanto, qual será exatamente sua resistência diante de diferentes processos de edição, tampouco como funcionarão, na prática, os mecanismos de detecção que a Anthropic pretende oferecer ou suportar para usuários e terceiros. Além disso, eventual marca identificada em um texto produzido pelo Claude não prova que aquele conteúdo tenha sido intelectual ou integralmente elaborado pela inteligência artificial. A própria Anthropic é clara nesse ponto: uma marca detectada indica apenas que o conteúdo pode ter sido processado pelo Claude, sem que isso permita reconstruir, por si só, toda a sua proveniência. Um advogado pode escrever integralmente uma peça e recorrer ao Claude apenas para revisar a gramática, aprimorar a redação, resumir um trecho ou traduzir determinado conteúdo. Ainda assim, o resultado poderá carregar a marca. Por isso, é importante separar proveniência de autoria. A primeira busca oferecer informações sobre a trajetória de determinado conteúdo e as ferramentas pelas quais ele passou. A segunda diz respeito a saber quem efetivamente criou, elaborou e assumiu intelectualmente aquele conteúdo. O próprio padrão C2PA, mencionado anteriormente neste texto, foi concebido justamente para fornecer informações verificáveis sobre a origem e determinadas transformações de um ativo digital. O raciocínio inverso, no entanto, também não se sustenta. A ausência da marca não comprova que um texto tenha sido produzido exclusivamente por um humano. A própria Anthropic reconhece que o sinal pode deixar de ser detectável em textos fortemente editados, parafraseados ou traduzidos, em passagens muito curtas, ou ainda em conteúdos produzidos por modelos e ambientes em que determinada forma de marcação não esteja disponível. Trata-se, portanto, de um sinal técnico sujeito a limitações, e não de um detector infalível capaz de separar, com precisão, o que foi escrito por humanos daquilo que foi produzido por máquinas. É provável que você goste: A inteligência artificial acabou com a última desculpa dos advogados ### Então, o que a marca d’água invisível significa na prática? Na prática, a marca d'água invisível do Claude significa que textos gerados como saída por modelos compatíveis passam a carregar um sinal técnico imperceptível destinado a indicar sua passagem pela ferramenta. Esse sinal acompanha o texto quando ele é copiado e colado e pode sobreviver a determinadas modificações. A Anthropic também pretende permitir que usuários e terceiros verifiquem a presença dessas marcas, embora os detalhes técnicos dos mecanismos de detecção ainda não tenham sido divulgados. Isso não significa, contudo, que o advogado deva temer a tecnologia ou evitar seu uso. Significa, sim, que determinados textos produzidos pelo Claude podem passar a carregar um sinal técnico de sua passagem pela ferramenta, o que reforça a importância de práticas já recomendáveis independentemente da existência da marca: revisar integralmente o que é produzido com auxílio de inteligência artificial, cuidar da confidencialidade dos dados inseridos na ferramenta e assumir, como sempre, a responsabilidade intelectual pelo conteúdo entregue ao cliente ou apresentado em juízo. Em suma, a novidade merece atenção, mas não alarmismo. Mais importante do que temer a existência da marca d'água é compreender, com precisão, o que ela de fato revela e, sobretudo, o que não permite concluir. O simples fato de um texto apresentar sinais de proveniência relacionados ao uso de inteligência artificial não significa ausência de participação intelectual, de revisão ou de responsabilidade profissional por parte do advogado. Cabe ao profissional conhecer essas limitações e estar preparado para esclarecer eventuais interpretações equivocadas, demonstrando que a tecnologia foi empregada como instrumento de apoio, dentro de um trabalho efetivamente supervisionado e revisado por quem o assina. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # A inteligência artificial acabou com a última desculpa dos advogados https://bernardodeazevedo.com/conteudos/ia-desculpa-dos-advogados/ Recentemente, assisti a um vídeo de um palestrante que fazia uma provocação interessante a um grupo de empresários e que me fez pensar sobre aquilo que, durante muito tempo, foi a principal desculpa dos advogados para não produzir conteúdo em redes sociais: a falta de tempo. Explico melhor a seguir. Em determinado momento desse vídeo, o palestrante projetou um slide com dois sanduíches lado a lado: à esquerda, um Big Mac, do McDonald's; à direita, um hambúrguer tradicional do Madero. Primeiro, perguntou à plateia qual dos dois seria melhor, e a resposta pareceu praticamente unânime: o Madero. Em seguida, veio a segunda pergunta: qual dos dois vendia mais? Dessa vez, a resposta também foi praticamente unânime: McDonald's. O palestrante, então, extraiu daquele exemplo uma mensagem simples: o mais conhecido sempre vence o melhor. Eu faria apenas um pequeno ajuste nessa conclusão. Não acredito que o mais conhecido sempre vença o melhor, mas existe uma verdade difícil de contestar: ser tecnicamente excelente não é suficiente se ninguém souber que você existe. E isso vale muito para o mercado jurídico. Hoje existem profissionais extremamente competentes, que realizam trabalhos de excelência, mas que praticamente não aparecem. Não publicam nas redes sociais, não possuem um site, não explicam o que fazem, não compartilham conhecimento nem constroem presença digital. Consequentemente, acabam sendo menos lembrados do que profissionais tecnicamente inferiores, mas que aprenderam a se posicionar. ### A desculpa dos advogados para não produzir conteúdo Durante muitos anos, ouvi de colegas que produzir conteúdo nas redes sociais exigia muita dedicação. Eles chegavam a cogitar a ideia, mas alegavam não ter tempo diante da rotina intensa da advocacia. O argumento sempre me pareceu, de certa forma, uma desculpa, pois, com organização, é possível produzir algum material, ainda que mais breve, o suficiente para manter uma presença constante nas redes sociais. Parece-me claro que, hoje, com a inteligência artificial, essa desculpa deixou de existir. A barreira para produzir conteúdo ficou ainda menor: é possível utilizá-la para organizar ideias, estruturar textos, desenvolver roteiros, pesquisar referências, criar elementos visuais e transformar um mesmo conhecimento em diferentes formatos. É provável que você goste: A IA pode criar o site do seu escritório de advocacia, mas vai recomendá-lo? ### Autoridade não exige dancinhas ou fórmulas de engajamento Dias atrás, conversando com um colega advogado, ele me disse algo mais ou menos assim: "Bernardo, é complicado ver profissionais muito inferiores tecnicamente conseguindo mais clientes simplesmente porque aparecem mais." Ele fez questão de destacar, sobretudo, os profissionais que ganham visibilidade por meio de trends, dancinhas e quadros de humor. Nunca enxerguei o humor ou a exposição excessiva como requisitos para construir autoridade profissional. Gosto de falar em público, ministro palestras e aulas todos os anos, mas não me sinto à vontade produzindo vídeos voltados a essas tendências e a "fórmulas com views garantidas". Particularmente, não é a linha que sigo: sempre preferi produzir um conteúdo mais sóbrio, educativo e conectado ao conhecimento que quero compartilhar. Acredito na constância e na consistência, ou seja, na regularidade ao longo do tempo, com mínima interrupções, e na coerência de linha e qualidade em cada conteúdo produzido. Crio conteúdo há uma década e, desde o início, meu recorte sempre esteve relacionado a Direito, inovação e tecnologia, normalmente com o objetivo de ajudar profissionais da área