Bernardo de Azevedo é entrevistado pelo Metrópoles sobre os riscos da inteligência artificial na advocacia

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Riscos da inteligência artificial: Bernardo de Azevedo é entrevistado pelo Metrópoles sobre os riscos da inteligência ar

Em reportagem publicada pelo Metrópoles, advogado, professor e perito digital analisa os riscos de erros, omissões, violação do sigilo profissional e uso indiscriminado da inteligência artificial no Direito.

O advogado, professor de Direito Digital e perito digital Bernardo de Azevedo e Souza foi entrevistado pelo portal Metrópoles em reportagem publicada no dia 19 de outubro de 2026, que abordou o crescimento da utilização da inteligência artificial na advocacia brasileira e os riscos associados à adoção dessas tecnologias pelos profissionais do Direito.

A matéria, intitulada “Estudo aponta avanço da IA na advocacia, mas erros preocupam profissionais”, foi assinada pelo jornalista Victor Aguiar e apresentou dados de uma pesquisa realizada pela Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), acompanhados de análises de Bernardo sobre os desafios da utilização de ferramentas de IA na prática jurídica.

Durante a entrevista, o especialista destacou questões relacionadas à confiabilidade das respostas produzidas por sistemas de inteligência artificial, aos riscos de omissão de informações relevantes, à proteção de dados confidenciais e à necessidade de supervisão humana.

Bernardo de Azevedo alerta para erros e omissões da inteligência artificial

Um dos principais pontos abordados por Bernardo de Azevedo na reportagem foi a dificuldade de identificar informações incorretas produzidas por sistemas de inteligência artificial generativa.

Segundo o especialista, as ferramentas podem apresentar respostas verdadeiras e falsas com níveis semelhantes de fluência e aparente segurança, tornando indispensável a verificação das informações antes de sua utilização em atividades jurídicas.

“Os dois são perigosos porque a IA apresenta o certo e o errado com a mesma fluência e a mesma segurança, e mesmo as IAs jurídicas especializadas podem errar”, afirmou ao Metrópoles.

Bernardo também chamou a atenção para um problema que pode ser ainda mais difícil de identificar: a omissão de informações relevantes.

Diferentemente de uma referência jurisprudencial incorreta, que pode ser conferida em fontes oficiais, a ausência de determinado argumento jurídico em um resumo automatizado pode passar despercebida pelo advogado.

Esse cenário representa um risco especialmente relevante quando sistemas de IA são utilizados para analisar processos, resumir documentos e auxiliar na elaboração de manifestações judiciais.

Para o especialista, a revisão profissional não deve se limitar à leitura superficial do conteúdo produzido pela ferramenta. É necessário confrontar as respostas com os documentos originais, verificar referências e avaliar criticamente as conclusões apresentadas.

Pesquisa da AASP revela crescimento do uso de IA entre advogados

A reportagem do Metrópoles também apresentou resultados de um levantamento realizado pela Associação dos Advogados de São Paulo durante o evento Diálogos: IA e Advocacia, que reuniu aproximadamente 300 respostas.

Entre os participantes, 78,3% relataram aumento no uso da inteligência artificial nos seis meses anteriores, enquanto 88,4% atribuíram notas de 8 a 10 ao potencial transformador dessas tecnologias para a advocacia nos próximos cinco anos.

Apesar do interesse crescente, os dados também revelaram preocupações com a confiabilidade dos sistemas.

Segundo a pesquisa, 86,6% dos respondentes manifestaram receio em relação a erros e informações inventadas pela IA. Além disso, 99,3% afirmaram não ter utilizado uma peça jurídica produzida por inteligência artificial sem revisão profissional.

Os resultados apresentados na reportagem evidenciam o contraste entre o interesse pelas oportunidades oferecidas pela tecnologia e a preocupação com seus riscos operacionais.

Sigilo profissional e proteção de dados estão entre os principais desafios

Outro aspecto destacado por Bernardo de Azevedo na entrevista foi o risco de exposição de informações confidenciais de clientes em ferramentas de inteligência artificial.

