Advogados podem produzir textos quase três vezes mais rápido usando a voz

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Advogados podem produzir textos quase três vezes mais rápido usando a voz

Estudos revelam que ditar, em vez de digitar, pode tornar a produção de texto quase três vezes mais rápida. Embora usar a voz para escrever não seja um hábito consolidado entre os advogados, aqueles que já incorporaram a prática à rotina obtêm ganho relevante de produtividade, sobretudo em atividades que exigem registrar com agilidade raciocínios, argumentos e informações antes de convertê-los em documentos estruturados.

A voz pode acelerar a produção de textos jurídicos

Nos últimos anos, as principais ferramentas de inteligência artificial passaram a incorporar recursos de voz, permitindo que os usuários convertam em texto as ideias registradas em áudio. ChatGPT, Gemini e Claude já contam com ditado por voz em tempo real, capturando as nuances daquilo que é falado e transformando o conteúdo em material escrito, apto a ser aproveitado posteriormente para as mais diversas finalidades.

Um dos diferenciais do recurso de ditado por voz, além da economia de tempo que ele proporciona, está em permitir que os profissionais da advocacia capturem o raciocínio no momento em que ele se forma, evitando que argumentos e estratégias se percam durante a digitação. Trata-se de um aspecto pouco lembrado quando se discute a substituição da escrita pela fala, mas que faz considerável diferença na prática.

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Advogados frequentemente constroem de forma mental os argumentos, as estratégias e a estrutura das peças antes de começar a escrevê-las, e parte desse raciocínio acaba se perdendo durante o processo de digitação e formatação. Ao ditar primeiro, o profissional consegue registrar o pensamento em seu estado mais bruto, deixando para a IA a etapa posterior de organização, estruturação e refinamento do conteúdo.

O fluxo de trabalho passa a ser outro: o profissional da área jurídica dita o raciocínio, a IA transcreve e organiza as ideias em tópicos ou parágrafos e o profissional revisa a estrutura até chegar ao documento final. É possível, ainda, criar assistentes com instruções previamente definidas, de modo que todo áudio enviado siga automaticamente um mesmo padrão de tratamento, o que potencializa ainda mais o uso do recurso.

A voz pode ser usada muito além das petições

Antigamente, alguns profissionais já tinham o costume de ditar as petições no Microsoft Word, por meio do recurso próprio de ditado para elaborar peças. A prática agora ganha outras proporções com o poder da IA generativa. O profissional pode usar o ditado por voz para responder mensagens de clientes ou parceiros no WhatsApp, elaborar e-mails, despachos, relatórios e até mesmo a construção inicial de peças mais complexas.

O ditado pode não ser o melhor caminho para todas as tarefas jurídicas, mas grande parte delas certamente se beneficia dele. Estudos já comprovaram esse ganho de produtividade. A entrada de texto por voz pode chegar a 153 palavras por minuto, contra 52 palavras por minuto na digitação, ou seja, um desempenho 2,93 vezes mais rápido, conforme revelou estudo conduzido por pesquisadores de Stanford e da Universidade de Washington.

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A principal barreira ainda é cultural

A maior resistência em adotar o comportamento de ditar em vez de escrever é cultural, não tecnológica. Advogados foram treinados durante décadas para pensar enquanto escrevem, e não para verbalizar primeiro e editar depois. Mudar esse hábito exige adaptação e revisão cuidadosa, já que a fala tende a ser mais desorganizada e repetitiva do que a escrita, além de a ferramenta utilizada nem sempre captar com precisão tudo o que foi dito.

Ainda assim, quando utilizada como etapa inicial de elaboração, a voz pode se tornar uma interface eficiente para transformar raciocínio em texto com muito menos atrito.


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