jurídica a compreender como novas tecnologias podem melhorar o seu trabalho. Essa consistência acabou criando uma associação bastante clara entre os temas sobre os quais escrevo, minha atuação profissional e a forma como sou percebido pelo mercado jurídico, o que não aconteceu de uma hora para outra. Certamento não sou um dos mais conhecidos do mercado, mas, quando se pensa em Direito, inovação e tecnologia, meu nome é lembrado, sendo procurado para capacitações, palestras e consultorias jurídicas. O fato é que, assim como eu comecei há uma década, qualquer profissional pode dar esse mesmo passo a partir de hoje. É natural que o início não seja tão simples, da mesma forma como não é simples começar uma dieta ou ganhar massa muscular na academia. O lado positivo, no entanto, é que hoje contamos com um grande auxílio para essa jornada: a inteligência artificial generativa, cada vez mais democratizada e acessível a todos. O advogado que está começando hoje pode explicar uma mudança legislativa, comentar uma decisão relevante, mostrar como determinado problema costuma surgir na prática, apresentar os serviços que oferece, ensinar algo que ajude seu público ou compartilhar experiências profissionais, revelando como pensa sobre determinado tema. Tudo isso também é produção de conteúdo e, dependendo do posicionamento pretendido, pode gerar muito mais autoridade do que simplesmente tentar reproduzir aquilo que está funcionando no perfil de outra pessoa. É provável que você goste: Engenharia de loops: quando a IA deixa de esperar pelo próximo prompt ### A IA amplifica o profissional, mas não cria repertório Na minha concepção, a inteligência artificial ajuda muito nessa tarefa de produção de conteúdo, sobretudo porque amplifica o profissional, para o bem ou para o mal. Se você não tem nada a dizer, ela provavelmente produzirá apenas mais um conteúdo genérico em meio a milhares de outros. Mas, se você possui conhecimento, experiências, opiniões e repertório, a IA pode ajudá-lo a transformar tudo isso em textos melhores, roteiros mais estruturados, apresentações mais claras e conteúdos visualmente mais interessantes, reduzindo o esforço operacional entre ter uma ideia e publicá-la. Talvez esse seja um dos maiores benefícios da IA para quem pretende construir autoridade. A tecnologia tornou mais fácil aparecer e eliminou de vez a desculpa dos advogados para não aparecer, mas continua sendo responsabilidade de cada profissional decidir pelo que deseja ser conhecido. Por isso, para quem ainda não produz conteúdo, minha sugestão é apenas uma: comece. Não necessariamente fazendo dancinhas, seguindo trends bobas ou tentando se transformar em uma personalidade de internet. Comece compartilhando aquilo que você sabe: ensine, explique, mostre como pensa, ajude alguém a compreender melhor um problema que você domina. Com o tempo, ajuste o formato, encontre sua linguagem e construa sua própria identidade. Porque, no final, talvez a melhor lição daquele slide com os dois hambúrgueres não seja simplesmente que o mais conhecido vence o melhor. É que competência sem visibilidade dificilmente se traduz em resultado. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Engenharia de loops: quando a IA deixa de esperar pelo próximo prompt https://bernardodeazevedo.com/conteudos/engenharia-de-loops-ia/ Durante os últimos anos, grande parte da discussão sobre inteligência artificial generativa esteve concentrada em engenharia de prompts. Embora essa questão continue relevante, a evolução dos agentes de IA vem deslocando parte da atenção para duas novas dimensões: a engenharia de contexto e a engenharia de loops. No texto de hoje vou tratar especificamente da engenharia de loops, que vem ganhando relevância à medida que os sistemas de IA se tornam mais autônomos. O conceito, em síntese, consiste em retirar do usuário a responsabilidade de fornecer continuamente novos prompts, transferindo a função para um sistema capaz de avaliar o resultado obtido, decidir o próximo passo e gerar novas instruções de forma recorrente, até que determinado objetivo seja alcançado. ### Como funciona a engenharia de loops No modelo tradicional de interação com a IA, o fluxo costuma ser este: o usuário envia um prompt, recebe uma resposta, avalia o resultado e, caso identifique algum problema, formula uma nova instrução. Tal processo se repete até que o resultado seja considerado satisfatório. Nesse arranjo, contudo, o usuário continua sendo indispensável em cada etapa: a IA cumpre a tarefa proposta e, na sequência, paralisa sua atuação até que receba nova instrução humana. A engenharia de loops busca justamente modificar essa dinâmica. Em vez de o usuário precisar avaliar manualmente cada resultado e formular sucessivos prompts de correção, cria-se um ciclo no qual a própria IA executa, verifica, recebe retorno e tenta novamente, prosseguindo até que seja atingido um critério de sucesso previamente definido. Em outras palavras, o foco deixa de estar apenas na qualidade da instrução inicial e passa também para a arquitetura do processo que determina o que deve acontecer depois de cada resposta. É justamente nesse ponto que surge um dos elementos centrais da engenharia de loops: o critério de sucesso. Não basta orientar a IA a "melhorar o texto" ou "continuar trabalhando"; é necessário estabelecer condições suficientemente claras para que o sistema consiga avaliar se o objetivo foi alcançado. Um loop pode determinar, por exemplo, que um texto somente seja considerado concluído quando tiver até 500 palavras, abordar cinco pontos previamente definidos e cumprir determinados critérios de qualidade. É provável que você goste: A IA está mudando o que o cliente espera do escritório de advocacia ### O papel do usuário muda com os loops Isso representa uma mudança relevante na função desempenhada pelo usuário. Em vez de atuar como operador permanente da IA, acompanhando cada etapa e fornecendo novas instruções, ele passa a projetar o fluxo de trabalho: seu papel consiste em definir o objetivo, os critérios de avaliação, as condições de parada e, quando necessário, os limites dentro dos quais o agente poderá continuar tentando. A execução, a conferência e as sucessivas correções passam, ao menos parcialmente, para o próprio sistema. Diferentemente do que alguns sustentam, ao dizer que a engenharia de loops dispensaria qualquer forma de instrução, o prompt não deixa de existir nesse modelo. O que se altera é sua posição: ele passa a integrar uma estrutura maior, na qual indica o que fazer, enquanto o loop determina o que acontece depois. Se o resultado não atingir o padrão esperado, o sistema pode analisar a falha, gerar uma nova tentativa e repetir o processo sem depender de nova mensagem do usuário. A engenharia de loops, portanto, desloca a atenção da formulação de comandos isolados para o desenho de ciclos de execução, avaliação e correção. No uso tradicional, a função de construir prompts permanece com o usuário, que acaba atuando de forma reativa; em um loop, por sua vez, o próprio sistema pode decidir quando executar novamente, corrigir o resultado ou avançar para outra etapa, atuando de forma proativa. É provável que você goste: A IA pode criar o site do seu escritório de advocacia, mas vai recomendá-lo? ### Mais autonomia exige melhores critérios e controles A engenharia de loops não envolve eliminar completamente a supervisão humana. Quanto maior a autonomia concedida ao agente, maior precisa ser a qualidade dos critérios, dos mecanismos de verificação e dos limites que estruturam sua atuação. Ainda assim, é inegável que se trata de um avanço positivo, na medida em que libera o profissional das intervenções repetitivas e concentra sua atenção nos pontos em que o julgamento humano continua sendo indispensável. