ChatGPT, Gemini ou Claude? A resposta começa pelo diagnóstico, não pela ferramenta

Em capacitações, palestras e consultorias para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, é frequente que algum profissional me pergunte qual ferramenta de IA deveria efetivamente adotar em sua rotina. Em geral, a dúvida se resume a saber se convém assinar o ChatGPT, o Gemini ou o Claude. Embora muitos profissionais busquem uma resposta que indique qual seria a ferramenta ideal, essa escolha depende de uma etapa anterior: o diagnóstico do trabalho que se pretende melhorar.
Iniciar pela escolha da ferramenta é um erro de diagnóstico. Antes de definir qual IA adquirir, o escritório precisa responder a uma pergunta mais relevante: qual problema pretende resolver? A partir daí, deve compreender também como esse problema se manifesta no processo de trabalho, quais etapas estão envolvidas e onde estão os principais gargalos. São esses elementos que devem orientar a escolha da tecnologia, e não o contrário. Sem essa análise prévia, o risco é adquirir uma solução sofisticada para, somente depois, sair à procura de tarefas que justifiquem sua utilização.
Usar IA manualmente já não é suficiente
O comportamento mais comum hoje ainda é o do advogado que incorpora a IA ao trabalho de forma manual: digita prompts, envia documentos, recebe respostas e depois copia o resultado de volta para o Word, o e-mail, o WhatsApp ou qualquer outro ambiente em que a tarefa precisa ser concluída.
Ao final do dia, existe a sensação de que houve um avanço, e, de fato, há algum ganho, pois ainda é melhor utilizar a tecnologia dessa forma do que não utilizá-la. O problema é que os principais gargalos do fluxo de trabalho permanecem intactos. A atividade continua fragmentada entre diferentes ferramentas, exige sucessivas intervenções manuais e mantém etapas desnecessárias, que geram retrabalho, perda de tempo e baixa escalabilidade.
Essa etapa de uso da IA já ficou para trás. No início, quando a curva de aprendizado da tecnologia ainda estava em curso, fazia sentido trabalhar dessa maneira: abrir a ferramenta, inserir prompts, enviar documentos, copiar as respostas e encaixá-las manualmente no fluxo de trabalho. Tratava-se de uma fase de experimentação e descoberta. Hoje, porém, o escritório que permanece limitado a esse modelo está deixando de aproveitar uma parcela importante do valor que a IA pode oferecer.
O diagnóstico revela onde a IA pode gerar valor
O foco precisa deixar de estar no uso isolado da ferramenta e passar para o diagnóstico do próprio trabalho. É necessário identificar onde estão os gargalos: atividades excessivamente repetitivas, etapas que consomem tempo desproporcional, processos sujeitos a erros, conhecimento difícil de recuperar, tarefas que dependem em excesso de profissionais específicos ou serviços que poderiam ser entregues com mais qualidade, velocidade ou escala.
Somente a partir desse diagnóstico é que se torna pertinente avaliar qual combinação de IA, automação, integração entre sistemas ou redesenho de processo é capaz de solucionar o problema identificado. A IA permite, portanto, greorganizar o trabalho a partir das capacidades que essa tecnologia passou a oferecer.
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Como funciona um diagnóstico estratégico de IA
Tenho acompanhado diversos escritórios de advocacia nessa jornada de implementação de inteligência artificial, que começa por um diagnóstico estratégico. Esse diagnóstico parte de dentro do escritório e lê a operação de forma estruturada. Mais do que compreender as ferramentas já utilizadas, conduzo entrevistas com quem executa o trabalho e examino os fluxos, as rotinas, os riscos e os pontos em que a qualidade e o prazo se perdem.
Nesse processo, observo os objetivos do escritório, as prioridades de crescimento e o papel que a inteligência artificial deve ocupar neles. Verifico também as rotinas, os gargalos, o retrabalho e as etapas manuais que consomem horas qualificadas, além das ferramentas já contratadas, do que está subutilizado e do que, de fato, ainda falta. Por fim, avalio a maturidade da equipe, as resistências reais e as necessidades concretas de capacitação.
Quando o escritório de advocacia precisa de um diagnóstico de IA
O diagnóstico é indicado para escritórios de advocacia que já utilizam IA sem saber ao certo o que ela mudou nos números, que têm trabalho repetitivo consumindo horas de advogados, que precisam definir uma política interna de uso antes que ela se defina por conta própria ou que já dispõem de orçamento para implementar o que for priorizado.
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