A pesquisa da AASP revelou que apenas 16,7% dos participantes declararam possuir políticas formais e documentadas para o uso de IA no ambiente profissional.

Além disso, 50,4% afirmaram não saber ou não ter certeza sobre quais informações de clientes poderiam ser inseridas em sistemas generativos.

Na avaliação de Bernardo, a ausência de orientações institucionais pode levar cada profissional a decidir individualmente quais dados compartilhar, criando riscos relacionados ao sigilo profissional e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O especialista recomendou medidas como a verificação das configurações de privacidade das plataformas, a avaliação das políticas de utilização de dados para treinamento dos modelos, a minimização das informações compartilhadas e a retirada de elementos que permitam identificar clientes, sempre que possível.

Também sugeriu que os escritórios considerem esclarecer contratualmente a utilização de inteligência artificial na prestação dos serviços jurídicos.

Inteligência artificial também pode reforçar argumentos equivocados

Durante a entrevista, Bernardo abordou ainda uma característica dos modelos de linguagem que merece atenção dos profissionais: a tendência de determinadas ferramentas a concordar excessivamente com as premissas apresentadas pelos usuários.

Na prática, um advogado que solicita à inteligência artificial uma avaliação sobre determinada tese jurídica pode receber uma resposta que reforça seus argumentos sem identificar adequadamente as fragilidades da posição defendida.

Esse comportamento pode comprometer a análise crítica e criar uma percepção equivocada de segurança.

Por isso, o especialista destacou a importância de exigir referências verificáveis, consultar normas e precedentes em fontes oficiais e manter a análise independente das informações produzidas pela inteligência artificial.

Formação jurídica diante do avanço da inteligência artificial

A reportagem também abordou os impactos da inteligência artificial na formação das novas gerações de advogados.

Para Bernardo de Azevedo, um dos principais desafios está em garantir que estudantes e profissionais em início de carreira desenvolvam competências essenciais de pesquisa, interpretação, argumentação e raciocínio jurídico.

Com o acesso imediato a ferramentas capazes de produzir textos e análises estruturadas, existe o risco de que parte dessas habilidades não seja desenvolvida com a mesma profundidade.

O especialista defendeu uma abordagem educacional que não dependa da proibição da tecnologia, mas de sua utilização crítica e responsável.

Entre as possibilidades mencionadas estão a resolução inicial de problemas jurídicos sem auxílio da inteligência artificial e a realização de atividades destinadas ao desenvolvimento do raciocínio independente.

Participação na imprensa e debate sobre o futuro da advocacia

Pós-doutor e doutor em Direito pela Unisinos, mestre em Ciências Criminais pela PUCRS, advogado, professor e perito digital, Bernardo de Azevedo e Souza desenvolve atividades acadêmicas e profissionais relacionadas à inteligência artificial, ao Direito Digital e às provas digitais.

Sua participação na reportagem do Metrópoles integra o debate público sobre a transformação tecnológica da advocacia, especialmente quanto aos limites, riscos e responsabilidades envolvidos na utilização de sistemas de inteligência artificial.

A entrevista reforça uma questão central para o futuro da profissão: embora a tecnologia possa ampliar a produtividade e oferecer novas possibilidades de atuação, a avaliação crítica, o conhecimento jurídico e a responsabilidade pelas decisões continuam sendo atribuições dos profissionais.

A reportagem “Estudo aponta avanço da IA na advocacia, mas erros preocupam profissionais”, de Victor Aguiar, foi publicada pelo Metrópoles em 19 de outubro de 2026.

Leia também: Bernardo de Azevedo destaca importância do OSINT e da advocacia proativa na Fenalaw 2026 e Bernardo de Azevedo ministra palestra e workshop sobre inteligência artificial na Fenalaw 2026. Fonte de referência: Metrópoles.

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Riscos da inteligência artificial na advocacia: entrevista ao Metrópoles em 2026 | Bernardo de Azevedo