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # A IA pode criar o site do seu escritório de advocacia, mas vai recomendá-lo? https://bernardodeazevedo.com/conteudos/ia-site-escritorio-recomenda-lo/ Entre os recursos mais interessantes que as ferramentas de inteligência artificial passaram a oferecer aos profissionais da área jurídica está a possibilidade de criar sites com muito mais rapidez e a um custo muito menor. Hoje, um escritório de advocacia pode utilizar ChatGPT ou Claude para desenvolver tanto seu site institucional quanto páginas específicas para divulgar determinados produtos ou serviços jurídicos. Durante muitos anos, construir um bom site exigia a contratação de profissionais especializados e investimentos que facilmente chegavam a alguns milhares de reais, sendo necessário recorrer a uma empresa para cuidar do desenvolvimento, da interface, da programação e da publicação do projeto. A IA generativa, contudo, reduziu drasticamente essa barreira, permitindo que tudo agora seja feito em linguagem natural. ### Criar um site para o escritório de advocacia ficou mais fácil Com agentes de IA especializados em programação como Claude Code e Codex, já é possível descrever em linguagem natural o site que se pretende construir e obter boa parte de sua estrutura, código e elementos visuais em poucos minutos. Com algum conhecimento adicional, o próprio usuário consegue publicar esse projeto e vinculá-lo a um domínio próprio. Criar um site, portanto, está se tornando uma commodity. Embora muitos agora sejam capazes de criar um site e colocá-lo no ar, há uma diferença relevante entre ter um site publicado e ter um site que seja encontrado por outras pessoas. Um site no ar significa apenas que existe um endereço acessível a quem já conhece aquela URL, não que o Google irá posicioná-lo bem em suas pesquisas ou que alguém em busca de determinado serviço jurídico encontrará aquele escritório. É provável que você goste: Selecionar A IA está mudando o que o cliente espera do escritório de advocacia ### Criar o site é apenas o primeiro passo Um site no ar também não significa que ferramentas de IA como ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e outros mecanismos baseados em IA reconhecerão aquele profissional como uma fonte relevante para suas respostas. Para que tanto o Google quanto as IAs referenciem o site em suas pesquisas, é fundamental o conhecimento técnico em SEO (Search Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization). E isso, mesmo que a IA seja acionada para auxiliar nessa tarefa, dificilmente produzirá um resultado satisfatório. A IA permite construir um site rapidamente, mas não permite otimizá-lo adequadamente. Embora consiga gerar código e sugerir títulos, descrições, dados estruturados e diversas configurações técnicas, o problema está em saber o que deve ser feito, por que deve ser feito e como verificar se aquilo efetivamente está funcionando. É possível pedir a uma IA dezenas de modificações em um site e, ainda assim, terminar com páginas mal estruturadas, conteúdos concorrendo entre si, erros de indexação ou uma arquitetura que dificulta a compreensão pelos mecanismos de busca. A ferramenta executa, mas a estratégia ainda depende de conhecimento. Por isso, SEO e GEO não se resumem à utilização de IA: exigem acompanhamento, testes e atualização permanente. É provável que você goste: Advogados podem produzir textos quase três vezes mais rápido usando a voz O verdadeiro trabalho começa quando o site já está construído. É necessário estruturar corretamente conteúdos, títulos, descrições, dados estruturados, informações sobre autores e serviços que ajudam mecanismos externos a compreender o que aquele site representa. Não basta existir na internet: é preciso torná-lo compreensível, rastreável e relevante para as máquinas que decidem quais informações serão apresentadas aos usuários. ### SEO/GEO para escritórios de advocacia A inteligência artificial democratizou a criação de sites. Hoje, escritórios de advocacia conseguem desenvolver páginas institucionais e landing pages com muito mais rapidez e a um custo muito menor. Essa facilidade, contudo, também deslocou o verdadeiro valor. O diferencial agora não é simplesmente colocar um site no ar; é construir uma presença digital capaz de ser encontrada pelo Google e compreendida pelas IAs. Foi justamente para resolver esse problema que desenvolvemos nosso serviço de SEO/GEO para escritórios deadvocacia, voltado a estruturar a presença digital do escritório para os dois principais ambientes de descoberta atuais: as buscas do Google e as respostas geradas por IA. O trabalho combina configurações técnicas, dados estruturados, arquitetura de entidades, conteúdo por localidade e monitoramento contínuo. Clique aqui para aumentar a capacidade do site do seu escritório de ser encontrado, compreendido e citado pelo Google e pelas IAs. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # A IA está mudando o que o cliente espera do escritório de advocacia https://bernardodeazevedo.com/conteudos/ia-escritorio-de-advocacia/ Em seu livro Tomorrow's Lawyers, publicado originalmente em 2013 pela Oxford University Press, Richard Susskind apresentou previsões ousadas para o futuro da advocacia, as quais, à época, não bem recebidas por muitos profissionais da área jurídica. Nesse conjunto de prognósticos, destacava-se a advertência de que a advocacia seria impactada por aquilo que o professor britânico denominou desafio do "mais por menos". ### O desafio do “mais por menos” na advocacia Segundo Susskind, o desafio do "mais por menos" consistiria no desejo cada vez mais acentuado dos clientes de exigir mais qualidade, mais agilidade e melhores resultados, ao mesmo tempo em que pressionam pela redução dos custos. Tratava-se de uma tendência que o autor já percebia manifestar-se à época e com potencial de atingir grandes organizações, pequenas e médias empresas e também pessoas físicas. Escrevi sobre esse desafio em 2019, seis anos depois de o livro ter sido publicado, quando li a obra pela primeira vez. Acompanhando o momento que vivemos agora, cada vez mais influenciado pela IA generativa, senti vontade de revisitar o conceito, adaptando-o à realidade de hoje. Sem dúvida, o desafio do "mais por menos" tem se tornado cada vez mais perceptível, e dois são os seus desdobramentos principais. ### O cliente agora chega mais informado ao escritório O primeiro consiste no fato de que os clientes estão muito mais informados e já chegam ao escritório com a resposta da IA. Escrevi sobre o tema recentemente e tratei da redução da assimetria de informação entre advogado e cliente. Com a disseminação dos LLMs, o cliente agora realiza uma consulta prévia antes de procurar o escritório e, depois, compara aquilo que ouve do profissional com aquilo que a ferramenta de IA respondeu. Tornou-se comum que a conversa se inicie com a afirmação de que a pretensão prescreve em cinco anos, de que existe decisão do STJ sobre o tema ou de que haveria direito a indenização. Se antes o advogado precisava explicar o problema ao cliente, hoje lhe cabe explicar, validar, corrigir e contextualizar. O diferencial, portanto, desloca-se da informação jurídica para a interpretação, a estratégia e o julgamento aplicados ao caso concreto. É provável que você goste: Seu cliente agora chega ao seu escritório de advocacia com a resposta da IA ### A IA mudou a noção de tempo do cliente Hoje, porém, quero tratar do segundo problema, que consiste no fato de que a noção de tempo do cliente é outra e já chega ao escritório