Seu cliente agora chega ao seu escritório de advocacia com a resposta da IA

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Seu cliente agora chega ao seu escritório de advocacia com a resposta da IA

A inteligência artificial (IA) está transformando o trabalho jurídico de inúmeras formas e, no âmbito da advocacia, tem reduzido a assimetria de informação entre advogado e cliente. Com a disseminação dos grandes modelos de linguagem (LLMs), o cliente realiza uma consulta prévia antes de procurar o escritório de advocacia e, depois, chega ao atendimento comparando aquilo que ouviu do profissional com aquilo que a IA respondeu.

Em 2026, já se tornou comum que o cliente inicie a conversa afirmando que pesquisou seu caso em alguma inteligência artificial, que a pretensão prescreve em cinco anos, que a ferramenta mencionou a existência de decisão do STJ sobre o tema, que, pelo que consultou, teria direito a indenização, ou ainda que identificou três teses possíveis. O advogado, portanto, passa a atender um cliente que já construiu expectativas e conclusões sobre o próprio caso.

Como a IA está mudando o atendimento no escritório de advocacia

Se, antigamente, o advogado precisava principalmente explicar o problema; agora, com frequência, terá de explicar, validar, corrigir e contextualizar. O conhecimento jurídico, que sempre foi diferencial do profissional da advocacia, passa a estar amplamente disponível. Ter informação jurídica deixa de ser um diferencial competitivo tão relevante, e o diferencial migra para a interpretação, a estratégia, o julgamento e a aplicação ao caso concreto.

Essa mudança faz da consulta inicial também um exercício de disputa de credibilidade. Não basta mais informar o cliente sobre determinado prazo ou tese; é preciso demonstrar por que aquilo que ele leu ou ouviu de uma IA, embora genericamente correto, pode não se aplicar ao seu caso específico. É justamente essa capacidade de contextualizar uma resposta genérica diante da realidade concreta do cliente que passa a diferenciar o profissional.

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O cliente está usando IA para questionar e redirecionar o trabalho jurídico

Recentemente, conduzi uma enquete com meu grupo de mentoria e com a minha comunidade no Instagram, formulando a seguinte pergunta: seu cliente já usou inteligência artificial para questionar ou redirecionar o seu trabalho jurídico? O resultado foi expressivo: 78,6% dos participantes responderam afirmativamente, enquanto apenas 21,4% dos respondentes indicaram que ainda não vivenciaram essa situação.

Ainda que a amostra não tenha a representatividade de um levantamento nacional abrangendo toda a advocacia brasileira, os dados sugerem que os clientes estão chegando às reuniões já informados e, de algum modo, questionando ou tentando redirecionar o trabalho jurídico do profissional. Se esse comportamento se consolidar, é razoável supor que a informação jurídica básica perca valor econômico nos próximos anos.

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O que realmente gera valor para o cliente na advocacia

Mesmo que alguns profissionais não tenham sentido isso em reunião, é provável que essa realidade já esteja mais próxima do que parece. Embora o conhecimento jurídico em si continue relevante, a camada que efetivamente possui valor econômico se desloca da informação básica para a leitura fina do caso e para a decisão sobre o melhor caminho a seguir, ou seja, para aquilo que nenhuma ferramenta consegue entregar sozinha.

Escritórios de advocacia cujo diferencial ainda é o acesso à informação básica correm o risco de competir diretamente com a ferramenta que o próprio cliente já usa em casa. Por outro lado, escritórios de advocacia que concentram o trabalho na leitura do caso concreto, na estratégia e no julgamento profissional encontram, nesse mesmo cenário, um diferencial mais nítido do que tinham antes. Novos tempos, novos desafios.


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