A pergunta mais importante que seu escritório de advocacia deve fazer sobre IA

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A pergunta mais importante que seu escritório de advocacia deve fazer sobre IA

O argumento econômico da IA dentro do escritório de advocacia está deixando de girar em torno da eficiência para passar a se apoiar na capacidade. Durante a primeira fase de adoção da IA generativa, o discurso de valor concentrou-se sobretudo na produtividade: economizar horas, reduzir custos, acelerar pesquisas, redigir documentos jurídicos com maior rapidez e automatizar tarefas repetitivas. Embora esse raciocínio ainda seja relevante para qualquer escritório, ele vem cedendo espaço, progressivamente, a uma abordagem distinta.

Da eficiência à ampliação de capacidade

Se a pergunta dominante até então era quanto tempo seria possível economizar, enxergando a IA apenas como uma ferramenta destinada a acelerar aquilo que já se fazia anteriormente, o questionamento central passa a ser outra: o que agora se torna possível fazer que antes não era? Aos poucos, a IA generativa está deixando de ser apenas uma tecnologia de eficiência para constituir uma tecnologia de ampliação de capacidade.

O valor econômico não reside somente na redução do tempo necessário para executar uma tarefa, mas também na possibilidade de realizar atividades que antes seriam inviáveis por demandarem um número excessivo de pessoas, um tempo de dedicação incompatível com a rotina de trabalho ou um custo superior ao benefício esperado.

O que seu escritório de advocacia consegue fazer agora que antes não conseguia?

Em termos práticos, utilizar a IA para produzir a primeira versão de uma petição em 30 minutos, em vez de três horas, representa um ganho de eficiência. Já empregar a IA para submeter essa peça a múltiplas perspectivas adversariais, identificar fragilidades argumentativas, localizar precedentes conflitantes, antecipar possíveis ataques da parte contrária e simular diferentes cenários processuais amplia capacidade de atuação do profissional.

Um advogado poderia, em tese, executar manualmente todas essas tarefas, mas dificilmente as conduziria de maneira sistemática em cada processo. É precisamente nesse ponto que a IA transforma aquilo que era excepcional em uma capacidade operacional recorrente.

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O retorno sobre a IA não pode ser medido apenas em horas

Dessa mudança decorre, também, uma nova forma de calcular o retorno sobre o investimento. Medir apenas as horas economizadas pode subestimar significativamente o valor criado, já que o retorno passa a incorporar novas dimensões: quantas análises adicionais podem ser realizadas, quantas hipóteses podem ser testadas, quantos cenários podem ser simulados, quantos documentos podem ser examinados simultaneamente e quantos clientes podem receber um nível de análise que antes seria economicamente inviável. A equação deixa, assim, de restringir-se à mesma atividade executada a um custo menor, passando a incluir novas atividades, nova escala e novas possibilidades.

Tecnologias transformadoras produzem seus maiores efeitos quando deixam de apenas otimizar comportamentos existentes e passam a criar comportamentos que antes não eram economicamente possíveis. É exatamente isso que está começando a acontecer com a IA no campo jurídico. Se a primeira onda de adoção orientou-se pela produtividade, voltada a executar o trabalho existente com maior rapidez e menor custo, a próxima tende a orientar-se pela capacidade, voltada a realizar trabalhos que antes não cabiam dentro das limitações humanas de tempo, atenção e escala.

Em suma, a pergunta mais importante que seu escritório deve fazer sobre IA não é quantas horas foram economizadas com seu uso, mas sim: o que agora conseguimos fazer que antes simplesmente não conseguíamos?


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