moldada pela velocidade da IA. Se antes ele aceitava que algumas etapas exigissem tempo, porque sabia que alguém precisava pesquisar documentos, localizar jurisprudência, organizar informações e elaborar uma primeira versão, hoje conhece ferramentas que executam parte disso em segundos. Antes da IA generativa, produzir uma peça rapidamente era frequentemente sinal de trabalho apressado, de qualidade inferior àquela de uma peça amadurecida e bem pensada. Agora o cliente começou a associar velocidade e qualidade, pois acredita que ele próprio consegue produzir materiais equivalentes, deixando de assinar apenas porque não detém jus postulandi (se o tivesse, provavelmente movimentaria a demanda por conta própria). Por ter agora outra noção de tempo, moldada pela velocidade da IA, o cliente passa a exigir não apenas maior celeridade, mas também maior volume de entregas. O pedido que se resumia a uma tarefa isolada passa a incluir "mais um relatório", "mais uma cláusula", "mais uma petição". A produtividade gerada pela IA traz consigo, portanto, a expansão da demanda, e não a redução proporcional da carga de trabalho do advogado. ### A precificação por resultado ganha espaço na advocacia O modelo econômico do escritório de advocacia também sofre pressão. Se uma atividade que exigia dez horas passa a consumir três, é natural que o cliente pergunte por que continua pagando o mesmo valor. A situação afeta especialmente a remuneração baseada em horas trabalhadas, criando um cenário paradoxal: o escritório produz em menos tempo e, com isso, perde o principal argumento para justificar o que cobra. Não é por outra razão que muitos escritórios de advocacia têm migrado para modelos de precificação atrelados ao resultado (fee by outcome), e não ao esforço empregado. Em vez de oferecer um pacote fechado ao cliente, calculado a partir da complexidade da causa, do volume de documentos e do tempo estimado para a condução da demanda, o advogado passa a oferecer um preço vinculado ao resultado pretendido. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Advogados podem produzir textos quase três vezes mais rápido usando a voz https://bernardodeazevedo.com/conteudos/advogados-produzir-textos-voz/ Estudos revelam que ditar, em vez de digitar, pode tornar a produção de texto quase três vezes mais rápida. Embora usar a voz para escrever não seja um hábito consolidado entre os advogados, aqueles que já incorporaram a prática à rotina obtêm um ganho relevante de produtividade, sobretudo em atividades que exigem registrar com agilidade raciocínios, argumentos e informações antes de convertê-los em documentos estruturados. ### A voz pode acelerar a produção de textos jurídicos Nos últimos anos, as principais ferramentas de inteligência artificial passaram a incorporar recursos de voz, permitindo que os usuários convertam em texto as ideias registradas em áudio. ChatGPT, Gemini e Claude já contam com ditado por voz em tempo real, capturando as nuances daquilo que é falado e transformando o conteúdo em material escrito, apto a ser aproveitado posteriormente para as mais diversas finalidades. Um dos diferenciais do recurso de ditado por voz, além da economia de tempo que ele proporciona, está em permitir que os profissionais da advocacia capturem o raciocínio no momento em que ele se forma, evitando que argumentos e estratégias se percam durante a digitação. Trata-se de um aspecto pouco lembrado quando se discute a substituição da escrita pela fala, mas que faz considerável diferença na prática. É provável que você goste: A IA está mudando o que o cliente espera do escritório de advocacia ### Da voz ao texto com inteligência artificial Advogados frequentemente constroem de forma mental os argumentos, as estratégias e a estrutura das peças antes de começar a escrevê-las, e parte desse raciocínio acaba se perdendo durante o processo de digitação e formatação. Ao ditar primeiro, o profissional consegue registrar o pensamento em seu estado mais bruto, deixando para a IA a etapa posterior de organização, estruturação e refinamento do conteúdo. O fluxo de trabalho passa a ser outro: o profissional da área jurídica dita o raciocínio, a IA transcreve e organiza as ideias em tópicos ou parágrafos e o profissional revisa a estrutura até chegar ao documento final. É possível, ainda, criar assistentes com instruções previamente definidas, de modo que todo áudio enviado siga automaticamente um mesmo padrão de tratamento, o que potencializa ainda mais o uso do recurso. ### A voz pode ser usada muito além das petições Antigamente, alguns profissionais já tinham o costume de ditar as petições no Microsoft Word, por meio do recurso próprio de ditado para elaborar peças. A prática agora ganha outras proporções com o poder da IA generativa. O profissional pode usar o ditado por voz para responder mensagens de clientes ou parceiros no WhatsApp, elaborar e-mails, despachos, relatórios e até mesmo a construção inicial de peças mais complexas. O ditado pode não ser o melhor caminho para todas as tarefas jurídicas, mas grande parte delas certamente se beneficia dele. Estudos já comprovaram esse ganho de produtividade. A entrada de texto por voz pode chegar a 153 palavras por minuto, contra 52 palavras por minuto na digitação, ou seja, um desempenho 2,93 vezes mais rápido, conforme revelou estudo conduzido por pesquisadores de Stanford e da Universidade de Washington. É provável que você goste: 15 formas de usar o Claude para trabalhar com arquivos PDF ### A principal barreira ainda é cultural A maior resistência em adotar o comportamento de ditar em vez de escrever é cultural, não tecnológica. Advogados foram treinados durante décadas para pensar enquanto escrevem, e não para verbalizar primeiro e editar depois. Mudar esse hábito exige adaptação e revisão cuidadosa, já que a fala tende a ser mais desorganizada e repetitiva do que a escrita, além de a ferramenta utilizada nem sempre captar com precisão tudo o que foi dito. Ainda assim, quando utilizada como etapa inicial de elaboração, a voz pode se tornar uma interface eficiente para transformar raciocínio em texto com muito menos atrito. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # 15 formas de usar o Claude para trabalhar com arquivos PDF https://bernardodeazevedo.com/conteudos/15-formas-claude-arquivos-pdf/ Hoje vamos explorar um uso do Claude não muito comum, embora inteiramente possível. Nem todos os profissionais da área jurídica sabem que a ferramenta permite trabalhar com arquivos PDF não apenas para ler e analisar, mas também para editar e manipular esses arquivos (no sentido técnico de "organizar, transformar e ajustar o documento", e não de "alterar seu conteúdo de forma indevida"). Nas capacitações e consultorias que conduzo para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, é comum encontrar profissionais que já tiveram algum contato com o ChatGPT ou com o Claude, mas que exploraram apenas uma fração de suas capacidades. Na maioria das vezes, o uso se limita a tarefas pontuais, como redigir um texto ou tirar uma dúvida rápida, sem que se conheça todo o potencial que essas ferramentas podem oferecer à rotina jurídica. Há poucos dias, durante uma capacitação, uma advogada comentou que, se a inteligência artificial fosse capaz de organizar em uma planilha os valores e prazos de dezenas de contratos, aquilo seria "o sonho da vida dela". O curioso é que isso já estava ao alcance dela; bastava a orientação adequada. O episódio revela um dos principais obstáculos ao uso mais amplo da IA generativa: nem sempre conhecemos tudo o que essa tecnologia é capaz de fazer. E aquilo que desconhecemos, naturalmente, não incorporamos à nossa