Bernardo de Azevedo destaca importância do OSINT e da advocacia proativa na Fenalaw 2026

Especialista participou de painel ao lado de Alexandre Pegoraro, CEO da Kronoos, e abordou como a investigação em fontes abertas pode transformar a atuação dos advogados e fortalecer a prevenção de riscos.
O advogado, professor e especialista em Direito Digital Bernardo de Azevedo e Souza participou da Fenalaw 2026, realizada em São Paulo, em um painel dedicado à utilização de técnicas de investigação em fontes abertas (OSINT) na identificação de riscos e na tomada de decisões jurídicas e empresariais.
A apresentação ocorreu no dia 29 de outubro, no Auditório 07, dentro da programação de Compliance, Governança & Riscos Corporativos, e reuniu Bernardo de Azevedo, fundador e diretor da Bernardo de Azevedo Inteligência Jurídica, e Alexandre Pegoraro, CEO da Kronoos.
Intitulado “PCC e Comando Vermelho: Como Transformar Due Diligence em Inteligência de Risco para a Tomada de Decisão”, o painel discutiu a importância da investigação, da análise de dados e da inteligência de risco para profissionais do Direito e organizações.
Durante sua participação, Bernardo defendeu uma mudança na maneira como os advogados utilizam informações, destacando a necessidade de uma advocacia mais proativa e menos reativa, capaz de antecipar problemas, identificar riscos e subsidiar decisões antes que os conflitos se transformem em demandas judiciais.
OSINT como ferramenta estratégica para advogados
Um dos principais temas abordados por Bernardo de Azevedo foi a importância do OSINT (Open Source Intelligence), expressão utilizada para designar atividades de inteligência desenvolvidas a partir da coleta, verificação e análise de informações disponíveis em fontes abertas.
A metodologia permite transformar dados dispersos em informações relevantes para investigações, análises jurídicas, procedimentos de due diligence e avaliações de risco.
No contexto da advocacia, as técnicas de OSINT podem ser aplicadas à identificação de vínculos empresariais, ao levantamento de informações patrimoniais disponíveis publicamente, à análise de antecedentes e à verificação de informações relevantes para a atuação profissional, observados os limites legais e éticos.
O diferencial está na capacidade de reunir, cruzar e interpretar informações que, quando examinadas isoladamente, podem não revelar aspectos importantes de determinada situação.
Durante o painel, Bernardo ressaltou a necessidade de os profissionais do Direito desenvolverem competências investigativas e ampliarem o uso de ferramentas tecnológicas para fundamentar suas análises e orientar estratégias jurídicas.
Da advocacia reativa à advocacia proativa
Outro ponto central da participação de Bernardo de Azevedo na Fenalaw 2026 foi a transformação do modelo tradicional de atuação jurídica.
Historicamente, grande parte da atividade advocatícia está relacionada à resolução de problemas já existentes, como o ajuizamento de ações, a elaboração de defesas e o acompanhamento de processos judiciais.
A proposta apresentada por Bernardo foi ampliar essa perspectiva, demonstrando como a utilização de inteligência em fontes abertas pode contribuir para uma atuação preventiva e estratégica.
Na advocacia reativa, o profissional é acionado quando o conflito já ocorreu. Na advocacia proativa, por outro lado, o advogado busca antecipar cenários, identificar vulnerabilidades e orientar decisões capazes de reduzir a exposição de seus clientes a riscos jurídicos, financeiros e reputacionais.
Nesse contexto, o OSINT representa uma ferramenta que pode ampliar a capacidade de investigação do advogado, permitindo que sua atuação ultrapasse a análise documental tradicional e incorpore diferentes fontes de informação.
Essa mudança também acompanha uma transformação mais ampla do mercado jurídico, no qual a atividade consultiva, a prevenção de litígios e a inteligência aplicada aos negócios ganham relevância.
CEO da Kronoos apresenta relatório produzido com técnicas de OSINT
A apresentação contou também com a participação de Alexandre Pegoraro, CEO da Kronoos, empresa especializada em soluções de inteligência de risco e análise de dados.
Durante o painel, Pegoraro apresentou um relatório produzido com a utilização de técnicas de OSINT, relacionando a investigação em fontes abertas às atividades de due diligence e à identificação de riscos.
A discussão teve como referência o cenário de atuação de organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, conforme o tema proposto na programação do evento.
A apresentação permitiu abordar como procedimentos de investigação e análise de informações podem auxiliar empresas e profissionais na compreensão de riscos que nem sempre são identificados por métodos convencionais de verificação.
O painel também aproximou duas perspectivas complementares: a utilização de tecnologias e dados para a produção de inteligência de risco e a aplicação dessas informações na construção de estratégias jurídicas e empresariais.
Due diligence, inteligência de risco e tomada de decisão
A discussão realizada na Fenalaw 2026 também evidenciou a importância da evolução dos procedimentos de due diligence.
Tradicionalmente associados à verificação de documentos, antecedentes e informações cadastrais, esses procedimentos podem ser ampliados por metodologias de investigação que permitam examinar relações, identificar inconsistências e contextualizar riscos.
A aplicação de OSINT nesse ambiente contribui para uma análise mais abrangente, especialmente em atividades relacionadas à contratação de fornecedores, avaliação de parceiros comerciais, compliance e governança corporativa.
Contudo, a disponibilidade pública de uma informação não dispensa a verificação de sua confiabilidade, a contextualização dos dados e o respeito às normas de proteção de dados e aos direitos das pessoas investigadas.
O uso estratégico dessas metodologias depende, portanto, não apenas de ferramentas tecnológicas, mas também da capacidade crítica de interpretar os resultados e distinguir indícios de conclusões efetivamente comprovadas.
Bernardo de Azevedo na Fenalaw 2026
Pós-doutor e doutor em Direito pela Unisinos, mestre em Ciências Criminais pela PUCRS, advogado, professor e perito digital, Bernardo de Azevedo e Souza desenvolve atividades relacionadas à inteligência artificial, às provas digitais, à investigação tecnológica e à inovação na prática jurídica.
Sua participação na Fenalaw 2026 integrou a programação voltada à discussão de novas tecnologias, governança e transformação do mercado jurídico.
Ao abordar o OSINT e a necessidade de uma advocacia mais proativa, Bernardo apresentou uma perspectiva sobre a ampliação do papel do advogado, que passa a incorporar atividades de investigação, prevenção e inteligência à sua atuação profissional.
A discussão reforçou a importância de preparar os profissionais do Direito para um ambiente em que a capacidade de identificar informações relevantes, compreender riscos e antecipar cenários se torna cada vez mais importante para a tomada de decisões.
O painel foi realizado em 29 de outubro de 2026, das 14h às 14h20, no Auditório 07 da Fenalaw, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
Leia também: Bernardo de Azevedo ministra palestra e workshop sobre inteligência artificial na Fenalaw 2026. Conheça também o serviço de Perito de Bastidor e a programação do evento no site oficial da Fenalaw.
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