Bernardo de Azevedo participa de debate sobre perícia forense e tecnologia na Rede RS

5 min de leitura
Perícia forense: Bernardo de Azevedo participa de debate sobre perícia forense e tecnologia na Rede RS

Advogado, professor e perito digital participou do programa Ponto de Conexão e abordou o uso da inteligência artificial, das provas digitais e das novas tecnologias na investigação criminal.

O advogado, professor e perito digital Bernardo de Azevedo e Souza participou do programa Ponto de Conexão, da Rede RS, em uma edição dedicada aos avanços da perícia forense e ao papel da tecnologia na investigação criminal. Durante o debate, o especialista apresentou perspectivas sobre inteligência artificial, provas digitais, computação forense e novas ferramentas utilizadas na produção e análise de evidências.

A edição reuniu representantes de diferentes áreas do sistema de Justiça para discutir como os recursos científicos e tecnológicos estão transformando as investigações, contribuindo para a identificação de crimes e ampliando as possibilidades de produção e interpretação de provas.

Além de Bernardo de Azevedo e Souza, participaram do programa o promotor de Justiça Marcelo Tubino, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio Grande do Sul; o delegado Mário Souza, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil; e o advogado criminalista Felipe Faoro Bertoni.

Bernardo de Azevedo destaca a importância das provas digitais na investigação criminal

Em sua participação, Bernardo de Azevedo chamou a atenção para a crescente importância da tecnologia na investigação de fatos ocorridos tanto no ambiente físico quanto no digital.

Segundo o especialista, o desenvolvimento de novas ferramentas exige que advogados, peritos, investigadores e demais profissionais do Direito compreendam metodologias capazes de identificar, preservar e analisar evidências digitais.

Um dos pontos abordados foi a necessidade de maior conhecimento técnico sobre computação forense, área que reúne diferentes procedimentos para examinar dispositivos, arquivos e vestígios eletrônicos.

O advogado destacou que a compreensão dessas técnicas pode contribuir não apenas para o desenvolvimento das investigações, mas também para a identificação de eventuais inconsistências em procedimentos periciais e para o exercício do contraditório.

Durante o programa, Bernardo também ressaltou que a análise das provas digitais ainda recebe atenção insuficiente em determinadas atuações jurídicas, apesar de sua crescente relevância em processos judiciais.

Inteligência artificial, metadados e autenticidade das provas digitais

Outro tema discutido foi o impacto da inteligência artificial na produção de conteúdos digitais e os desafios envolvidos na identificação de imagens, vídeos e áudios manipulados.

Bernardo explicou o conceito de proveniência digital, relacionado à investigação da origem e do histórico de um arquivo eletrônico. Nesse contexto, destacou a importância dos metadados, que podem reunir informações sobre a criação, o processamento e outras características de arquivos digitais.

O especialista também abordou as limitações existentes quando imagens e outros conteúdos são compartilhados por aplicativos de mensagens e redes sociais, situações em que informações relevantes para a análise de origem podem ser removidas ou modificadas.

Durante sua exposição, Bernardo apresentou ainda aspectos da multimídia forense, especialidade que compreende a análise técnica de arquivos de áudio, imagem e vídeo.

A discussão envolveu a utilização de diferentes metodologias para verificar possíveis manipulações e examinar conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial.

Para o especialista, a confiabilidade das conclusões periciais depende da combinação de procedimentos técnicos, da contextualização dos vestígios e da possibilidade de verificação dos resultados por outros profissionais.

Reconstruções em 3D e novas tecnologias na apresentação de provas

Entre os assuntos apresentados por Bernardo de Azevedo no Ponto de Conexão esteve também a utilização de animações forenses em 3D na reconstrução visual de acontecimentos relevantes para processos judiciais.

O especialista explicou como essas ferramentas podem auxiliar na apresentação de situações complexas, facilitando a compreensão de fatos, trajetórias, ambientes e dinâmicas de determinados acontecimentos.

Como exemplos, mencionou aplicações relacionadas a julgamentos criminais, acidentes de trânsito e casos de grande repercussão nacional, nos quais representações tridimensionais foram utilizadas para facilitar a visualização de acontecimentos.

Bernardo ressaltou uma distinção importante: as animações forenses não substituem os exames periciais. Elas constituem recursos de comunicação visual que podem complementar laudos, documentos e outros elementos probatórios, permitindo apresentar informações técnicas de maneira mais acessível.

A utilização dessas ferramentas no Tribunal do Júri também foi debatida pelos participantes, especialmente diante da necessidade de comunicar informações complexas a pessoas que não possuem formação técnica especializada.

Perícia balística e tecnologia no combate ao crime

A edição do programa também abordou os avanços da perícia balística no Rio Grande do Sul, especialmente a utilização de sistemas tecnológicos capazes de identificar possíveis conexões entre armas de fogo e crimes distintos.

Durante a atração, foram apresentados dados sobre mais de 500 correspondências balísticas identificadas no estado, resultado do trabalho técnico realizado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).

O debate examinou a contribuição dessas ferramentas para as investigações policiais, a importância da cadeia de custódia e a necessidade de que os procedimentos periciais possam ser submetidos à verificação técnica.

A discussão reuniu perspectivas da advocacia, do Ministério Público e da Polícia Civil sobre a utilização dos vestígios científicos e o papel das novas tecnologias no esclarecimento de crimes.

Tecnologia e transformação do sistema de Justiça

A participação de Bernardo de Azevedo e Souza na Rede RS também evidenciou a ampliação dos debates sobre inteligência artificial, investigação digital e transformação tecnológica no sistema de Justiça brasileiro.

Advogado, doutor em Direito, professor e perito digital, Bernardo desenvolve atividades acadêmicas e profissionais relacionadas ao Direito Digital, às provas eletrônicas, à inteligência artificial e às aplicações da tecnologia na prática jurídica.

Sua atuação envolve o estudo de novas metodologias de investigação, análise de evidências digitais e utilização de ferramentas tecnológicas no contexto jurídico.

Ao final do programa, Bernardo reforçou a importância de compreender as novas tecnologias e metodologias que vêm impactando as atividades de investigação, perícia e atuação profissional no Direito.

A edição do Ponto de Conexão proporcionou um debate interdisciplinar sobre os desafios e as possibilidades da tecnologia aplicada à Justiça, reunindo diferentes perspectivas sobre o futuro da investigação criminal e da produção de provas.

Leia também: Na era da IA, seu texto ainda parece ter sido escrito por você? e Este é um dos maiores erros dos advogados ao usar IA na prática jurídica. Fonte de referência: Conselho Nacional de Justiça.

Compartilhar
Próximo passo

Quer aplicar isso no seu escritório?

Agende uma reunião inicial para entender o contexto do escritório e avaliar se o diagnóstico faz sentido agora.

Perícia forense e tecnologia: debate na Rede RS em 2026 | Bernardo de Azevedo