rotina. O Claude é uma ferramenta poderosa, que reúne o potencial dos LLMs a recursos adicionais capazes de potencializar ainda mais suas capacidades. Nesse contexto, entendo ser essencial que os profissionais da área jurídica conheçam essas possibilidades, de modo a explorar ao máximo os recursos disponíveis. É provável que você goste: Este é um dos maiores erros dos advogados ao usar IA na prática jurídica ### Trabalhando com arquivos PDF no Claude Um exemplo prático está no trabalho com arquivos em PDF. Muitos usuários do Claude já sabem que a ferramenta é capaz de analisar documentos e auxiliar na construção de teses e argumentos a partir de arquivos em PDF. Mas nem todos sabem que o Claude permite realizar diversas operações nesses documentos sem precisar recorrer a outros recursos. Na prática, com o Claude é possível: juntar PDF, dividir PDF, extrair páginas de PDF, remover páginas de PDF, reorganizar páginas de PDF, rotacionar páginas de PDF, adicionar números de página em PDF, proteger PDF com senha, converter PDF para outros formatos, converter imagens para PDF, converter PDF para imagens, extrair imagens de PDF, fazer OCR de PDF, comparar PDFs e criar PDF. Esse conhecimento é útil ao advogado porque a rotina jurídica é, em grande parte, uma rotina de documentos: petições, contratos, provas e decisões chegam e saem do escritório majoritariamente em PDF. Saber que o Claude realiza essas operações diretamente evita a necessidade de recorrer a diversos programas isolados apenas para juntar peças processuais, extrair um trecho específico, proteger um documento sigiloso com senha ou converter um arquivo escaneado em texto pesquisável. Além disso, tarefas como comparar versões de um contrato ou organizar páginas de um processo digitalizado, quando feitas manualmente, consomem tempo que poderia ser dedicado à análise jurídica propriamente dita. Assim, dominar essas funcionalidades representa ganho direto de eficiência e menor dependência de ferramentas externas no dia a dia da advocacia. É provável que você goste: Como transformar qualquer livro jurídico em uma skill do Claude sem desperdiçar tokens ### Claude como um aliado valioso Incorporar essas funcionalidades à rotina do escritório significa reduzir a dependência de programas externos e simplificar tarefas que, embora corriqueiras, costumam consumir tempo valioso da equipe. Conhecer essas possibilidades é o primeiro passo para transformar o Claude em um verdadeiro aliado da prática jurídica, não apenas como recurso de consulta, mas como instrumento de produtividade no dia a dia do escritório. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Seu cliente agora chega ao seu escritório de advocacia com a resposta da IA https://bernardodeazevedo.com/conteudos/cliente-escritorio-de-advocacia/ A inteligência artificial (IA) está transformando o trabalho jurídico de inúmeras formas e, no âmbito da advocacia, tem reduzido a assimetria de informação entre advogado e cliente. Com a disseminação dos grandes modelos de linguagem (LLMs), o cliente realiza uma consulta prévia antes de procurar o escritório de advocacia e, depois, chega ao atendimento comparando aquilo que ouviu do profissional com aquilo que a IA respondeu. Em 2026, já se tornou comum que o cliente inicie a conversa afirmando que pesquisou seu caso em alguma inteligência artificial, que a pretensão prescreve em cinco anos, que a ferramenta mencionou a existência de decisão do STJ sobre o tema, que, pelo que consultou, teria direito a indenização, ou ainda que identificou três teses possíveis. O advogado, portanto, passa a atender um cliente que já construiu expectativas e conclusões sobre o próprio caso. ### Como a IA está mudando o atendimento no escritório de advocacia Se, antigamente, o advogado precisava principalmente explicar o problema; agora, com frequência, terá de explicar, validar, corrigir e contextualizar. O conhecimento jurídico, que sempre foi diferencial do profissional da advocacia, passa a estar amplamente disponível. Ter informação jurídica deixa de ser um diferencial competitivo tão relevante, e o diferencial migra para a interpretação, a estratégia, o julgamento e a aplicação ao caso concreto. Essa mudança faz da consulta inicial também um exercício de disputa de credibilidade. Não basta mais informar o cliente sobre determinado prazo ou tese; é preciso demonstrar por que aquilo que ele leu ou ouviu de uma IA, embora genericamente correto, pode não se aplicar ao seu caso específico. É justamente essa capacidade de contextualizar uma resposta genérica diante da realidade concreta do cliente que passa a diferenciar o profissional. É provável que você goste: Este é um dos maiores erros dos advogados ao usar IA na prática jurídica ### O cliente está usando IA para questionar e redirecionar o trabalho jurídico Recentemente, conduzi uma enquete com meu grupo de mentoria e com a minha comunidade no Instagram, formulando a seguinte pergunta: seu cliente já usou inteligência artificial para questionar ou redirecionar o seu trabalho jurídico? O resultado foi expressivo: 78,6% dos participantes responderam afirmativamente, enquanto apenas 21,4% dos respondentes indicaram que ainda não vivenciaram essa situação. Ainda que a amostra não tenha a representatividade de um levantamento nacional abrangendo toda a advocacia brasileira, os dados sugerem que os clientes estão chegando às reuniões já informados e, de algum modo, questionando ou tentando redirecionar o trabalho jurídico do profissional. Se esse comportamento se consolidar, é razoável supor que a informação jurídica básica perca valor econômico nos próximos anos. É provável que você goste: Seu escritório de advocacia contratou várias ferramentas de IA. O que mudou na operação? ### O que realmente gera valor para o cliente na advocacia Mesmo que alguns profissionais não tenham sentido isso em reunião, é provável que essa realidade já esteja mais próxima do que parece. Embora o conhecimento jurídico em si continue relevante, a camada que efetivamente possui valor econômico se desloca da informação básica para a leitura fina do caso e para a decisão sobre o melhor caminho a seguir, ou seja, para aquilo que nenhuma ferramenta consegue entregar sozinha. Escritórios de advocacia cujo diferencial ainda é o acesso à informação básica correm o risco de competir diretamente com a ferramenta que o próprio cliente já usa em casa. Por outro lado, escritórios de advocacia que concentram o trabalho na leitura do caso concreto, na estratégia e no julgamento profissional encontram, nesse mesmo cenário, um diferencial mais nítido do que tinham antes. Novos tempos, novos desafios. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Como transformar qualquer livro jurídico em uma skill do Claude sem desperdiçar tokens https://bernardodeazevedo.com/conteudos/livro-juridico-skill-do-claude/ O Claude já conta com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais, número que cresce continuamente. A ferramenta, que permaneceu por um longo período sem o lançamento de novas funcionalidades, levando muitos a acreditar que pouco mais teria a inovar, vem lançando recurso após recurso e promovendo melhorias significativas em sua camada de serviços, com o objetivo de auxiliar profissionais da área jurídica em suas atividades diárias. O Claude vem ampliando rapidamente sua presença no mercado, à medida que a Anthropic acelera o lançamento de recursos que transformam a ferramenta de um simples ambiente de conversação em uma plataforma voltada à execução de trabalho profissional. Entre as principais novidades estão o Cowork, os plugins e skills, as tarefas agendadas, o Dispatch, o Computer Use, a memória reformulada e a integração com o Microsoft 365. ### Novos recursos para a área jurídica Para a área jurídica, o avanço foi ainda mais específico, com o lançamento de conectores MCP e plugins especializados voltados a atividades contratuais, de due diligence, propriedade intelectual e contencioso, além de integrações com plataformas como Thomson Reuters CoCounsel e Harvey. Paralelamente, a Anthropic vem renovando seus modelos em ritmo acelerado, ampliando capacidades de raciocínio e de execução de tarefas agênticas. Apesar de todos esses avanços, a maioria dos profissionais ainda segue utilizando a ferramenta como um simples chatbot. Ou seja, limitam-se a fazer perguntas pontuais e obter respostas diretas, sem explorar os recursos mais avançados disponibilizados pela plataforma, como as skills, capazes de transformar a forma como o conhecimento é armazenado e acessado dentro do próprio Claude. ### O que são as skills do Claude Uma skill pode ser definida como um diretório organizado de instruções, scripts e recursos que o Claude é capaz de descobrir e carregar de forma dinâmica, conforme a necessidade de cada tarefa. Trata-se de um mecanismo que transforma o modelo de um assistente de propósito geral em um especialista com conhecimento específico sobre determinado domínio, procedimento ou fluxo de trabalho. Cada skill é estruturada em torno de um arquivo principal, denominado SKILL.md, que reúne metadados como nome e descrição, seguidos das instruções propriamente ditas. A partir desse arquivo, é possível referenciar documentos complementares, como manuais de referência ou seções mais detalhadas, além de scripts executáveis em linguagens como Python ou Bash, destinados à execução de operações determinísticas. É provável que você goste: Seu escritório de advocacia contratou várias ferramentas de IA. O que mudou na operação? ### Transformando qualquer livro jurídico em uma skill do Claude Entre as diversas possibilidades do Claude, destaca-se a capacidade de transformar qualquer livro em uma skill, sem que isso implique consumo excessivo de tokens a cada utilização. Atualmente, profissionais da área jurídica já podem instalar a Book to Skill, destinada a converter livros, manuais e obras jurídicas em uma base de conhecimento inteligente dentro da ferramenta. Essa skill organiza o conteúdo em partes menores, permitindo que o Claude acesse apenas o capítulo necessário para responder à pergunta formulada. Nesse sentido, elaborei um material didático com o passo a passo para a instalação da skill no seu Claude. Clique aqui para acessar o material. Recomendo que você utilize apenas livros e materiais sobre os quais se possua direito de uso ou autorização para processamento. É provável que você goste: Este é um dos maiores erros dos advogados ao usar IA na prática jurídica ### Mais do que um simples chatbot O potencial do Claude ultrapassa, em muito, o uso limitado a perguntas pontuais em formato de chatbot. A possibilidade de transformar livros, manuais e obras jurídicas em skills representa um passo relevante rumo a um uso mais estratégico da ferramenta, permitindo que o profissional da área jurídica conte com uma base de conhecimento especializada, sempre disponível e acessada de forma eficiente. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Este é um dos maiores erros dos advogados ao usar IA na prática jurídica https://bernardodeazevedo.com/conteudos/erros-ia-na-pratica-juridica/ Um dos maiores erros dos advogados ao utilizar IA na prática jurídica é acreditar que basta assinar a melhor ferramenta disponível no mercado para obter grandes resultados. Esse equívoco decorre de uma expectativa equivocada sobre o próprio funcionamento da tecnologia. Não é a sofisticação da ferramenta que determina o sucesso de sua aplicação, mas a forma como ela é incorporada à rotina de trabalho. ### A melhor ferramenta de IA não garante melhores resultados na advocacia A situação assemelha-se à de alguém que paga a mensalidade da academia, comparece diariamente, mas caminha na esteira de forma aleatória e realiza apenas alguns exercícios leves, sem planejamento, progressão ou acompanhamento. Ainda que essa rotina produza algum benefício, dificilmente resultará na transformação física expressiva que se observa em quem segue um método estruturado. Com a inteligência artificial ocorre fenômeno semelhante. Assim como frequentar a academia sem seguir um método não garante uma transformação física, assinar uma ferramenta de IA e utilizá-la diariamente não garante ao profissional resultados concretos em seu trabalho. Um dos maiores equívocos cometidos pelos advogados consiste em acreditar que a simples contratação da melhor ferramenta disponível é suficiente para produzir grandes resultados. ### O uso de IA sem método aumenta o retrabalho no escritório É certo que a IA permite ao advogado gerar novas teses, resumir documentos e elaborar a primeira versão de uma peça processual com maior agilidade. Contudo, quando utilizada sem método definido, critérios de qualidade, integração aos processos internos e acompanhamento de indicadores, o ganho inicial de tempo tende a ser consumido por novas etapas de correção, conferência e retrabalho. Muitos escritórios de advocacia acreditam estar avançando na adoção da inteligência artificial ao contratar licenças do ChatGPT ou do Claude para todos os seus profissionais. Mas de nada adianta assinar a ferramenta de IA mais poderosa do mercado se não houver clareza quanto aos gargalos prioritários, aos processos que devem ser aprimorados e aos resultados que se pretende alcançar. É provável que você goste: Advogados estão usando IA para tudo, mas nem todo processo se beneficia dela ### O diagnóstico dos gargalos deve vir antes da escolha da ferramenta de IA Quando esse mapeamento é realizado de maneira adequada, a escolha da ferramenta deixa de constituir o ponto de partida e passa a ser orientada pelos problemas concretos que o escritório precisa resolver. Esse mapeamento consiste, essencialmente, em identificar com precisão onde estão os gargalos operacionais do escritório: quais etapas consomem tempo excessivo, quais processos dependem de retrabalho constante, quais tarefas poderiam ser automatizadas sem comprometer a qualidade da entrega e quais resultados, de fato, precisam ser alcançados para justificar o investimento em tecnologia. Somente a partir dessa compreensão é possível definir, com clareza, qual ferramenta de IA melhor se adequa à realidade do escritório, e não o contrário. Quando a ordem é invertida, isto é, quando a ferramenta é adquirida antes de qualquer diagnóstico, o escritório corre o risco de adaptar seus processos às limitações ou às particularidades da tecnologia escolhida, em vez de selecionar a tecnologia que efetivamente atenda às suas necessidades. É provável que você goste: Seu escritório de advocacia contratou várias ferramentas de IA. O que mudou na operação? ### Como obter melhores resultados com IA na prática jurídica O mapeamento adequado permite que o escritório estabeleça indicadores objetivos para mensurar o impacto da IA em sua rotina, tais como redução de tempo em determinadas tarefas, diminuição de retrabalho ou aumento da produtividade em áreas específicas. Dessa forma, a adoção da tecnologia deixa de ser uma decisão baseada em tendência de mercado e passa a integrar uma estratégia consciente, orientada por dados e por necessidades reais, o que confere à ferramenta escolhida maior probabilidade de gerar resultados concretos e sustentáveis ao longo do tempo. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Seu escritório de advocacia contratou várias ferramentas de IA. O que mudou na operação? https://bernardodeazevedo.com/conteudos/escritorio-ferramentas-de-ia/ Um número cada vez maior de advogados já utiliza inteligência artificial (IA) em suas atividades profissionais. Também é crescente o número de escritórios de advocacia que contratam ferramentas de IA para que suas equipes de profissionais tenham acesso às melhores ferramentas disponíveis no mercado, como ChatGPT, Gemini e Claude. Esse é o cenário atual e, dele, decorrem dois problemas principais. ### Por que usar IA não significa ter uma estratégia de IA O primeiro problema reside no fato de que o acesso às ferramentas é padronizado, mas o uso não o é. O escritório adquire dezenas de licenças de inteligência artificial para uso de seus profissionais. Contudo, cada profissional decide, por conta própria, o que pergunta, o que revisa e o que aceita como resposta pronta da IA. Na prática, 30 advogados utilizando a mesma licença do ChatGPT podem significar 30 critérios de qualidade diferentes. E nenhum desses critérios é definido pelo escritório. O segundo problema é que nem sempre se acompanha o resultado da utilização. Os sócios do escritório de advocacia sabem dizer quantas licenças foram compradas e, talvez, até quantas pessoas acessam a ferramenta diariamente, mas não sabem responder: Quais entregas ficaram mais rápidas Quais processos melhoraram O que se transformou em retrabalho Seria ótimo se pudessem pagar 100 e poucos reais por mes e ter uma transformacao signifiativa no escritorio, mas nao é o que acontece na pratica. ainda que alguns resultados sejam perceptiveis com o uso islado das ferramtenas, a grande transformacao de fato aconeecce quando mapeamentoso s gargalos operanicoais nos minimos detalhes, entendemos os processo e fluxos ineternos do escritorios e temors cclareza sobre o resultado esperado. É provável que você goste: Advogados estão usando IA para tudo, mas nem todo processo se beneficia dela ### Como saber se as ferramentas de IA estão gerando resultado no escritório Esses dois problemas explicam por que um escritório de advocacia pode ter alta adoção de inteligência artificial e, mesmo assim, nenhuma estratégia. Ter uma estratégia de IA é ter clareza, antes de pensar na ferramenta em si, sobre: GARGALO Onde o trabalho realmente trava. PROCESSO Como as etapas funcionam hoje. RESULTADO O que se espera ao final. Seria perfeito se fosse possível pagar apenas 100 e poucos reais por mês e obter, com isso, uma mudança significativa no escritório. Contudo, não é isso o que acontece na prática. Ainda que alguns resultados sejam perceptíveis com o uso isolado das ferramentas, a grande transformação ocorre quando se mapeiam os gargalos operacionais, quando se compreendem os processos e fluxos internos do escritório e quando se tem clareza sobre o resultado esperado. ### Como funciona um diagnóstico estratégico de IA Tenho acompanhado diversos escritórios de advocacia nessa jornada de implementação de inteligência artificial, que começa por um diagnóstico estratégico. Esse diagnóstico parte de dentro do escritório e lê a operação de forma estruturada. Mais do que compreender as ferramentas já utilizadas, conduzo entrevistas com quem faz o trabalho, exame dos fluxos, das rotinas, dos riscos e dos pontos onde a qualidade e o prazo se perdem. Nesse processo, observo os objetivos do escritório, as prioridades de crescimento e o papel que a inteligência artificial deve ocupar neles. Verifico também as rotinas, os gargalos, o retrabalho e as etapas manuais que consomem horas qualificadas, além das ferramentas já contratadas, do que está subutilizado e do que, de fato, ainda falta. Por fim, avalio a maturidade da equipe, as resistências reais e as necessidades concretas de capacitação. O diagnóstico é ideal para escritórios que já usam IA sem saber o que ela mudou nos números, têm trabalho repetitivo consumindo horas de advogados, precisam definir uma política interna de uso antes que ela se defina sozinha e/ou têm orçamento para implementar o que for priorizado. Clique aqui para saber mais sobre o diagnóstico estratégico de IA --- # Advogados estão usando IA para tudo, mas nem todo processo se beneficia dela https://bernardodeazevedo.com/conteudos/advogados-estao-usando-ia/ Atualmente, é comum observar escritórios de advocacia utilizando a inteligência artificial (IA) generativa em praticamente todas as suas atividades, orientados por uma lógica aparentemente simples: se a ferramenta já está sendo paga mensalmente, por que não utilizá-la em tudo? Esse raciocínio, embora pareça eficiente à primeira vista, costuma conduzir ao uso indiscriminado da IA, inclusive em atividades nas quais sua contribuição é pouco relevante. A verdade é que nem todo processo precisa de IA. Em muitos casos, o uso da IA não gera ganho de tempo ou produtividade, mas apenas retrabalho adicional, de modo que o advogado poderia executar o mesmo procedimento manualmente em prazo bem inferior, sem a necessidade de despender esforço na criação de uma solução como um assistente no ChatGPT ou uma skill no Claude. ### Como saber se uma atividade jurídica precisa de IA Nos últimos anos, tive a oportunidade de capacitar dezenas de escritórios, desenvolver diferentes aplicações em inteligência artificial, desde soluções mais simples até as mais complexas, e ministrar centenas de horas de treinamento. Ao longo desse percurso, foi possível perceber que, atualmente, para a criação de uma solução de IA, é importante responder a três perguntas, capazes de indicar se, de fato, faz sentido investir nesse tipo de solução: A atividade se repete bastante? Ela costuma seguir os mesmos passos? O ganho esperado justifica o esforço de implementação? Três respostas afirmativas indicam que uma solução de inteligência artificial pode ser ideal para essa atividade. É provável que você goste: Saiba como usar o ChatGPT para audiências judiciais ### Como um assistente de IA agilizou ações de execução Para exemplificar, em um escritório de advocacia que visitei recentemente, construi um assistente de IA para apoiar a elaboração de ações de execução de título executivo extrajudicial. O escritório de advocacia tinha um volume elevado desse tipo de demanda, e o trabalho seguia uma lógica bastante repetitiva. Embora os dados, documentos e valores variassem de um caso para outro, os passos necessários para estruturar a petição eram, em essência, os mesmos. As ações de execução de título executivo extrajudicial apresentavam uma estrutura exatamente igual, de modo que um profissional que fosse elaborar uma nova ação deveria, essencialmente, apenas alterar o nome da parte autora, o nome da parte ré, a comarca e os dados relativos ao título e à data. Tratava-se de uma tarefa repetitiva que consumia certo tempo, normalmente porque era necessário buscar esses dados nos locais corretos. Uma vez pronto o assistente, o profissional passava a precisar apenas enviar a documentação, que já era devolvida com tudo preenchido. Esse é justamente o tipo de atividade que pode ser aprimorado com IA: há volume, repetição, um processo relativamente padronizado e um resultado esperado claramente definido. No caso do escritório, o ganho potencial de tempo e redução de trabalho manual justificava o esforço necessário para testar e implementar a solução de IA. ### Quando a IA realmente gera produtividade A IA não deve ser aplicada indiscriminadamente a qualquer tarefa apenas pelo fato de estar disponível aos advogados, mas sim direcionada às atividades em que efetivamente agrega valor. Antes de investir tempo e recursos na criação de um assistente ou de uma skill, cabe ao profissional avaliar se a atividade em questão apresenta volume, repetitividade e um processo padronizado o suficiente para justificar o esforço de implementação. Quando essas condições não estão presentes, a solução manual tende a ser mais rápida e eficiente do que qualquer tentativa de solucionar o problema com IA. Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Mapeie a sua concorrência na advocacia com o ChatGPT https://bernardodeazevedo.com/conteudos/concorrencia-na-advocacia-chatgpt/ Advogados podem utilizar o ChatGPT de inúmeras formas e para as mais diversas finalidades. Uma das possibilidades que a ferramenta desenvolvida pela OpenAI oferece é a de mapear a concorrência na advocacia, sobretudo na área ou nicho em que os profissionais atuam ou que pretendem atuar. ### Mapeie a sua concorrência na advocacia Veja um exemplo de comando: Meu escritório de advocacia deseja expandir sua atuação em [DESCREVA A ÁREA OU NICHO]. Liste os principais concorrentes, organizando a relação a partir de [DEFINA O CRITÉRIO: Nº DE COLABORADORES, ABRANGÊNCIA, PERÍODO DE FUNDAÇÃO, ETC…] Preenchendo, o comando ficará algo como isto: Meu escritório de advocacia deseja expandir sua atuação em Direito do Trabalho. Liste os principais concorrentes, organizando a relação a partir de abrangência no Brasil. É provável que você goste: Saiba como usar o ChatGPT para audiências judiciais Ainda que os números de colaboradores possam estar desatualizados, por limitações da própria ferramenta, o ChatGPT fornecerá um norte e criará uma lista com a concorrência na advocacia, listando os escritórios de advocacia atuantes nas áreas ou nichos informados. No caso do comando acima, o ChatGPT apresentou as seguintes respostas: - Trench Rossi Watanabe – O escritório é um dos maiores e mais renomados do Brasil, com atuação em diversas áreas do Direito, incluindo o Trabalhista. Possui filiais em várias cidades do país e uma equipe de mais de 700 advogados. - Mattos Filho – Com forte presença em São Paulo, o escritório tem atuação destacada em várias áreas, incluindo o Direito do Trabalho. Também possui filiais em outras cidades do país e uma equipe de mais de 600 advogados. - Pinheiro Neto – O escritório tem uma das maiores equipes de advogados do país e atuação em várias áreas, incluindo o Trabalhista. Possui filiais em várias cidades do Brasil, além de escritórios internacionais. - Demarest – Com sede em São Paulo e filiais em outras cidades do país, o escritório tem atuação destacada em diversas áreas do Direito, incluindo o Trabalhista. Possui uma equipe de mais de 600 advogados. - TozziniFreire – O escritório tem sede em São Paulo e filiais em outras cidades do Brasil, com atuação em diversas áreas do Direito, incluindo o Trabalhista. Possui uma equipe de mais de 400 advogados. É possível desmembrar cada um dos resultados ou pedir ao ChatGPT que informe mais escritórios concorrentes. A partir dos resultados exibidos pela ferramenta, você poderá complementar ainda mais a pesquisa sobre a concorrência na advocacia, acessando sites como Google Alerts, Similar Web, SEMRush, entre outros. Além de mapear a concorrência na advocacia, os advogados podem também utilizar o ChatGPT para reescrever parágrafos prolixos de forma objetiva, listar ideias de recursos visuais para utilizar na petição, antecipar as teses jurídicas da parte contrária, criar títulos explicativos para os tópicos da petição, gerar roteiros e variações de perguntas para as audiências, criar textos de e-mails para situações específicas e criar resumos das teses apresentadas na petição. O ChatGPT pode ter um papel significativo no futuro da advocacia, ajudando os advogados a trabalharem de maneira mais eficiente e produtiva. Com a automação de tarefas rotineiras, os profissionais da advocacia poderão dedicar mais tempo à experiência do cliente e à definição de estratégias para expansão. No futuro, a inteligência artificial e outras tecnologias poderão transformar radicalmente a forma como a advocacia é exercida, abrindo novas oportunidades para os profissionais e, ao que tudo sugere, melhorando a prestação de serviços jurídicos. ### Material com comandos para ChatGPT Se você está interessado em aprender como utilizar o ChatGPT em oito atividades específicas da advocacia, eu disponibilizei um guia completo com instruções. Para receber esse material, basta entrar em contato através do e-mail contato@bernardodeazevedo.com. Quer estar por dentro de ferramentas de inteligência artificial para a advocacia? Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado. --- # Como antecipar argumentos da parte contrária com o ChatGPT https://bernardodeazevedo.com/conteudos/argumentos-da-parte-contraria/ Uma das possibilidades de usar o ChatGPT na advocacia é para antecipar as teses e argumentos da parte contrária. A ferramenta é capaz de gerar ideias de teses e argumentos que poderão surgir durante a instrução processual. Ao antecipar um relação de possíveis argumentos da parte contrária com o ChatGPT, você poderá apresentar uma defesa ainda mais efetiva e assertiva. ### Antecipando argumentos da parte contrária Veja um exemplo de comando que pode ser utilizado para antecipar argumentos da parte contrária: Estou elaborando uma petição para um caso envolvendo indenização por danos morais e desejo sustentar que minha cliente teve um abalo moral muito forte em decorrência de um cancelamento de voo, pois perdeu o casamento da melhor amiga. Quais os principais argumentos que o advogado da parte contrária pode alegar para refutar a minha tese? O ChatGPT irá gerar uma relação com cinco ou mais possíveis argumentos da parte contrária, desdobrando cada um deles em algumas linhas. Aqui estão respostas fornecidas a partir do comando anterior: - A responsabilidade pelo cancelamento do voo não é da companhia aérea, mas sim de condições climáticas ou outras circunstâncias alheias ao controle da empresa; - A perda do casamento da melhor amiga não configura um dano moral tão significativo a ponto de justificar uma indenização; - A cliente não comprovou efetivamente que teve um abalo moral decorrente do cancelamento do voo, já que não há provas suficientes de que ela passou por transtornos psicológicos em decorrência do evento; - O valor pleiteado pela indenização é exagerado e não condiz com a extensão do suposto dano moral sofrido pela cliente; - A empresa aérea prestou toda a assistência necessária à cliente após o cancelamento do voo, e não há justificativa para uma indenização adicional. É provável que você goste: Saiba como usar o ChatGPT para audiências judiciais Se algum deles fizer mais sentido do que os demais, você poderá pedir ao ChatGPT que desenvolva melhor esse tópico. Veja um exemplo de comando: Desenvolva, em um parágrafo, o argumento apresentado no item 5. Aqui estão respostas fornecida a partir do comando anterior: O advogado da parte contrária poderia alegar que a cliente não fez uso de meios alternativos de transporte para chegar ao seu destino, ou ainda que ela teria se apresentado atrasada no aeroporto, o que teria contribuído para a perda do voo. A ideia, em síntese, é usar a ferramenta para antecipar o leque de possíveis teses que poderão surgir. Há, portanto, imenso potencial de usar o ChatGPT para saber de antemão os argumentos da parte contrária e preparar uma defesa assertiva e eficiente. ### Material com comandos para ChatGPT Disponibilizei um guia completo com instruções para utilizar o ChatGPT em oito atividades específicas da advocacia. Se você deseja receber esse material, entre em contato através do e-mail contato@bernardodeazevedo.com. Quer estar por dentro de ferramentas de inteligência artificial para a advocacia? Siga-me no Facebook, Instagram e LinkedIn e acompanhe conteúdos diários para se manter atualizado.